A ajuda energética
da Rússia á Ucrânia
O Ministério da Energia Ucraniano propôs aos seus
colegas russos estabelecer um contrato de fornecimento de energia a preços domésticos
da Rússia. Antes Moscovo tinha aceite fornecer á Ucrânia carvão e electricidade
sem pagamento antecipado.
Para o bem da Crimeia e para o bem da Ucrânia,
as autoridades ucranianas aceitaram no passado domingo importar electricidade
russa a preços domésticos. “Já se sabe por fontes políticas que o preço da
electricidade hoje em dia é de uns 2100
rublos (IVA incluído) por megavolt, que segundo o cambio oficial supõe unas 688
UAH por megavolt. O Ministério de Energia e Industria do Carvão ucraniano contactou
o ministro de Energia russo Alexander Novak com una proposta para firmar de
forma urgente um acordo nessas condições”, afirma o comunicado ucraniano. Entretanto
o presidente ucraniano Petro Poroshenko classificou de “inaceitáveis” os cortes
eléctricos, “especialmente nestas festas, o provavemente será a razão da pressa das autoridades ucranianas.
O ex-presidente ucraniano Viktor
Yushchenko mostrou-se menos patriota que sus sucessores e recentemente declarou
que a Crimeia e o Donbass são “terras estrangeiras”. Na sua opinião, esses territórios
não têm muito a verf com a Ucrânia. “Apenas há restos do nosso idioma, de nossas tradições,
das nossas igrejas, da nossa cultura”, disse numa recente entrevista a
Ukrainskaya Pravda.
Voltando á energia no passado sábado,
Dmitry Peskov, secretário de imprensa do presidente russo, confirmou o início da
entrega de carvão e electricidade sem pagamento antecipado á Ucrânia. Vladimir Putin tinha tomado a decisão no dia
anterior como gesto de boa vontade. De facto, não se trata unicamente de apoiar
a população irmã do país vizinho durante o rude inverno, mas de salvar a Ucrânia
do iminente colapso energético.
“Como ele próprio disse em numerosas
ocasiões, o presidente Putin não pode retirar o seu apoio ao povo ucraniano nos
momentos mais duros. De facto, o presidente Putin tomou a decisão de retomar
esse fornecimento, independentemente de pré- pagamento, que era o pré -
requisito”, informou Peskov. O vice-ministro de energia russo Dmitry Kozak afirmou
que a Rússia estava disposta a entregar 500.000 metros cúbicos de carvão por
mês, com a possibilidade de duplicar essa quantidade no futuro.
É essencial recordar que a falta de
electricidade levou a Ucrânia a una situação crítica. Devido á escassa produção
de energia, os cortes de electricidade chegaram á Crimeia russa. A península, dependente
em 70% da electricidade ucraniana, consume 1,000 МW por manhã, 900 MW de tarde
y 1,100 MW por noite. A república só é capaz de gerar 350 MW.
A semana passada, Ucrânia cortou completamente
o fornecimento eléctrico á Crimeia. Antes a 26 de Dezembro, manteve a península
sem electricidade durante umas quatro horas. No domingo, o ministro de Energia
da península, Sergey Yegorov, afirmou que Ucrânia assegura um fornecimento limitado
de 400MW em lugar dos 650MW contratualizados. Entretanto, por causa do frio, ,
espera-se que aumente o consumo de electricidade
na Crimeia.
Um pouco
de teoria da conspiração
Porque aceitaria a Rússia tal acordo e decidira
salvar a Ucrânia? Há diferentes interpretações. Alguns blogueiros e analistas
crêem que o Kremlin trata de evitar el colapso do sistema energético ucraniano,
já que as consequências piorariam a situação actual também na Rússia. O custo do colapso seria maior que o fornecimento
gratuito.
A lógica de Moscovo parece ser a
seguinte: A lógica de Moscovo parece ser a seguinte: recentemente produziram-se
numerosos incidentes nas centrais nucleares ucranianas. Todos recordam Chernobil.
Porquê buscar mais complicações? É melhor deixá-los queimar carvão. “Não creio que
haja um plano de sabotagem de Putin no fornecimento de carvão. Não é pela luta
da Crimeia nem pela situação humanitária. Em meio ano, Ucrânia conduziu a sua
indústria nuclear a uma capacidade escassamente operacional. E não necessitamos
que explore reactor nuclear.” Escreveu no Facebook a analista política Irina
Alksnis. “Bom trabalho o de fazer de um país europeu uma marioneta com uma
granada na mão em tão só um ano”, acrescentou. Crimeia não é auto-suficiente e
a sua dependência das infra-estruturas ucranianas não pode ser desprezada,
Todos os problemas da Ucrânia se repercutem na Crimeia.
Internet
oferece também a teoria que não é russo o carvão que se envia á Ucrânia, mas se
trata de carvão de Dombass. Mas desde que os separatistas dominam Donetsk e Lugansk, é desadequado comprar qualquer coisa
deles, segundo as autoridades de Kiev, mas é mais aceitável comprar o mais
neutral carvão russo. É uma possibilidade. O deputado por el Bloque Opositor Nestor
Shufrich já afirmou que se entrega carvão de Donbass á Ucrânia. a Ucrania. Há
que acrescentar que muitos residentes já mostraram a sua indignação por Rússia
ainda não ter encontrado forma de prover a península dos recursos energéticos necessários
para deixar de depender de Ucrânia. Os especialistas advertem da dificuldade, mas
a população exige uma solução.
Por
otro lado, alguns envergonham-se do facto de Moscovo está ajudando Kiev sem
recebir garantias algumas. Como se pode fornecer milhões de quilovátios se se
pode repetir o exemplo do gás: que enviem para a Europa os gases que poderiam
cortar na Crimeia, por exemplo? Para além do mais, como afirma Alexey Pushkov,
presidente del Comité de Assuntos Exteriores da Duma russa, é possível que o
fornecimento de energia sem pagamento antecipado não mude a atitude hostil da Ucrânia
face á Rússia. “Não importa como lidamos com Ucrânia, se há pagamento
antecipado ou não, a sua atitude para connosco não vai mudar: as autoridades de
Kiev mergulharam no rancor”, escreveu no Twitter.
Entretanto o líder do batalhão de voluntários Donbass,
um dos grupos armados que lutam com o exército ucraniano, o deputado Semen
Semenchenko (ou Konstantin Grishin, seu verdadeiro nome ) escreveu no Facebook
que não estava de acordo em vender a pátria em troca de carvão. “Está a pátria á
venda? Em que estou pensando? No carvão e na electricidade que os assassinos e
terroristas russos vão fornecer sem pagamento antecipado, metam na cabeça.
Ucrânia não é a Rússia e se alguém crê que todos vamos esquecer os jovens
mortos em troca de fornecimento sem pagamento antecipado, julgo quem assim pensa
de ve ir a caminho de Rostov. Pátria ou morte! Isto é o que diz os nossos
corações”, escreveu.
El
post de Semenchenko causou a reacção do conhecido blogueiro da Crimeia Boris
Rozhin (Colonel Cassad). “Pode Konstantin vender-se a troco das notas verdes
com caras de presidentes de Estados Unidos e a sua oferta é já de há muito
tempo , tanto antes como depois da dita revolução da dignidade. Os citados jovens
mortos também são mercadoria,” escreveu, escreveu Rozhin num dos seus recentes
artigos. “Em relação á electricidade estivemos ás escuras um par de horas
ontem, e sem cortes hoje, de momento. A
população fala mais do bloqueio ferroviário á Crimeia. Este jogo sujo realmente
prejudica que tem família na Ucrânia” disse.
Ainda que alguns ucranianos sob os
efeitos da propaganda de Kiev creiam que o seu país trava uma guerra contra Rússia,
ambos os países seguem dependendo um do outro. Este detalhe é algo que nunca se
deve esquecer.
em Slavyangrad .es
tradução CR