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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Os “exemplos” da troika

Há países apontados como exemplos de uma política de austeridade que permitiria sanear a curto ou a médio prazo a economia e permitiria retomar o crescimento. Será que a “receita” inevitável do FMI, dos monopólios e das burguesias nacionais foi eficaz? Vejamos os casos da Letónia e da Irlanda.
A Letónia, o primeiro exemplo, tem 2 milhões de habitantes. Irá crescer quatro por cento em 2011. Teve uma queda do PIB entre 2008 e 2010 de 25 por cento. Os cortes salariais no sector público foram de 25 por cento, igualmente. Mesmo que se mantivesse o ritmo actual de crescimento só dentro de 6 anos a Letónia recuperaria o nível de 2007. O desemprego atinge os 16 por cento. Cinco por cento da sua população já emigrou, sobretudo jovens, e ao ritmo de 40 mil por ano.
A Irlanda, o segundo exemplo, tem 4,a milhões de habitantes. Aquele que já foi designado por “tigre celta” vê cerca de mil jovens irlandeses abandonar todas as semanas o seu país, onde o desemprego subiu de 6,5% para 14,4 por cento. Milhares de imigrantes polacos e checos regressam aos seus países de origem. O PIB decresceu 18 por cento em 2008. A procura interna diminuiu 29 por cento. 300.000 famílias estão impossibilitadas de pagarem as suas hipotecas pela habitação. Os custos salariais e outros custos laborais reduziram-se em dez por cento. O crescimento é insignificante este ano e estima-se de 2 por cento em 2012.
As receitas do FMI deixam os povos exangues. E Portugal? Segundo o Correio da Manhã, a média de emigrantes por dia desde 2009 e 2010 é de 408 portugueses. Alguém alertava que nos podemos transformar num enorme baldio de 92.090 km2. Sem deficite, sem dívida, sem vida. O caminho do desastre está á vista de todos.

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