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terça-feira, 23 de agosto de 2011
Dos jornais
...Este é um tempo em que todos os impossíveis podem acontecer. Até o que sucedeu agora aos antigos trabalhadores da Mundet, que após 23 anos à espera de serem ressarcidos dos créditos a que tinham direito - mais de um milhão de euros no total - viram o Tribunal da Relação de Lisboa atribuir-lhes cerca de 0,8 por cento desse montante (nove mil euros) o que em termos individuais se traduz em indemnizações que vão dos 26 cêntimos aos 30 euros. Repete-se: dos 26 cêntimos aos 30 euros. Ao fim de quase um quarto de século de espera! Sobrevivendo como foi possível. Ficando muitos deles pelo caminho. Este é o tempo em que o mesmo Tribunal da Relação de Lisboa atribuiu aos restantes credores da Mundet - banca privada e Caixa Geral de Depósitos – valores superiores a 5 milhões de euros. A esta indignidade chama-se Justiça. A balança está lá, mas os pratos estão desequilibrados, pendendo sempre para o lado dos poderosos.
Este é o tempo em que histórias obscenas como a da Mundet não fazem manchete, não vá dar-se o caso de incomodar os “amorins” da república das bananas em que Portugal se tornou … ou de os oprimidos acharem que já basta e que este é também o tempo da revolta.
(em Avante)
quinta-feira, 7 de julho de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
OS 80 ANOS DO AVANTE!




O Avante! nasceu em 1931, na clandestinidade, quando em Portugal se construía a ditadura fascista. Depois de uma primeira década de edição irregular, o Avante! passa a sair ininterruptamente de 1941 até Abril de 1974, sendo em todo o mundo o jornal que mais tempo resistiu na clandestinidade.
Ao proletariado de Portugal. Foi com estas palavras, impressas na manchete da primeira edição do Avante!, a 15 de Fevereiro de 1931, que começou esta caminhada de 80 anos assinalada nesta edição. Nesse ano distante construía-se já no País aquela que foi a mais longa ditadura fascista da Europa, que oprimia e favorecia a cruel exploração dos trabalhadores pelos potentados económicos e calava qualquer anseio de liberdade, democracia e justiça. O movimento sindical e operário foi esmagado, os partidos proibidos, assim como os seus periódicos. Só o PCP optou por resistir e prosseguir o combate – mas tal obrigava a que o fizesse na mais rigorosa clandestinidade, enfrentando a feroz perseguição dos esbirros do fascismo.
O surgimento do Avante! foi um dos resultados da reorganização do Partido iniciada em Abril de 1929, sob a direcção de Bento Gonçalves, e que transformou o PCP num partido revolucionário, com crescente influência entre as massas e, assim, mais capaz de lutar nas difíceis condições de clandestinidade. Mas a publicação do Avante! foi, também ela, um importante contributo para a construção do Partido e para a divulgação das ideias do socialismo, bem como para a mobilização para a luta. Aplicava-se assim, à realidade portuguesa da época, os ensinamentos de Lénine relativos ao jornal comunista: este deveria ser um agitador, um propagandista e um organizador.
Apesar dos êxitos notáveis alcançados pelos comunistas ao longo da década de 30, o PCP não estava ainda preparado para resistir à crescente violência do salazarismo, embalado então pelas vitórias dos seus aliados Hitler, Mussolini e Franco. As prisões de dirigentes e militantes sucedem-se (entre as quais a de Bento Gonçalves e de outros membros do Secretariado) e o Avante! ressente-se, vendo a sua publicação interrompida e retomada por cinco vezes. Em finais de 1938, praticamente deixa de se publicar.















