...Este é um tempo em que todos os impossíveis podem acontecer. Até o que sucedeu agora aos antigos trabalhadores da Mundet, que após 23 anos à espera de serem ressarcidos dos créditos a que tinham direito - mais de um milhão de euros no total - viram o Tribunal da Relação de Lisboa atribuir-lhes cerca de 0,8 por cento desse montante (nove mil euros) o que em termos individuais se traduz em indemnizações que vão dos 26 cêntimos aos 30 euros. Repete-se: dos 26 cêntimos aos 30 euros. Ao fim de quase um quarto de século de espera! Sobrevivendo como foi possível. Ficando muitos deles pelo caminho. Este é o tempo em que o mesmo Tribunal da Relação de Lisboa atribuiu aos restantes credores da Mundet - banca privada e Caixa Geral de Depósitos – valores superiores a 5 milhões de euros. A esta indignidade chama-se Justiça. A balança está lá, mas os pratos estão desequilibrados, pendendo sempre para o lado dos poderosos.
Este é o tempo em que histórias obscenas como a da Mundet não fazem manchete, não vá dar-se o caso de incomodar os “amorins” da república das bananas em que Portugal se tornou … ou de os oprimidos acharem que já basta e que este é também o tempo da revolta.
(em Avante)
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