A Ucrânia
proibiu a comercialização no país da edição russa da obra
"Estalinegrado", do historiador britânico Antony Beevor, no quadro de
uma lei que impede a importação de livros com conteúdo anti-ucraniano, o que
causou a indignação do autor.
Tomada a 10
de janeiro, a decisão sobre "a proibição diz apenas respeito à importação
para fins comerciais desse livro proveniente da Rússia e lá publicado em
russo", declarou hoje Serguiï Oliïnyk, que dirige o departamento público
encarregado das autorizações e do controlo da produção impressa.
As
autoridades ucranianas "não vão recuar na sua decisão", sublinhou o
responsável, classificando como "escandalosa" a tradução russa do
livro dedicado a uma das batalhas fundamentais da Segunda Guerra Mundial entre
as tropas soviéticas e as nazis.
Segundo
Oliïnyk, o livro "Estalinegrado" pode ainda ser livremente importado
para a Ucrânia se provier de outros países, incluindo em língua russa.
Além disso,
"cada cidadão ucraniano tem o direito de importar para a Ucrânia dez
exemplares da edição russa em questão, na condição de ser para uso
pessoal", escreveu Oliïnyk na sua página da rede social Facebook.
A
comercialização de um outro livro de Antony Beevor, intitulado "Segunda
Guerra Mundial", foi autorizada na Ucrânia, recordou.
Serguiï
Oliïnyk tinha anteriormente afirmado ao serviço ucraniano da Radio Liberty que
a proibição de "Estalinegrado" se prendia com a presença no livro de
vários parágrafos sobre as ordens dadas pelas forças de Hitler aos
nacionalistas ucranianos para fuzilarem crianças durante a ocupação nazi.
De acordo com
o responsável, tais parágrafos não têm fundamento e assentam em relatórios da
polícia secreta soviética.
A proibição
desencadeou a indignação de Beevor, um prestigiado historiador, que assegurou
na sexta-feira ao jornal britânico The Guardian que o livro se baseia,
nomeadamente, em testemunhos do oficial alemão anti-nazi Helmut Groscurth,
exigindo um pedido de desculpas das autoridades ucranianas e que Kiev recue na
sua decisão.
Por seu lado,
a embaixada da Rússia em Londres classificou esta proibição como "um ato
vergonhoso de censura e traição das vítimas" da Segunda Guerra Mundial.
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