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sábado, 27 de janeiro de 2018

UMA IDEIA PEREGRINA SOBRE UM PROBLEMA

"Não podemos permitir que algumas empresas estejam a assediar funcionários de 
outras, porque isto pode originar um desequilíbrio e inflacionar os custos da 
mão-de-obra". "Estamos a estudar fornas de apoiar a formação de mão-de-obra
 especializada para a indústria do mobiliário para não permitir este inflacionamento
 dos custos e apoiar os industriais". (Alexandre Almeida, Presidente da Câmara 
Municipal de Paredes eleito pelo PS, Contabilista de  algumas das maiores
 Empresas do Mobiliário de Paredes, em declarações  a “O Paredense" sobre uma 
"dramática falta de mão-de-obra no sector do mobiliário")

O Paredense, quinzenário com óbvias ligações ao PS e franjas do 
PSD, trazia na sua última edição um Dossiê intitulado Mobiliário 
vive drama com falta de mão-de-obra. Anunciava a realidade
atual de novos postos de trabalho no sector (aqui denominados
como “oportunidades de emprego”) a que não corresponderiam
ofertas de trabalhadores especializados disponíveis.

O quadro era caracterizado com números interessantes: as exportações 
na indústria tinham crescido cerca de 5% no terceiro  trimestre de 2017. 
O mesmo quadro favorável era ilustrado com três exemplos de 
empresas em crescimento. A inovação tecnológica  e do design
e a alta qualidade dos produtos esbarrariam com ausência 
de formação profissional externa às empresas. Esse problema
poderia ser suprido por Escolas, Universidades e Centros  de 
Formação... Mas segundo os industriais, marceneiros, costureiras
e estofadores qualificados e mesmo programadores não haverá
 em número suficiente, por isso e porque não há em muitos “vontade
 de trabalhar”, apesar dos “bons ordenados”.

E aqui chegados restam algumas afirmações avulsas e 
breves comentários. Alguém com responsabilidades e conhecimento
 empresariais afirma que houve um “desinvestimento na promoção 
da indústria” após o 25 de Abril (A. Pereira Leite) e nós lembramo-nos
 das condições de adesão á União Europeia… Ou de uma “menor 
competitividade salarial em Portugal (igualmente A. Pereira Leite)
 e nós lembramo-nos dos salários “fictícios” do sector. Quanto á “luta ~
entre empresas”, julgávamos nós que a lógica capitalista prevalecente
 no sector era a concorrência, a dinâmica entre interesses divergentes, 
a lei da procura e da oferta de trabalhadores qualificados e 
efectivamente bem pagos.

 Mas fica a dúvida sobre o ónus da questão não está colocado
 no sector mais fragilizado, no trabalho. A “revalorização do 
trabalho neste sector” não estará certamente como pensa o 
Senhor Presidente da Câmara na “cartelização” por baixo dos 
salários, na redução dos custos do trabalho. Ideia peregrina de um 
eleito socialista… a quem relembro os muitos milhares de jovens
 e menos jovens que mostram no estrangeiro e com muitas dificuldades
 a sua indiscutível “vontade de trabalhar” e vivem reais “oportunidades
 de emprego”.

CR

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