O Festival Eurovisão da Canção readquiriu
recentemente algum fulgor e despertou assim o meu interesse, algo distante
deste certame comercial de cantorias. Certamente a real qualidade e mesmo a
originalidade da canção que representa Portugal ajudou a esse renovar de
atenção. Estamos perante um momento poético e musical bem conseguido, uma clara
divergência de estilo em relação a outras actuações e que desperta uma forte emoção
positiva. E em português. Dizem que é tema Disney-jazz-samba, cantado por um Joe
Cocker dos anos 2000. Será! Mas é bom! Bravo! Salvador Sobral e Bravo! para Luísa
Sobral.
Mas
atentos á “concorrência” não podemos deixar de reparar na indistinta cacofonia
que representa outras nações, com um generalizado pop electrónico made em Ibiza
que se estende por diferentes geografias e culturas musicais. São
néons, coreografias, adereços e tiques, expressão de uma uniformização cultural
em língua inglesa, que não distingue o Azerbeijão da Finlândia, a Austrália
(país “europeu” em digressão pela Oceania) da Arménia. Percebemos melhor que
após uma integração politica e monetária, com a criação do Euro, assistiremos em
breve á total harmonização de gosto cultural. Salvador, dá-lhe forte!
CR



