um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

NOTÍCIAS ENCORAJADORAS DA SIRIA


O Iraque defende a unidade da Síria, a abertura de fronteiras comuns e o retorno daquele país à Liga Árabe. Os Emiratos Árabes Unidos reabrem a embaixada em Damasco. A Arábia Saudita não põe obstáculos á entrada da Síria na Liga Árabe. Os Estados Unidos confirmam uma “intenção” de saída das tropas americanas, ilegalmente instaladas na Síria. Os refugiados sírios iniciaram o retomo ao seu País, numa “nova fase” , segundo  António Vitorino , director geral da Organização internacional das Migrações. Para Trump, a Síria é “areia e morte”, não tem “vastas riquezas”. A Holanda retira os F16 do Iraque e da Síria.


CR

domingo, 16 de dezembro de 2018

A LUTA DOS ENFERMEIROS E A ESQUERDA


São muito preocupantes as posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda sobre a chamada Greve Cirúrgica dos enfermeiros nos blocos operatórios. E digo, com correcção, nos blocos operatórios e não dos blocos operatórios. Fico igualmente apreensivo com a posição pública última do PCP, partido em que me revejo, de que discordo parcialmente.

Assiste-se a um frenesim argumentativo que tem como substrato principal o medo e um opaco manto de fumo.

Não se discutem as razões objectivas invocadas pela greve, nem o percurso da negociação das reivindicações da greve. Como se elas não existissem, não fossem justas, não fossem imperativas para um exercício com qualidade e motivação da profissão de enfermagem no SNS. Como se essas reivindicações não fossem assumidas pela generalidade dos profissionais da enfermagem e não fossem comuns à diversidade dos sindicatos. Como se não houvesse um longo período de greves parcelares e regionais, com resultados medíocres, uma crescente frustração nas virtualidades dos processos de luta. Como se não houvesse uma degradação do exercício profissional nas unidades de saúde, de recursos humanos e materiais escassos, um subfinanciamento crónico, carreiras de progressão congeladas, de turnos sucessivos e exponencialmente exigentes, e de um reconhecimento e prestigio sociais pouco valorizados, licenciados a ganhar como se não o fossem, uma retribuição remuneratória insuficiente para assegurar uma vida normal. Como se não houvesse precaridade, fracturas familiares, emigração de licenciados da saúde, instalações superlotadas e exíguas. Como se não existisse um interlocutor governamental cego, de responsabilidade limitada, sem capacidade de diálogo efectivo ou de resposta aos problemas, virado para o umbigo da auto-satisfação com os indicadores obtidos ao longo de décadas pelo SNS. Como se não existissem chefias intermédias, expostas e sensíveis diariamente aos apelos de sereia dos grandes negócios e da medicina privada.

Isto é profundamente esquecido por quem se alheia das dinâmicas do sector ou delas só tem conhecimento pelas reportagens alarmistas tipo Correio da Manhã. Mas a Esquerda que eu defendo não é desconhecimento nem alheamento.

Nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda, ressaltam aspectos importantes como são o direito à vida dos utentes reais, o dolo possível ou irreversível de uma greve com estas características. Não creio ser justificado tal apreensão, atento às obrigações da profissão, ao código deontológico dos profissionais de saúde, os serviços mínimos decretados e legalmente aceites e o carácter multidisciplinar das equipas de decisão operatória existentes nos 5 blocos operatórios abrangidos pela greve. Não conheço e não foi relatado um, um só caso, de prejuízo solidamente confirmado pela acção da greve. Daí a dúvida: que singularidade é esta nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda, tradicionalmente defensora da luta de classes, dos direitos dos trabalhadores, perante ESTA greve dos enfermeiros? Os enfermeiros passaram a estar no limbo dos trabalhadores de direitos limitados? Ou dos já privilegiados, em estado de bem-estar social? Que compromisso é este nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda com as posições imobilistas e injustas do governo, com a retórica antigreve e anti-sindical, que atinge a barbaridade de se pedir mesmo a requisição civil dos enfermeiros?

Nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda, ressaltam aspectos no caso menores e até caricatos como o do assinalar quem promove a greve ou a defende. A lógica de mobilização e organização dos trabalhadores só a estes interessa. Não é o vulgar cidadão como eu que define se a Bastonária dos Enfermeiros, filiada no PSD, é ou não representativa da classe ou tem uma agenda politica pessoal oculta. Não é o vulgar cidadão como eu que define se o SEP deveria ter rompido com as negociações ou obtido ganhos parcelares significativos para “esvaziar” o processo de luta desencadeado por sindicatos “emergentes”. A Rita Cavaco, a Rita Cavaco do PSD, não me interessa, sejamos claros, como agente de transformação social. A personalização das lutas não constitui património da Esquerda. A Direita costuma denegrir e invectivar miseravelmente Mário Nogueira quando das lutas JUSTAS dos professores. A Esquerda não o deve fazer, em simetria, em relação a ESTA luta dos enfermeiros.

Um outro aspecto muito citado nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda, é o processo de luta servir os interesses da hospitalização privada ou, de forma indirecta, acelerar o desprestígio das instituições públicas. Há quem veja o imediato, a ponta do nariz, sem enxergar o mais afastado. O que defende verdadeiramente o serviço público é a existência de profissionais em numero adequado, bem qualificados e motivados, trabalhando em condições ideias. Não há privado concorrencial em qualidade a um SNS de referência, quer nos Cuidados de Saúde Primários quer nos Cuidados Hospitalares mais diferenciados. E até no processo de luta se duvida que os privados possam beneficiar da valorização dos profissionais de Saúde, sabendo nós todos ( e com obrigação,  gente afirmativamente de Esquerda) que  os privados parasitam e medram nas deficiências, nas insuficiências, e desmotivações  do SNS.

Deixei para o fim, a forma de recolha de fundos para assegurar um fundo de greve. A alguns incomoda a forma criativa e original da organização da greve. A alguns perturba-os que o trabalhador não cumpra o desígnio moral de perder dinheiro com uma greve. O patronato não diria melhor…

Aquilo que o Estado não pôde conter ou limitar, com a sua legislação, com a sua comunicação social dominante, com a ideologia do conformismo e das inevitabilidades, é colocado lamentavelmente na barricada da luta pelas consciências bem pensantes da Esquerda. A discursata expressa nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda assinala a possibilidade de um financiamento por privados, enfermeiros pagos e usados, insinuando mesmo alguns tal facto. Considero tal argumento intelectualmente e moralmente medíocre. Á falta de dados objectivos, insinua-se. Mas os SIGIC`s  e os vales cirúrgicos para utentes em lista de espera, são o quê? E a ADSE serve para quê? Realidades para fortalecer o SNS?

Onde está a Esquerda da objectividade, da solidariedade, da resistência, da nova Sociedade, do Contra-Poder?

Nota Final:
A quem possa interessar: sou Médico, casado com uma Enfermeira, trabalhamos em exclusividade para o SNS e contribuímos com 80 euros para o fundo de greve.

Cristiano Ribeiro







sábado, 1 de dezembro de 2018

Manifesto74: Silêncio

Manifesto74: Silêncio: Calados, caladinhos, cabeça baixa, orelhas que tapem os ouvidos, que vão falar os comunistas. Os velhos e cansados, os que desde 1921 que ...