um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda
quinta-feira, 6 de maio de 2021
domingo, 25 de abril de 2021
INTERVENÇÃO
Intervenção na AM Paredes
Auditório A Lord –
Lordelo
Relembrar o dia 25 de abril de 1974 é justo e necessário. Relembrar esse dia 25 de abril de 1974, esse dia límpido, singular e irrepetível, é tarefa de todos os democratas e progressistas. Mas ao lembrar Abril, hoje e tal como em anos anteriores em comemorações oficiais em Paredes, devemos refletir sobre o seu significado.
De Abril já muito se disse, importa só e apenas que Abril se cumprisse. Mas…
Em 1974 começamos uma época rica em conteúdos, prenhe de acontecimentos decisivos. Tudo o que hoje temos de mais positivo na nossa vida colectiva surge ou se regenera em abril de 1974.
As gerações mais novas, menos alertadas para as circunstâncias da História, não serão muito sensíveis a ganhos, conquistas, desenvolvimentos de então. Naturalmente assim é, porque não as viveram, como foi felizmente o meu caso, cedo protagonista entusiasta desses dias aos 18 anos de idade.
Mas a Liberdade, a Democracia, a liberdade de expressão e de associação, os direitos políticos e laborais, o direito às férias, o salario mínimo, o direito á saúde, educação e segurança social, a emancipação das classes média e inferior da sociedade, a construção do Estado Democrático, têm a sua origem nesse período, base e estrutura do sistema político constitucional.
De um pais com passado colonial, passamos a um pais respeitado e aberto ao mundo, com uma referência identitária de promotor de Paz.
Tempo de contradições, de conflitos, quiçá de angústias, mas tempo de construção acelerada do futuro. Onde o som das gargantas nas ruas e os cravos vermelhos nas mãos abriram alamedas de expetativas luminosas.
Mas como Revolução Libertadora, Abril não se cumpriu na totalidade, antes pelo contrário, em muito regrediu e se desvirtuou. O socialismo amplamente apregoado foi metido em gaveta ou sótão poeirento e foi substituído por um liberalismo de vários matizes, sem princípios ou valores, onde cedo grassou práticas de corrupção, obscurantismo e desigualdade. E onde parcelas importantes da nossa economia e sector financeiro foram desviados para mãos do estrangeiro.
O Estado foi aprisionado por sucessivos governos (com poucas intermitências…) por lógicas privadas e interesses obscuros, como as privatizações, ou as concessões de serviços públicos. O enriquecimento ilícito, a evasão fiscal, a fuga de capitais para o exterior, são consequências dessa promiscuidade público-privado, dessa porta giratória entre governos e conselhos de administração das grandes empresas nacionais e estrangeiras.
Com a integração europeia, acentuaram-se mecanismos externos de dependência, com a utilização de fundos ditos estruturais para obras de utilidade muito duvidosa ou conjuntural, sem real beneficio para o PIB. A economia estagnou.
O país está mais dependente, perdida a soberania alimentar, a soberania energética e sendo atualmente emissor de mão-de-obra e recursos humanos, muita da qual altamente qualificada, para os países mais ricos.
O país vive numa subalternidade, subjugado pelos ditames do sistema politico dominante mundial.
Devido ao tempo disponível, assinalaria por fim e telegraficamente três sectores julgados essenciais no tempo presente e a carecer atenção prioritária:
- a Saúde e os seus
profissionais, indispensáveis ao bem estar e à vida das populações; o SNS como
conquista democrática de Abril, suas virtualidades, suas potencialidades, sua importância.
A valorização de recursos humanos, de meios técnicos, a dignificação de
carreiras
- a Educação, os seus profissionais, professores e outros agentes educativos. A Escola Pública como base de toda a formação integral do individuo e da cidadania. O reforço da motivação dos profissionais e a centralidade da Escola na formação de mentalidades, na defesa da solidariedade e não do individualismo e da competitividade, e no combate à desigualdade social. O sucesso educativo individual e a inclusão, como grandes objetivos.
. e por fim o Poder Local, os autarcas como representação efectiva do interesses das populações e fator de crescimento e desenvolvimento das comunidades. Um apelo à qualificação e à criatividade. E aqui permito-me referir a desilusão profunda com o não cumprimento da promessa da revogação da anexação de freguesias efectuada contra a vontade das populações.
De Abril já muito se disse, importa só e apenas que Abril se cumprisse.
Assim termino.
Cristiano Ribeiro –
CDU Paredes
25abril2021
quarta-feira, 3 de março de 2021
Intervenção
Intervenção inicial de debate com um eleito da CDU na Assembleia Municipal de Paredes , promovido pelo Rotary de Paredes , sob o tema "O FUTURO DE PAREDES"- Dia 2 de março de 2021
Meus senhores,
Falar do futuro de
Paredes, concelho em que somos autarcas eleitos e em que trabalhamos ou
residimos, é uma tarefa aliciante.
Tudo o aqui eu disser
(e que só a mim em última instância responsabiliza) pode ser lido como desejo
inconsequente, promessa inviável ou discurso sem adesão á realidade. É um
risco. Não é meu propósito fazer proselitismo.
O desafio proposto porém
merece resposta. Que concelho desejaríamos ajudar a construir?
Certamente um
concelho de referência, não necessariamente o MELHOR, mas certamente diferente
do atual. Um concelho amigo do ambiente, atravessado de rios e riachos de águas
límpidas e margens cuidadas, e dispondo de universais infra-estruturas de
abastecimento de água e saneamento. Um concelho próspero, de raízes sólidas no
Trabalho e na sua dignidade. Um concelho de múltiplas oportunidades de
realização e de crescimento pessoal e colectivo.
O que falta?
Fazer todo um longo
caminho. Até uma nova sociedade, socialista. Utopia, dirão alguns. Correr atrás
de uma utopia vale a pena? Sim, mesmo que nunca se alcance, serve para não se
deixar de caminhar, disse-o sabiamente Eduardo Galeano.
Convém referir o que
penso, o pensamento de um comunista de idade madura, com história eivada de reflexões,
peripécias e acontecimentos.
Penso (e aqui
desapontarei alguma expetativa muito “localista” dos meus caros anfitriões) que
antes de Paredes _ o seu passado, presente e futuro _ está o Pais. O todo
condicionará sempre a parte. Nunca haverá ilhas possíveis de um diferente desenvolvimento
e de progresso num Pais unitário, não regionalizado.
Tenho como certo que
é preciso construir sistematicamente e com persistência uma sociedade
diferente, uma sociedade de valores e objectivos comumente aceites, para o qual
somos (e queremos ser) atores indispensáveis.
Duas frivolidades:
- O País será sempre
o que os seus cidadãos quiserem, independentemente das propostas de quem
estuda, pensa e julga poder concretizar um futuro melhor.
- O País concreto tem
sempre alternativas, umas mais conformes a um destino de subalternidade, de uma
“apagada e vil tristeza”, cemitério de infelicidades e frustrações.
Estando a reler “Os
miseráveis” de Vitor Hugo, interrogo-me se a sociedade francesa aí descrita no
século XIX não será a mesma sociedade presente, nos seus traços gerais, quer
sociais quer psicológicos.
Assistimos aqui como então
a uma inaceitável desigualdade, a uma polarização da riqueza, à subversão de
princípios éticos, ao mesmo desespero, consciente ou não, perante a injustiça,
a fragilidade económica e a doença.
Os forçados de então
remetidos às galés para cumprirem penas são os emigrantes de agora, exilados em
precárias condições de trabalho na Europa dita rica, a cumprir as penas da
sobrevivência.
Será esse sempre o nosso destino?
Vejamos a nossa aposta
na Educação. Uma Educação pública, de qualidade e generalizada, desde a
infância à vida adulta, é essencial para a construção de uma sociedade melhor.
Quanto mais instruídos formos, mais capazes seremos de abrir novos rumos na
cidadania e na LIBERDADE. Sim, só é verdadeiramente livre quem dispuser de
pensamento autónomo, devidamente fundamentado, fruto de aprendizagem e experiência
própria e alheia, capaz de exprimir a sua individualidade e opinião.
Uma sociedade
participativa exige portanto conhecimento, literacia, competência, afastadas as
mediocridades e as ignorâncias. Será isto utópico?
Vejamos a nossa aposta
na Saúde. Uma Saúde ao alcance de todos constitui-se em fator de estabilidade e
segurança, baluarte numa sociedade de destino comum e solidário. Os tempos
presentes confirmam que um Serviço de Saúde público mais do que uma
circunstância, fruto de emergência, deve constituir orientação civilizacional e
permanente. Será isto utópico?
Uma sociedade com
acesso concreto e permanente aos benefícios dos avanços da ciência cumpre igualitariamente
as necessidades individuais.
Vejamos a nossa aposta no
Estado, nas suas instituições, nos seus serviços. Mais do que discutir a sua
dimensão, ou a sua reorganização, importaria discutir o exercício das suas
funções, a legitimidade da sua acção, a sua eficácia, a administração como
escola de virtudes.
Uma sociedade que
defende serviços públicos de qualidade, que se orgulha das suas instituições e
nos seus representantes, que encontra na sua acção a projecção dos seus
desejos, constitui-se em digna construtora da utopia de que falava.
Por último, falarei
um pouco do papel exigível aos comunistas e aliados na CDU. E aqui volto ao
estrito plano local. Temos obra e referências. Mesmo que limitadas.
Somos acusados de
conviver com benefício próprio com diferentes gestões autárquicas. Votamos no
passado e no presente a favor de planos e orçamentos. Os que se indignaram
ontem, de dedo em riste aceitam agora e vice-versa. Respeitamos a vontade
popular expressa em eleições. Por razões de identidade, mesmo incompreendidos
ou silenciados, somos autónomos e coerentes.
Reafirmo um
compromisso de permanente diálogo com todos, independentemente de circunstancialismos.
Não temos um guião aplicável que nos diga que por exemplo, a taxa de IMI deve
ser x ou y, independentemente de investimentos programados. Ou outras receitas programadas
ou modelos.
Procuramos ser fiéis
a um passado glorioso de 10O anos de existência, o que convenhamos, não é
pouco.
Como diz Jorge Palma,
enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar…mesmo que contra a
corrente!
Agradeço o simpático convite.
E estou disponível para o diálogo.
CR
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
NOTICIAS DIÁRIAS DA INFEÇÃO
27 JAN 2021
Profissionais, residentes e utentes em Estruturas
Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e instituições similares;
Profissionais e utentes da Rede Nacional de Cuidados
Continuados Integrados;
Pessoas com > 80 anos
Pessoas de idade >ou = 50 anos, com pelo menos uma
das seguintes patologias: Insuficiência cardíaca, Doença coronária,
Insuficiência renal, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica ou Doença respiratória
crónica com suporte ventilatório ou oxigenoterapia
Profissionais Forças Armadas e de segurança,
bombeiros, serviços críticos, titulares de orgãos de soberania e altas
entidades públicas
fase 2 - Pessoas com mais de 65 anos não vacinados
anteriormente
Pessoas entre os 50 e 64 anos com patologias como
Diabetes, HTA, Insuficiência hepática, doença renal crónica, Obesidade, Doença
maligna ativa
fase 3 - restante população elegível
Como se vê os critérios de uma certa prioridade definidos (sempre discutíveis!) abordavam aspetos importantes como o Risco da Exposição e Letalidade, a Idade, a Relevância Social, a Defesa da Comunidade, das Instituições, dos Serviços Públicos. Conclusâo: nada a apontar.
O que se dispensaria era o triste episódio da criação artificial de "privilegiados" assim denunciados como se vacinar em janeiro, fevereiro ou março fosse um seguro de vida com apólices cada vez mais caras. Ou um saldo a necessitar de corrida às lojas. Haja vergonha. E desconfio muito dos altruísmos publicamente proclamados de quem diz dar lugar na fila da vacinação a outros que lhe vem atrás.
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
NOTICIAS DIÁRIAS DA INFEÇÃO
26 JAN 2021
1) Os concelhos do
País com maior incidência de casos por 100 mil habitantes são hoje Aguiar da
Beira, Cuba, Figueira de Castelo Rodrigo, Alter do Chão, Fornos de Algodres. Concelhos
do Interior, rurais, envelhecidos, pobres, despovoados, com forte emigração, com
retaguarda familiar reduzida, respostas assistenciais na saúde minimizadas,
incluindo um apoio social insuficiente. Dirão alguns, simplisticamente, que
serão numericamente poucos. Mas pergunto, por isso mesmo, não seriam mais
evitáveis? O número de mortos por 100 mil habitantes nestes concelhos também
deve acompanhar esta tendência.
Que conclusões:
Não tendo sido a causa
o contacto social ou comportamentos de risco, conclui-se que não tem sido feito
o diagnóstico precoce da infecção , interrompidas as cadeias de transmissão,
tratados com oportunidade os casos potencialmente graves. E aqui pergunta-se:
Que medidas excepcionais
tomaram os agentes do Estado, nomeadamente as autoridades regionais de saúde,
nos lares e fora dos lares, para suster a infecção? O protagonismo deste
combate tem sido dos autarcas, em vez de ser das autoridades de saúde e do
Poder Central. As ARS das regiões (Beira Interior, Alentejo…) deveriam tomar
medidas expeditas, excepcionais, de EMERGÊNCIA, mobilizando recursos e
disponibilidades para salvar o que pode ser salvo. Mas salvo melhor opinião, eles estão nos gabinetes, escondidos e
acobardados atrás dos emails e dos computadores.
OS Cuidados de Saúde
Primários devem ocupar, juntamente com os autarcas, a GNR, a Segurança Social, e
a sociedade civil, a primeira linha de combate da COVID nos meios rurais.
Assim não vamos lá….
CR
