um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

a propósito da recusa da cedência de instalações públicas por parte da Junta de Freguesia de Lordelo- Paredes

 Exmos. Senhores

CDU – Coligação Democrática Unitária - Porto,

 No seguimento da V/ comunicação de 9 de janeiro, bem como de comunicação da Junta de Freguesia de 10 de janeiro, e por delegação do Secretário da Comissão, comunico a V. Exas. que, na reunião plenária de 11 de janeiro p.p., desta Comissão, foi tomada a seguinte deliberação:

«A Comissão reafirma que as entidades públicas devem providenciar no sentido de ceder os espaços que gerem às candidaturas que manifestem interesse na sua utilização para efeitos de campanha eleitoral, não colhendo a argumentação aduzida pelo Presidente da Junta de Freguesia de Lordelo e, por isso, considera censurável o seu comportamento que configurou um claro desrespeito pela orientação que lhe foi transmitida pela entidade competente.

Acresce que a eventual cedência do mesmo espaço a outras candidaturas no âmbito do mesmo processo eleitoral é suscetível de configurar violação do dever de imparcialidade previsto no artigo 57.º e punido no artigo 129.º da Lei Eleitoral da Assembleia da República.».

Com os melhores cumprimentos,

 Ilda Rodrigues

Coordenadora dos Serviços

 Comissão Nacional de Eleições

Av. D. Carlos I, n.º 134, 5.º - 1200-651 Lisboa

Tef: +351 213923800 • Fax: +351 213953543

site: www.cne.pt • e-mail: cne@cne.pt


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

um bom exemplo


 

 O município de Lousada e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) assinaram, esta terça-feira, dia 14 de dezembro, um acordo coletivo de empregador público para todos os funcionários da Câmara Municipal.

No total, serão cerca de 784 trabalhadores (sindicalizados ou não) abrangidos pelas medidas que entrarão em vigor em janeiro de 2022 e que significam “o regresso dos direitos que foram retirados aos trabalhadores no tempo da Troika”, explica António Ferreira, dirigente do STAL (CGTP).

 

Entre as alterações, as entidades envolvidas destacaram, no momento da assinatura do acordo, os dias de férias - que passam de 22 para 25, desde que haja uma avaliação positiva de desempenho -, o limite de trabalho suplementar que passa de 150 para 200 horas e a redução do período experimental.


sábado, 6 de novembro de 2021

DA HISTÓRIA

 O DEPUTADO MUDO E O JOVEM GOMES DA SILVA

Guardo densa memória daquela visita à União Soviética.

Admito que, se houvesse participado de uma delegação similar, Kafka teria escrito um conto fantástico inspirado pelos seus pequenos e estranhos incidentes.

Foi no ano 91. Retribuíamos a vinda a Portugal de uma delegação do Soviete Supremo. A URSS tinha entrado em agonia. Os parlamentares soviéticos tais coisas disseram durante um jantar em Lisboa que o deputado Guilherme Silva pelo PSD, fascinado, condensou o seu apreço num comentário: «Verifico com satisfação que os senhores deputados da URSS estão mais próximos ideologicamente do PSD do que das ideias dos deputados Odete Santos e Miguel Urbano, presentes nesta mesa»

Eramos seis na delegação da AR que meses depois visitou o país de Lenine: os deputados Sottomayor Cardia e Manuel Alegre do PS, eu pelo PCP, e três representantes do PSD: Pedro Roseta, o jovem Rui Gomes da Silva e um cidadão cujo nome não recordo, eleito pelo Algarve. Dele se sabia somente que estava ligado à Construção Civil. Tinha, como parlamentar, a vocação da mudez. Nunca lhe ouvi a voz no plenário de S. Bento.

Pedro Roseta, que chefiava a delegação, temia os seus dois correligionários. Inteligente e culto, receava os efeitos da verborreia de um e da eventual ruptura do silêncio do outro.

A primeira situação kafkiana ocorreu em Leninegrado durante um almoço oferecido à delegação pelo Presidente da Câmara da cidade.

Interrompendo uma fala da tradutora que enaltecia a sabedoria militar do defunto czar Nicolau II, o deputado mudo formulou uma pergunta algo embaraçosa: «quando custa em média em Leninegrado _ indagou­ _ o metro quadrado de terreno? Sou construtor e gostaria de saber.»

O alcaide, gorbatcheviano militante, hesitou, inquieto. Não quis explicar que, sendo a URSS um país socialista, os solos eram bem público, não estando a venda. Numa resposta enovelada afirmou que o problema da construção estava em debate e que os terrenos ainda não podiam ser adquiridos.

Inconformado e surpreendido, o parlamentar construtor insistiu:

«Sim, mas, por favor, faça um cálculo. Em média qual o valor do metro quadrado?»

O Presidente da Câmara, não querendo desagradar ao empresário, atirou para o ar, em rublos, um número inventado no momento.

O deputado silencioso puxou da calculadora, fez a conversão, e comentou:

«Incrível. É baratíssimo. Por esse preço, se me autorizassem, comprava um bairro inteiro de Leninegrado para construir prédios».

A atmosfera do almoço mudou a partir desse desabafo. A intérprete traduziu com entusiasmo. O deputado construtor logo passou a receber demonstrações de apreço excepcionais. Dirigiram-se-lhe como a um Rockefeller lusitano. O resto da delegação foi ignorado.

Dias depois, em Samarcanda, no Uzbequistão, durante a visita a uma fábrica de tapetes, o deputado mudo voltou a falar. Quis saber o custo do metro quadrado das peças expostas. Informado de que dependia da qualidade, anotou os preços e comentou sorridente:

«É tudo praticamente de graça. Pena que não possa levar um carregamento no avião da Aeroflot»  

O director da fábrica deu algumas ordens secas e minutos depois surgiram funcionários carregados, e montes de tapetes orientais, magníficos, foram desdobrados na sala, envolvendo o deputado. O homem quase se assustou. Fez-me pensar em personagens das Mil e Uma Noites.

Do então jovem Rui Gomes da Silva­ _ de cuja existência eu tomara conhecimento quando caiu do ar, em nevoento episódio, com um avião vindo da Jamba do Savimbi em companhia do filho de Mário Soares_ a lembrança mais forte, impagável, que conservo é a de uma conversa no Hotel Moskva , onde estávamos hospedados.

Uma manhã abordou-me para fazer uma confissão e pedir um conselho.

Vinha de cenho franzido.

«Trata-se de uma questão delicada_ esclareceu. Trouxe uma mala cheia de coisas que pretendo desfazer-me e não sei como…»

Sugeri que fosse um pouco mais preciso.

«Não quero jogar tudo no cesto dos papéis e não sei como destruir aquilo»

«Oh homem, mas de que se trata afinal?«

Gomes da Silva pousou em mim um olhar vazio e a confissão chegou, tímida, em voz baixa:

«Estamos a comer estupendamente. Eles oferecem-nos banquetes pantagruélicos. Foi uma surpresa para mim. Na mala eu trouxe uma montanha de pacotes de bolachas portuguesas. Foi conselho de amigos do meu partido. Disseram-me que ia passar fome na Rússia…»

Hoje é ministro.  

MIGUEL URBANO RODRIGUES

 

 

 

 

domingo, 31 de outubro de 2021

texto

 

CARTA ABERTA COM VÁRIOS DESTINATÁRIOS

Um dos temas que mais me sensibiliza e mobiliza atualmente é a defesa do património monumental existente, alvo do desgaste do tempo, e da incúria da ação dos homens. Dentro de vários exemplos prontos a citar estará sempre a igreja de S. Pedro de Cete, também chamado de Mosteiro de Cete.

Oportunamente no mês de setembro tive a oportunidade de o fazer sentir, entregando em mão uma Carta Aberta a alguém responsável. Transcrevo partes:

“Carta ao Excelentíssimo e Meritíssimo Bispo do Porto D. Manuel Linda

Aproveitando a presença de Sua Excelência no Concelho de Paredes e na freguesia de Parada de Todeia, em cerimónia de inauguração de obras de requalificação e de homenagem a uma figura ilustre da terra e antigo Bispo do Porto, D. António Barbosa Leão, gostaria, se me permite, de lhe expor a situação do património histórico, cultural e religioso da vizinha freguesia de Cete.

É na Vila de Cete que se situa, como sabe, o Mosteiro S. Pedro de Cete, edifício milenar prenhe de significado e tradição, e a Capela e Cruzeiro da Senhora do Vale, monumentos simbólicos do Românico. Certamente não é estranho a Sua Excelência o valor patrimonial e histórico destes edifícios. Identifico porém neles a necessidade de uma fruição mais ampla que sem descurar ser e continuar a ser local de prática religiosa, poder, se devidamente reabilitados, ser referência cultural e pedagógica, cenário de eventos culturais e local de visita.

Para isso, é fundamental que a comunidade católica local e a hierarquia que Vossa Excelência muito justamente representa, possam mostrar abertura a passos nesse sentido. O Mosteiro de S. Pedro de Cete, por exemplo, necessita de intervenções no seu interior e no seu exterior, que lhe dêem dignidade e funcionalidade. Para esse efeito são necessárias negociações e uma proposta comum, que envolva (e obtenha o acordo) do Estado (através do IPPAR e Rota do Românico), da Câmara Municipal de Paredes, da Junta de Freguesia de Cete, da Diocese do Porto e de Particulares.

…ouso expor este desejo. Desejo este que estou certo é o de muitos cetenses, que aspiram poder continuar a defender o legado dos seus antepassados.

Com respeito, estima e consideração”

Não obtive até à data qualquer resposta. Tal não me causa admiração. Igualmente não sinto qualquer interesse particular por parte de entidades pública e da maioria dos autarcas. Serão outros  os temas da atualidade, serão outros os desígnios terrenos e extraterrenos.

Contudo, não sinto ser este o momento de me calar ou desistir.

CR

 


L'Internationale - Une version fantastique!

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

O NOVO MUNDO


 O Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) obteve cerca de 19% dos votos nas eleições legislativas realizadas entre os dias 17 e 19 de setembro de 2021, melhorando o seu resultado em relação a 2016, tanto em número de votos como em percentagem (em cerca de 5%). Os comunistas reforçaram a sua oposição enquanto segunda força mais votada na Duma Estatal, a câmara baixa da Assembleia Federal da Rússia (Parlamento). O Partido do presidente Vladimir Putin (Russia Unida) venceu as eleições com 49,8% dos votos, elegendo em listas partidárias e círculos uninominais 324 de 450 lugares. 

Os comunistas na Rússia são vítimas de fraudes digitais do Poder, de ataques sistemáticos, censura, manipulações grosseiras anticomunistas e estratégias de pressão, cerco e ingerência vindas do exterior que favorecem a oligarquia instalada no Kremlin. São portanto muito significativos estes avanços eleitorais.