um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda
segunda-feira, 31 de março de 2025
quinta-feira, 13 de março de 2025
terça-feira, 4 de março de 2025
retirado do baú, escrito há 30 anos
ARTES
E MANHAS N.º111
A recente homenagem
promovida pela Câmara de Paredes a jovens personalidades, nascidas ou vivendo
no concelho, no dia da comemoração do 5.º Aniversário da elevação de Paredes a
cidade, é um gesto simbólico rico em conteúdo.
Tal como é referido
em brochura distribuída contendo a biografia de cada um dos homenageados, há
que reconhecer e glorificar dotes e actividades e apontar exemplos vivos de
generosidade a toda a sociedade.
Sem dúvida que há
jovens que na sua área específica de intervenção tiveram e têm um destaque
importante, fruto, em primeiro lugar, do seu esforço, dedicação e persistência.
Na escalada para o sucesso tiveram necessariamente o apoio de uma mão amiga, do
treinador dedicado, do professor empenhado, do chefe perspicaz, da família
compreensiva, do amigo entusiasta. Não desconheço também que por vezes a sorte,
a oportunidade, a ocasião única, dão uma contribuição importante para o brilho
do sucesso.
Indiscutivelmente há
muitos jovens cujas potencialidades de crescimento e realização esbarram com a
inexistência de apoio, de compreensão das suas necessidades, de ajuda na
difícil procura da sua vocação. Esses nunca serão homenageados, nunca sentirão
como justa e sua a homenagem da Câmara Municipal. Porventura apreciarão os
feitos dos outros, tornar-se-ão os seus mais fervorosos admiradores,
identificar-se-ão com os seus êxitos (e talvez menos com os seus inêxitos). Mas
nunca vestirão a pele dos vencedores.
Deve ser dito que
restringir a notoriedade pública a quem assume a face do vencedor, a quem
assume os louros da vitória, tem riscos em uma sociedade de competição
desenfreada. Promovam-se os vencedores, prestigiem-se os não vencedores,
aqueles que não sendo primeiros se esforçam por alcançar melhores resultados.
Vem a talhe de foice
referir os homenageados ausentes, as escolas e os seus professores, por vezes
os reais incentivadores de carreiras que começam pelas bases de um ensino
democrático e pela convivência cívica.
Saliente-se
finalmente a responsabilidade indiscutível dos adultos na vivência futuro da
juventude, por exemplo na actuação de uma Comissão de Protecção de Menores, na
acção de um Pelouro da Juventude, na presença e intervenção das forças
policiais. Gostaria que futuramente também eles pudessem ser homenageados, na
sua acção perante os jovens do concelho. Porque o outro lado da situação da
juventude em Paredes é preocupante. A morte diária de jovens circulando em
veículos motorizados sem capacete regulamentar por vias sem condição, a
exposição permanente de milhares de jovens inseguros ao “sucesso” e actividade
de redes de “dealers” do tráfico e consumo de droga, a falta de seriedade e de
estratégia de adultos preocupados só com o sucesso imediato. Há que observar a
árvore sem descurar a floresta. Ainda que as árvores existentes em Paredes
sejam frondosas e gostosas.
Cristiano Ribeiro
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025
quarta-feira, 7 de agosto de 2024
domingo, 23 de junho de 2024
TEXTO
INICIATIVA DE "PAZ" EM TURISMO RURAL ALPINO
A Cimeira da Paz na Ucrânia realizada na
estância turística suíça foi a meu ver um fiasco previsível, atendendo às
circunstâncias e aos promotores. Foi previsível e foi lamentável. As circunstâncias
geradas incluíram o não-convite à Rússia, parte interessada, a ausência da
grande maioria dos países da ONU convidados (cerca de 160), o baixo nível da
representação de algumas delegações presentes, como a dos EUA, e o propósito
não escondido de prolongar a guerra. Da reunião, de positivo, ficaram só
imagens da bela paisagem rural local.
As conclusões estavam há muito pré-determinadas, sendo portanto resultado de uma manobra hipócrita das chancelarias ocidentais, com o beneplácito da Presidência Suíça, que se comportou como o cachorrinho merecedor de umas festinhas na testa…
Alguém afirmou que a realidade atual, do campo de batalha, neste junho de 2024, teria sacrificado as perspectivas iniciais. Talvez. É difícil antever uma vitória ocidental no espaço da Ucrânia. Mas não só.
A verdadeira Paz não passa pelo discurso simplista ou maniqueísta, devê-lo-iam saber todos. E nesse particular, a anfitriã Suíça, a neutral Suiça, desperdiçou um património anterior de autonomia estratégica e resvalou decididamente para a inutilidade diplomática. A recusa da paz negociada entre a Rússia e a Ucrânia não abre qualquer porta. A alternativa é a continuação da guerra, que não interessa a ninguém e especialmente à Ucrânia.
Dos líderes
ocidentais presentes, lamentavelmente só distinguiria Meloni, a Primeira-ministra
italiana, não por ser personalidade apresentável, mas por ser a única com
presente e algum futuro imediato. Os restantes, da Alemanha, França, Grã-Bretanha,
Canadá, Japão e Estados Unidos, são velhos poltrões, desprezados nos seus países,
com porta de saída da vida pública anunciada.
Das decisões desse
conclave, como se viu, nada ficará para a História. A encenação foi canhestra.
A fotografia oficial é elucidativa do compromisso (tal como a fotografia)
distante atingido. Até Portugal apareceu, em bicos dos pés, dando uma
verdadeira dimensão liliputiana da sua influência.
Apesar desta Cimeira ser uma inconsequente apreciação da guerra, sem estudo das
causas, das dinâmicas, sem avaliação das capacidades, numa apreciação unilateral
e no caso irrealista, desprezando o essencial, a paz é possível e desejável. A
Rússia, as comunidades russas existentes, no interior e no exterior, só pararão
quando virem respeitados os seus interesses vitais, a segurança colectiva
regional. A NATO e a Ordem Internacional vigente já o deveriam saber. Estender
armas nucleares para a fronteira russa é suicídio anunciado.
A guerra que nunca
deveria ter começado deve acabar.
CR