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quinta-feira, 29 de março de 2018
quarta-feira, 21 de março de 2018
Intervenção Parlamentar
Projeto
de Resolução n.º 1421/XIII/3.ª, apresentado pelo Grupo Parlamentar do PCP na
Assembleia da República
Recomenda
ao Governo medidas urgentes para a requalificação da Escola Básica e Secundária
de Rebordosa (Paredes)
Exposição
de Motivos
I
A Escola Básica e
Secundária de Rebordosa é uma das 7 escolas que integram o Agrupamento de
Escolas de Vilela, no concelho de Paredes.
Esta escola, com mais
de 30 anos, nunca foi intervencionada e o seu estado de degradação tem-se
acentuado significativamente.
Em visita recente à
Escola Básica e Secundária de Rebordosa, o PCP constatou a necessidade premente
de obras de requalificação que garanta as condições adequadas para que os
alunos possam frequentar a escola e aos professores, assistentes operacionais e
outros profissionais de Educação as condições para que possam cumprir as suas funções.
Nesta visita tomamos
conhecimento de um alargado conjunto de problemas sentidos na escola que exigem
uma intervenção efetiva do Governo para a sua resolução.
A cantina da escola
tem infiltrações que, neste momento, significam que chove lá dentro, estando a
zona onde tal ocorre sem mesas para refeição e com baldes e plásticos a
“amparar” a água que cai no interior. Os problemas de infiltração não se
limitam à cantina, estendendo-se à biblioteca (contígua à cantina), que também
tem baldes espalhados pelo espaço, tendo havido mesmo necessidade de retirar equipamento
informático do local onde estava para impedir o seu estrago com a água que caía
no local.
Tendo tido
conhecimento que o processo de impermeabilização da cantina estará já em
andamento, desconhecem-se as datas concretas de início da obra e do seu fim,
pelo que os alunos não sabem quanto mais tempo terão que comer numa cantina em
que chove. Na opinião do Grupo Parlamentar do PCP é imperativo que exista um
compromisso quanto à calendarização desta intervenção.
Um outro problema
profundamente sentido na escola está relacionado com o Pavilhão Gimnodesportivo
que nunca teve qualquer intervenção desde a sua construção. O piso deste
pavilhão é em madeira, encontra-se “aos remendos” e a sua degradação pode
colocar em risco a segurança dos alunos quando praticam Educação Física. A
possibilidade de acidentes no decorrer das aulas é muito forte e o risco de
acidentes com alguma gravidade é real. É urgente proceder à substituição do
piso do Pavilhão Gimnodesportivo, não se adiando esta intervenção para o
momento em que um acidente grave venha a ocorrer – seja com um aluno, um
professor ou outro profissional da escola, seja com pessoas daquela região que
utilizam este pavilhão, uma vez que este é um espaço aberto à comunidade local.
Não é uma opção adiar a intervenção no piso deste espaço desportivo. É, aliás,
urgente, calendarizar e concretizar as obras neste âmbito, sem prejuízo de uma
avaliação quanto a outras obras de requalificação que possam ser necessárias no
Pavilhão Gimnodesportivo.
Sendo estes os dois
problemas que exigem uma urgente resposta, foram também identificados outros
problemas que merecem preocupação por parte do Grupo Parlamentar do PCP,
considerando as suas consequências para os alunos e os profissionais da Escola
Básica e Secundária de Rebordosa.
Esta é uma das
escolas que tem amianto e na qual não está prevista nenhuma ação para a sua
remoção. O PCP tem intervindo em diversos momentos defendendo a necessidade do
Governo cumprir as suas responsabilidades nesta matéria e de serem tomadas as
medidas necessárias para a identificação de todas as escolas com amianto e para
a sua remoção. Entendemos que o Governo tem que avaliar a situação existente na
Escola Básica e Secundária de Rebordosa e planificar, calendarizar e
concretizar a remoção do fibrocimento e dos materiais de construção contendo
amianto.
Importa acrescentar
que esta é uma escola que está subdimensionada para os alunos que tem. Sendo
uma escola de tipologia 18, a verdade é que tem 30 turmas e, considerando a
carência de espaço, recorreu-se à colocação de monoblocos (contentores) onde
decorrem aulas, bem como há alunos que se deslocam para a Escola do 1.º Ciclo
próxima da Escola Básica e Secundária de Rebordosa para terem as aulas devidas.
Importa encontrar uma solução definitiva para esta situação, que elimine o
recurso a contentores (que, tendencialmente, se têm eternizado em espaços
escolares) e que elimine a necessidade de recurso a uma Escola Básica do 1º
Ciclo para que existam salas de aula em número suficiente para os alunos desta
escola. Entendemos que a solução passa por criar as necessárias condições
físicas no espaço da escola (por exemplo, construção de segundos pisos nos
blocos) para que os alunos possam frequentar, em condições de dignidade, este
estabelecimento escolar.
Reforça esta
necessidade o facto desta escola ter mais de 70 alunos com necessidades
educativas especiais (NEE), tendo uma unidade de ensino estruturado cujo espaço
disponível não responde às necessidades dos jovens com NEE’s, designadamente
com perturbações do espectro do autismo. Importa, por isso, que o Governo
intervenha para garantir um espaço com as devidas condições para estes jovens e
para os profissionais que os acompanham, bem como para reforçar os meios
humanos, materiais e pedagógicos que respondam efetivamente às necessidades e
às caraterísticas destes jovens.
Acresce aos problemas já identificados a
carência de profissionais, nomeadamente assistentes operacionais e situações de
precariedade, designadamente dos dois psicólogos do Agrupamento de Escolas de
Vilela que têm a seu cargo os mais de 2.400 alunos deste agrupamento.
Importa que se tomem
medidas para o reforço dos assistentes operacionais, tendo em conta as
necessidades do Agrupamento, a sua dimensão e características das crianças e
jovens que o frequentam. Importa ainda que se encontrem medidas para uma célere
substituição dos assistentes operacionais que, temporariamente, estão
impossibilitados de trabalhar.
II
A Escola Básica e Secundária
de Rebordosa tem vários problemas cujo adiamento da sua resolução coloca em
causa o seu funcionamento com qualidade e em condições de dignidade,
prejudicando profundamente os alunos e os profissionais desta escola.
Entendemos que o
Governo não pode transferir as suas responsabilidades para outros. A
responsabilidade de garantir condições dignas nas escolas públicas, seja nas
intervenções de requalificação dos edificados é, primeiramente do Estado, no
reforço de meios humanos, materiais e pedagógicos efetivamente adequados às
necessidades, para assim cumprir as suas funções sociais garantir o direito a
uma escola pública, gratuita, de qualidade e inclusiva.
Assim,
nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição e da alínea b) do n.º 1
do artigo 4.º do Regimento, os Deputados do Grupo Parlamentar do PCP propõem
que a Assembleia da República adote a seguinte
Resolução
A Assembleia da República resolve, nos termos
do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, recomendar ao Governo que:
1. Tome as medidas
necessárias para a conclusão do processo de impermeabilização da cantina da
Escola Básica e Secundária de Rebordosa, calendarizando o início e o fim das
respetivas obras;
2. Tome medidas
urgentes para a substituição do piso do Pavilhão Gimnodesportivo, calendarizando
o processo e identificando as datas de início e de fim das obras no pavilhão;
3. Avalie a
necessidade de outras obras de intervenção no Pavilhão Gimnodesportivo,
planificando as mesmas;
4. Proceda à
avaliação da situação do amianto na escola, tomando as necessárias medidas para
a sua remoção urgente;
5. Aumente o número
de salas de aula dentro do perímetro da escola;
6. Tome as medidas
necessárias para melhorar as condições físicas e reforçar os meios humanos,
materiais e pedagógicos da Unidade de Ensino Estruturado existente na escola;
7. Tome medidas para
garantir a vinculação dos profissionais de Psicologia necessários para
responder às necessidades;
8. Proceda ao reforço
de meios humanos, especialmente de assistentes operacionais e tome medidas para
maior celeridade na substituição dos mesmos.
Assembleia
da República, 14 de março de 2018
Os
Deputados,
Jorge Machado Diana
Ferreira Paula Santos Ana Mesquita António Filipe João Oliveira Carla
Cruz Paulo Sá Miguel Tiago Rita Rato João Dias
terça-feira, 13 de março de 2018
BALANÇO MUSICAL DO BLOG
Letra Z
Zaz - Je Veux
On Ira
Zeca Baleiro – A Serpente (em 2014)
Zeca Medeiros - Gosto Tanto De Ti
Que Até Me Prejudico
Zeca Sempre - O Que Faz Falta
Zita Swoon – Moving
Through Life As Prey
Zoe – Throing Rocks
At Demons
Zulya And Doch Gypsy
Orchestra – Kocsmaba
Zulya Kamalova – A
Tale Of Love And Death
65daysofstatic - Come To Me
4uatroAoSul- As Filhas Da Rosa
99 Posse – La Vida Que Vendra
Mai Più Lo Saró Saggio (em
2013)
We Don´t Need New Antifa Songs
10.000 Russos –
Nikolai (em 2013)
segunda-feira, 12 de março de 2018
O PCP E A EDUCAÇÃO EM PAREDES
Uma delegação do PCP constituída pela Deputada eleita pelo
Distrito do Porto Diana Ferreira, por membros da Direcção Regional do PCP e por
dirigentes concelhios visitaram a seu pedido o Agrupamento de Escolas de
Vilela, que integra nomeadamente as Secundárias de Vilela e Rebordosa.
Foram recebidos pelo Dr. Albino Pereira e outros membros da
comunidade escolar. Foi na Escola Secundária de Rebordosa que se identificaram os
problemas mais graves, nomeadamente a infiltração da água da chuva a cair do
tecto da biblioteca, o amianto em tectos e cobertos, o piso degradado do pavilhão
gimnodesportivo e a sobrelotação atual com utilização de pré-fabricados e de
uma Escola Primária devoluta.
A urgência em resolver problemas de segurança e de defesa da
saúde pública exige uma estratégia, que para além de obras de imediato,
priorize igualmente obras estruturais. Ao tomar conhecimento de contatos e
reuniões recentemente efectuadas, o PCP assinalou que considera necessário que
o governo assuma responsabilidade no edificado, construído há quase 30 anos e
não se escuse na delegação de competências na Câmara Municipal. Esta, por seu
lado, deve reivindicar sem demoras novas condições para a prática educativa e
para o sucesso educativo.
O PCP tomou a devida nota de exigências da comunidade escolar
com a existência de plataformas para o acesso de estudantes em cadeiras de
rodas, por exemplo ou com a satisfação de alunos com necessidades educativas especiais.
Os profissionais, os alunos e a comunidade do Agrupamento de Escolas
de Vilela assim o exigem.
CR
sábado, 10 de março de 2018
iniciativa do PCP
PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 1317/XIII
Plano de Emergência para o Serviço Nacional de Saúde
A situação de rutura em que se encontram
inúmeros serviços e valências do Serviço Nacional de Saúde (SNS), muito visível
nas últimas semanas resultam de insuficiências estruturais. A falta de
capacidade de resposta do SNS não é um problema de hoje, mas sim de opções
políticas de sucessivos Governos de desinvestimento no SNS, materializado no
encerramento, redução e fusão de serviços e valências e consequente redução de
camas e dos profissionais afetos, no ataque aos direitos dos trabalhadores, na
privatização e na transferência dos custos da saúde para as famílias;
particularmente agravado pelo anterior Governo PSD e CDS e que o atual Governo
PS tarda ou recusa tomar medidas eficazes para a solucionar.
A Constituição da República Portuguesa
consagra o direito à saúde para todos, independentemente das condições
económicas e sociais de cada um, cabendo ao Estado assegurar a prestação de
cuidados de saúde com qualidade e em tempo útil.
Investimento
Público na Saúde
Há anos e anos que o SNS tem sido
subfinanciado. Basta verificar as contas gerais do Estado para verificar que o
orçamento executado é superior ao orçamentado, ou quando se constata que não há
substituição dos equipamentos pesados encontrando-se hoje totalmente obsoletos
e alguns continuam a funcionar, mas sem qualquer fiabilidade dos resultados, ou
ainda quando se adia sucessivamente a realização de intervenções absolutamente
prioritárias ao nível da requalificação, ampliação de instalações e até
construção de novas unidades de saúde.
Se até 2015 o Orçamento do Serviço
Nacional de Saúde reduziu consecutivamente, em 2016 há uma inversão, fruto da
intervenção do PCP nesta fase da vida política nacional. Se é verdade que
estancou a progressiva redução do financiamento do SNS, também é verdade que o
crescimento que se tem vindo a verificar fica muito aquém das necessidades para
dar o passo quantitativo e qualitativo para reforçar a capacidade de resposta
do SNS.
A transferência do Orçamento do Estado
para o SNS em percentagem do PIB tem vindo a reduzir, atingindo somente o valor
de 4,28% do PIB em 2018.
Segundo o relatório “State of Health
in the UE, Portugal perfil de Saúde do País 2017” refere que desde 2009 até
2015 a despesa pública com a saúde desceu para o valor de 66% em 2015, ficando
muito abaixo da média da União Europeia que é de 79%. Em valores per capita
Portugal gastou 1989 euros (30% abaixo da média da União Europeia), enquanto a
média da União Europeia é de 2797 euros.
Por sua vez, os encargos das famílias
com a saúde em 2016 representam 27,4% e a despesa da Administração Central
representa 64,9%. Os encargos das famílias com a saúde aumentam quando reduz as
despesas da Administração Central com a saúde, ao mesmo tempo que tem vindo a
aumentar as despesas com seguros de saúde privados.
Promiscuidade
entre setores públicos e privados
Uma das grandes ameaças ao Serviço
Nacional de Saúde são os interesses privados que veem o setor da saúde como um
negócio e uma oportunidade de obtenção de chorudos lucros. Mais concretamente é
na doença que os grupos privados veem como oportunidade de negócio e não a
promoção da saúde. Desde a criação do Serviço Nacional de Saúde que os seus
inimigos procuram descredibilizá-lo e destruí-lo para poderem mercantilizar os
cuidados de saúde.
Nos últimos anos têm-se assistido a um
crescimento de unidades de saúde privadas e a uma progressiva transferência de
serviços e unidades de saúde para a gestão privada.
Dados do INE revelam que os atendimentos
nos serviços de urgência dos hospitais privados aumentaram 14,5% em 2015 quando
comparado com 2014, representando em 2015 15,2% do número total de atendimentos
de episódios de urgências. Regista-se que de 2005 a 2015 particamente
duplicaram os episódios de urgências nos hospitais privados. Verifica-se
igualmente o aumento das consultas médicas e de cirurgias nos hospitais
privados, representando 32,4% do total de consultas e 27% do total de cirurgias
realizadas no país.
A criação e a manutenção das atuais
parcerias público privadas na área da saúde constituem um verdadeiro sorvedouro
de recursos públicos que podiam ser investidos no SNS e que estão a alimentar
os lucros de grandes grupos económicos da saúde.
As transferências diretas do Orçamento
do Estado para as parcerias público privadas têm vindo a aumentar ano após ano,
prevendo-se que em 2018 venham a custar ao Estado 471 milhões de euros. 5,6% do
Orçamento para o Serviço Nacional de Saúde é transferido diretamente para as
parcerias público privadas e que são retirados ao Serviço Nacional de Saúde.
Tendo terminado o contrato de gestão
clínica do Hospital de Cascais, o Governo poderia e deveria ter revertido de
imediato esta parceria público privada, assumindo o Estado a gestão do
hospital. Infelizmente não foi esta a opção do Governo, tendo prorrogado por
mais dois anos o contrato. Aproximam-se igualmente o termino dos contratos com
os demais hospitais, nomeadamente Braga, Vila Franca de Xira e Loures. Esta é
uma boa oportunidade para pôr fim a este negocio ruinoso para o Estado.
Capacidade do
Serviço Nacional de Saúde
Nas últimas décadas tem-se registado uma
redução da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, quer ao nível
dos cuidados de saúde primários, quer ao nível dos cuidados hospitalares, e os
cuidados continuados continuam a ser manifestamente insuficientes.
Nos cuidados de saúde primários encerram
pelo território um número muito significativo de extensões de saúde. Dados do
Pordata indicam que em 1980 existam 2759 extensões de saúde, em 2000 existiam
1962 e em 2011 (último ano com dados disponíveis) existiam 1199. Em 31 anos o
país perdeu 1560 extensões de saúde. Hoje certamente a rede de cuidados de
saúde primários estará ainda mais reduzida.
Foram ainda encerrados serviços (como
são exemplo o encerramento dos serviços de atendimento permanente entre 2005 e
2007/2008) ou reduzidos os horários de funcionamento ao nível dos cuidados de
saúde primários, sobretudo no período noturno e aos fins de semana e feriados.
Relativamente aos cuidados hospitalares
registou-se uma regressão da sua capacidade de resposta. A criação de centros
hospitalares conduziu à redução, fusão e encerramento de inúmeros serviços e
valências. Exemplo disto são a criação de centros hospitalares no Médio Tejo,
em Coimbra, no Oeste ou em Lisboa Central. No Centro Hospitalar Lisboa Norte os
utentes e os profissionais de saúde lutam contra a destruição do Hospital
Pulido Valente.
Entre 2005 e 2015 os hospitais públicos
perderam cerca de 4500 camas, enquanto nos hospitais privados verificou-se um
aumento em cerca de 2300, segundo informação divulgada pelo INE. Este dado
revela que há uma transferência do público para o privado e que, contrariamente
à tese de que há camas a mais, o que temos é a menos. Se estivessem a mais, os
grupos económicos privados não abriam novos hospitais e não aumentavam o número
de camas. O INE revela ainda que de 2005 e 2015, o número por mil habitantes
passou de 3,6 para 3,4. A média de camas por mil habitantes na OCDE é de 4,7
(no ano de 2015), enquanto em Portugal é de 3,4, o que é revelador do nosso
atraso em relação a esta matéria.
A carência de camas é bem evidente
quando há dezenas de macas pelos corredores dos hospitais, por falta de camas
nas enfermarias.
Constata-se a quase ausência de
articulação entre os diferentes níveis de cuidados de saúde, o que introduz
dificuldades acrescidas no adequado acompanhamento dos utentes e na gestão dos
recursos públicos.
Concorre também a redução da capacidade
de resposta do Serviço Nacional de Saúde a desorganização dos serviços e com
imposição de hierarquias não reconhecidas pelos pares, o que não contribui para
aumentar a produtividade e a eficácia. Importa naturalmente estruturar os
serviços e assegurar uma hierarquização que respeite as carreiras, a
experiência e o reconhecimento pelos pares, ao mesmo tempo que esteja
comprometido com o Serviço Nacional de Saúde e tenha perspetivas para o seu
melhoramento.
Para além disto, a prestação de cuidados
de saúde está distorcida e errada ao centrar-se numa perspetiva hospitalar em
detrimento dos cuidados de saúde primários. É necessário ter uma rede
hospitalar modernizada que responda à doença aguda e aos cuidados mais
diferenciados, não é isto que está em causa. O que está em causa é a
necessidade de valorizar os cuidados de saúde primários, verdadeiramente de
proximidade, e que todos os utentes tenham acesso. Cuidados de saúde primários
valorizados conseguem resolver a maioria das necessidades de saúde dos utentes,
libertando as unidades hospitalares para o que é diferenciado.
Os cuidados de saúde primários têm ainda
um papel fundamental na promoção da saúde, que com o investimento adequado
contribuiriam em muito para melhorar a saúde dos utentes. Nesta perspetiva, os
cuidados de saúde primários deveriam alargar as suas valências no âmbito da
saúde oral, saúde visual, saúde mental, reabilitação, entre outras.
Situação dos
profissionais de Saúde
Atacar os direitos e as condições de
trabalho dos profissionais de saúde tem sido opção de sucessivos Governos para
desmantelar o SNS. Sem profissionais devidamente valorizados e reconhecidos não
há SNS
PSD e CDS no Governo agravaram bastante
a situação dos profissionais de saúde, de tal forma que muitos sentindo-se
desmotivados e profundamente desvalorizados abandonaram precocemente o Serviço
Nacional de Saúde, seja por aposentação ou porque optaram por exercer funções
em entidades privadas ou mesmo fora do país. Uma política que levou ao
estrangulamento de inúmeros serviços dada a enorme carência de trabalhadores,
que atingiu o número mais baixo em 2014 com pouco mais de 124 mil
trabalhadores.
Esta realidade configura uma dupla perda
para o Serviço Nacional de Saúde, por um lado ficou com um reduzido número de
trabalhadores, por outro lado perdeu-se bastante conhecimento, dado que muitos
dos profissionais que abandonaram o SNS tinham uma enorme experiência e
conhecimento da prática clínica que não foi transmitida aos mais novos.
Apesar da reposição dos salários
roubados, da implementação do horário das 35 horas (ainda que não abranja todos
os profissionais de saúde que exercem funções), a reposição das horas de
qualidade e o reforço de profissionais de saúde em algumas carreiras, persistem
inúmeras carências e problemas que exigem resposta.
Há falta de médicos, de enfermeiros, de
técnicos superiores de saúde e de diagnóstico e terapêutica, de assistentes
técnicos e operacionais. Não há valorização das carreiras, nem do
desenvolvimento profissional. Há quase um milhão de utentes sem médico de
família e o enfermeiro de família continua a não estar implementado.
Dados de 2015 da União Europeia indicam
que Portugal tem mais médicos por mil habitantes (4,6) do que a média da União
Europeia (3,5), mas porque são contabilizados todos os médicos inscritos na
Ordem dos Médicos (mesmo que não estejam no exercício de funções)
independentemente onde exercem funções, nos quais se incluem os médicos
internos em formação médica especializada, mas se tivermos em conta somente os
médicos que exercem funções no SNS, há 2,7 médicos por mil habitantes. Quanto
ao número de enfermeiros por mil habitantes, Portugal regista um número muito
inferior à União Europeia, com 6,3, enquanto a média da União Europeia é de
8,4.
Muitos profissionais de saúde ponderam
nem sequer vir a integrar o Serviço Nacional de Saúde, porque não há garantia
de valorização e de reconhecimento do seu trabalho. O plano de vida de muitos
jovens médicos não passa pelo SNS.
Dada a enorme carência de trabalhadores,
há trabalhadores que finda a sua jornada de trabalho continuam ao serviço
porque não são rendidos, continuam a existir vínculos laborais precários e o
recurso à subcontratação de empresas de trabalho temporário.
Acessibilidade
dos utentes à saúde
As consequências da atual situação do
SNS são muito sentidas pelos utentes no acesso à saúde. Persistem dificuldades
no acesso aos cuidados de saúde.
Se há carência de profissionais de
saúde, se houve redução de serviços e valências, não é de estranhar que haja
elevados tempos de espera para consultas, cirurgias, exames e tratamentos como
os que se registam.
Se há utentes sem médico de família não
é de estranhar que não estejam a ser acompanhados de forma adequada. Continuam
a existir situações em que os utentes para conseguirem uma consulta vão de
madrugada para a porta do centro de saúde, para assegurar um lugar numa fila de
espera e no final podem não ter consulta e ter de regressar noutro dia para o
mesmo martírio.
As dificuldades financeiras continuam a
constituir um obstáculo no acesso à saúde pelos utentes. Não faltam estudos a
referir que as pessoas com menores rendimentos têm pior saúde e têm menor
acesso aos cuidados de saúde.
Garantir o transporte de doentes não
urgentes a todos aqueles que dele necessitam para aceder aos cuidados de saúde
a que têm direito é fundamental. Apesar da introdução de alterações positivas,
há ainda muitos utentes que se veem impedidos de aceder aos cuidados de saúde
porque não lhes é assegurado o transporte de doentes não urgentes.
Nesta Legislatura foi possível reduzir o
valor das taxas moderadoras e alargar a isenção a mais utentes, mas ainda está
muito longe do que seria necessário. Poder-se-ia e dever-se-ia ter avançado
mais na progressiva redução até à eliminação total das taxas moderadoras. As
taxas moderadoras continuam a ser um impedimento no acesso aos cuidados de
saúde.
Embora já com a introdução de mutilações
que alterar o espírito constitucional de 1976, a Constituição da República
Portuguesa considera a saúde um direito de todos os cidadãos e que deve ser
tendencialmente gratuito, a realidade é que a saúde pesa muito nas despesas das
famílias.
Reforço do
Serviço Nacional de Saúde
A garantia do direito à saúde a todos os
utentes, independentemente das condições económicas e sociais, passa pela valorização
e reforço do Serviço Nacional de Saúde. Não com a adoção de medidas pontuais e
circunstanciais, mas sim pela adoção de medidas estruturais que permitam
reforçar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde em todos o
território.
A situação do Serviço Nacional de Saúde
já descrito exige a implementação de um plano de emergência, no qual conste o
adequado financiamento do Serviço Nacional de Saúde, a contratação dos
profissionais de saúde em falta e a garantia dos seus direitos, o reforço os
serviços e valências ao nível dos cuidados de saúde primários e dos serviços
hospitalares, a reversão das parcerias público privadas e a garantia da
acessibilidade dos utentes aos cuidados de saúde a que têm direito.
Assim, tendo em consideração o acima
exposto, e ao abrigo da alínea b) do n.º 1 do Artigo 4.º do Regimento, os
Deputados abaixo assinados do Grupo Parlamentar do PCP apresentam a seguinte
Resolução
A Assembleia da República, nos termos do
n.º 5 do Artigo 166.º da Constituição, recomenda ao Governo a implementação de
um Plano de Emergência para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para dotá-lo dos
meios humanos, técnicos e financeiros necessários para assegurar o acesso de
todos os utentes aos cuidados de saúde a que têm direito, e no qual constem as
seguintes medidas:
1. A
dotação de cada unidade de saúde dos recursos orçamentais adequados às
necessidades da população e considerando a modernização dos equipamentos e o
alargamento da capacidade da resposta pública, bem como a melhoria da organização
dos serviços;
2. Reforço
do investimento público, em particular quanto à requalificação e construção de
centros de saúde e de hospitais, especialmente dos hospitais de Évora, Seixal e
Sintra (com a capacidade adequada para responder às necessidades da população)
avançando rapidamente com os procedimentos necessários para a sua
concretização;
3. Reverter
as parcerias público privadas e assegurar a gestão pública desses
estabelecimentos de saúde, pondo fim à promiscuidade entre público e privado;
4. Identificar
as carências de médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes técnicos e
operacionais e proceder à sua contratação e substituir as subcontratações e
vínculos precários por contratações com vínculo público efetivo, como prevê o
Orçamento do Estado para 2018;
5. Valorizar
os profissionais de saúde no plano social, profissional e remuneratório,
através da melhoria das condições de trabalho, reposição de direitos e
dignificação das carreiras;
6. Atribuir
médico de família a todos os utentes na perspetiva de encontrar uma solução
definitiva até ao final da Legislatura, estabelecer um plano para progressiva
redução do número de utentes por médico de família e implementar o enfermeiro
de família;
7. Valorizar
e alargar as valências dos cuidados de saúde primários, incluindo de meios
complementares de diagnóstico e terapêutica mais comumente utilizados (que
obedeça a um planeamento a nível nacional) e reabrir unidades de proximidade
encerradas, considerando as necessidades de saúde, mas tendo igualmente em
conta as especificidades da população e do território;
8. Avançar
com a reorganização da rede hospitalar, na perspetiva de reforço de serviço e
valências e do número de camas de agudos, em articulação com os cuidados de
saúde primários e continuados, otimizando os recursos públicos e tendo em
consideração as necessidades dos utentes;
9. Tomar
medidas concretas para a redução dos tempos de espera para consultas,
cirurgias, tratamentos e exames de diagnóstico e terapêutica, assegurando a
qualidade dos cuidados de saúde prestados em tempo útil, assim como a segurança
dos utentes;
10. Revogar
as taxas moderadoras e garantir o transporte de doentes não urgentes a todos os
utentes que dele necessite para aceder aos cuidados de saúde.
quarta-feira, 7 de março de 2018
DIÁLOGOS ESCLARECEDORES (OU IR Á TOSQUIA E SAIR TOSQUIADO)
Retirado do meu facebook
“O Sr. Dr. também deveria ter ficado
indignado quando a Administração desse Hospital nomeada num Governo de José
Sócrates entregou os parques interiores a uma empresa privada com preços bem
elevados, e os terrenos tinham sido pagos pelos Penafidelenses e entregues para
construção do hospital… não vi tal indignação…”
“Não viu porque não
quis ver! Fui certamente a primeira pessoa a intervir sobre o assunto em
artigos de jornal, em intervenção na AM de Paredes. Portando, falsidades e
lama, Nāo! Exijo respeito, aqui!”
Falsidades não Sr.Dr. são verdades como
sabe estamos em Penafiel e eu sou Penafidelense não acompanho o que se passa
nas AM de Paredes.
Mas em 20 de abril de 2013 a CDU
através de mim apresentou uma moção na AM Paredes sobre "pagamento do
estacionamento parques internos do HPA", assinada depois por todos os partidos,
e votada por unanimidade. Depois de um preâmbulo concluía a moção com
"denunciar em nome das populações residentes no concelho de Paredes e
utentes do HPA, o pagamento de estacionamento do HPA, em tudo contrário á
satisfação e interesses dos utentes" .Mais: em maio de 2013, sobre
este mesmo tema publiquei em O Progresso de Paredes um texto intitulado "A
ofensiva da troika na região". Portanto, sr. Monteiro, sobre falsidades e
indignações, posições no passado e no presente, sobre coerências, estamos conversados.
Ponto Final.
segunda-feira, 5 de março de 2018
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