um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda
UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA
domingo, 30 de dezembro de 2018
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
domingo, 16 de dezembro de 2018
A LUTA DOS ENFERMEIROS E A ESQUERDA
São muito
preocupantes as posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda sobre a
chamada Greve Cirúrgica dos enfermeiros nos
blocos operatórios. E digo, com correcção, nos blocos operatórios e não dos blocos operatórios. Fico igualmente
apreensivo com a posição pública última do PCP, partido em que me revejo, de
que discordo parcialmente.
Assiste-se a um frenesim
argumentativo que tem como substrato principal o medo e um opaco manto de fumo.
Não se discutem as
razões objectivas invocadas pela greve, nem o percurso da negociação das
reivindicações da greve. Como se elas não existissem, não fossem justas, não
fossem imperativas para um exercício com qualidade e motivação da profissão de
enfermagem no SNS. Como se essas reivindicações não fossem assumidas pela
generalidade dos profissionais da enfermagem e não fossem comuns à diversidade
dos sindicatos. Como se não houvesse um longo período de greves parcelares e
regionais, com resultados medíocres, uma crescente frustração nas virtualidades
dos processos de luta. Como se não houvesse uma degradação do exercício
profissional nas unidades de saúde, de recursos humanos e materiais escassos, um
subfinanciamento crónico, carreiras de progressão congeladas, de turnos
sucessivos e exponencialmente exigentes, e de um reconhecimento e prestigio sociais
pouco valorizados, licenciados a ganhar como se não o fossem, uma retribuição
remuneratória insuficiente para assegurar uma vida normal. Como se não houvesse
precaridade, fracturas familiares, emigração de licenciados da saúde,
instalações superlotadas e exíguas. Como se não existisse um interlocutor
governamental cego, de responsabilidade limitada, sem capacidade de diálogo efectivo
ou de resposta aos problemas, virado para o umbigo da auto-satisfação com os
indicadores obtidos ao longo de décadas pelo SNS. Como se não existissem
chefias intermédias, expostas e sensíveis diariamente aos apelos de sereia dos
grandes negócios e da medicina privada.
Isto é profundamente
esquecido por quem se alheia das dinâmicas do sector ou delas só tem
conhecimento pelas reportagens alarmistas tipo Correio da Manhã. Mas a
Esquerda que eu defendo não é desconhecimento nem alheamento.
Nas posições públicas
de gente afirmativamente de Esquerda, ressaltam aspectos importantes como são o
direito à vida dos utentes reais, o dolo possível ou irreversível de uma greve
com estas características. Não creio ser justificado tal apreensão, atento às
obrigações da profissão, ao código deontológico dos profissionais de saúde, os
serviços mínimos decretados e legalmente aceites e o carácter multidisciplinar
das equipas de decisão operatória existentes nos 5 blocos operatórios
abrangidos pela greve. Não conheço e não foi relatado um, um só caso, de
prejuízo solidamente confirmado pela acção da greve. Daí a dúvida: que
singularidade é esta nas posições públicas de gente afirmativamente de
Esquerda, tradicionalmente defensora da luta de classes, dos direitos dos trabalhadores,
perante ESTA greve dos enfermeiros? Os enfermeiros passaram a estar no limbo
dos trabalhadores de direitos limitados? Ou dos já privilegiados, em estado de bem-estar
social? Que compromisso é este nas posições públicas de gente afirmativamente
de Esquerda com as posições imobilistas e injustas do governo, com a retórica
antigreve e anti-sindical, que atinge a barbaridade de se pedir mesmo a
requisição civil dos enfermeiros?
Nas posições públicas
de gente afirmativamente de Esquerda, ressaltam aspectos no caso menores e até
caricatos como o do assinalar quem promove a greve ou a defende. A lógica de
mobilização e organização dos trabalhadores só a estes interessa. Não é o
vulgar cidadão como eu que define se a Bastonária dos Enfermeiros, filiada no
PSD, é ou não representativa da classe ou tem uma agenda politica pessoal
oculta. Não é o vulgar cidadão como eu que define se o SEP deveria ter rompido
com as negociações ou obtido ganhos parcelares significativos para “esvaziar” o
processo de luta desencadeado por sindicatos “emergentes”. A Rita Cavaco, a
Rita Cavaco do PSD, não me interessa, sejamos claros, como agente de
transformação social. A personalização das lutas não constitui património da Esquerda.
A Direita costuma denegrir e invectivar miseravelmente Mário Nogueira quando
das lutas JUSTAS dos professores. A Esquerda não o deve fazer, em simetria, em
relação a ESTA luta dos enfermeiros.
Um outro aspecto
muito citado nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda, é o
processo de luta servir os interesses da hospitalização privada ou, de forma
indirecta, acelerar o desprestígio das instituições públicas. Há quem veja o
imediato, a ponta do nariz, sem enxergar o mais afastado. O que defende
verdadeiramente o serviço público é a existência de profissionais em numero
adequado, bem qualificados e motivados, trabalhando em condições ideias. Não há
privado concorrencial em qualidade a um SNS de referência, quer nos Cuidados de
Saúde Primários quer nos Cuidados Hospitalares mais diferenciados. E até no
processo de luta se duvida que os privados possam beneficiar da valorização dos
profissionais de Saúde, sabendo nós todos ( e com obrigação, gente afirmativamente de Esquerda) que os privados parasitam e medram nas
deficiências, nas insuficiências, e desmotivações do SNS.
Deixei para o fim, a
forma de recolha de fundos para assegurar um fundo de greve. A alguns incomoda
a forma criativa e original da organização da greve. A alguns perturba-os que o
trabalhador não cumpra o desígnio moral de perder dinheiro com uma greve. O
patronato não diria melhor…
Aquilo que o Estado
não pôde conter ou limitar, com a sua legislação, com a sua comunicação social
dominante, com a ideologia do conformismo e das inevitabilidades, é colocado lamentavelmente
na barricada da luta pelas consciências bem pensantes da Esquerda. A discursata
expressa nas posições públicas de gente afirmativamente de Esquerda assinala a
possibilidade de um financiamento por privados, enfermeiros pagos e usados, insinuando
mesmo alguns tal facto. Considero tal argumento intelectualmente e moralmente medíocre.
Á falta de dados objectivos, insinua-se. Mas os SIGIC`s e os vales cirúrgicos para utentes em lista
de espera, são o quê? E a ADSE serve para quê? Realidades para fortalecer o
SNS?
Onde está a Esquerda
da objectividade, da solidariedade, da resistência, da nova Sociedade, do
Contra-Poder?
Nota Final:
A quem possa
interessar: sou Médico, casado com uma Enfermeira, trabalhamos em exclusividade
para o SNS e contribuímos com 80 euros para o fundo de greve.
Cristiano Ribeiro
quarta-feira, 5 de dezembro de 2018
sábado, 1 de dezembro de 2018
Manifesto74: Silêncio
Manifesto74: Silêncio: Calados, caladinhos, cabeça baixa, orelhas que tapem os ouvidos, que vão falar os comunistas. Os velhos e cansados, os que desde 1921 que ...
domingo, 25 de novembro de 2018
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
dei por mim
Na sequência de tão recentes e significativos
acontecimentos como o foram a derrocada da estrada nas pedreiras de Borba e a
intervenção policial contra a greve dos portuários de Setúbal, dei por mim a
pensar: Que País é este que trata assim quem trabalha e permanece alheado da
incúria, do desleixo e da irresponsabilidade? Que Democracia é esta que não
respeita regras, Leis e princípios, e age no essencial sempre ao serviço das
classes dominantes? Que Governo é este que diz uma coisa e faz outra e nunca
rompe com os interesses instalados? Que
Justiça é esta que actua selectivamente e com delongas, embrenhada em
particularismos e superficialidades? Que Administração é esta que não
fiscaliza, não previne, não intervém com oportunidade e eficácia?
BASTA! Demitam, envergonhem, responsabilizem,
criminalizem, façam qualquer coisa! UM OUTRO 25 DE ABRIL É PRECISO!
CR
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