um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

domingo, 25 de setembro de 2022

noticias da saúde

O Hospital Garcia de Orta (HGO) e a Câmara Municipal do Seixal (CMS) assinaram, no dia 15 de setembro, o contrato de comodato de cedência da antiga Clínica Oceano, para a instalação da Unidade de Intervenção Comunitária do Seixal na área da Saúde Mental, por 25 anos.

A Unidade de Intervenção Comunitária para adultos, a funcionar atualmente na Cruz de Pau, será assim reinstalada no edifício cedido pelo Município do Seixal ao HGO. Esta mudança de instalações irá permitir modernizar e melhorar os espaços, aumentando a resposta naquele município, bem como facilitar o acesso dos utentes.

Com uma área de 318 m2, o novo edifício possibilita o aumento dos espaços dedicados a atividades de área de dia, bem como dar continuidade a consultas numa lógica de proximidade com a comunidade. Além de dar resposta às necessidades da população adulta, o novo polo irá ainda instalar a Equipa Comunitária de Saúde Mental da Infância e Adolescência, que se pretende vir a constituir.

“É prioridade do HGO melhorar e promover os acessos da população a todos os cuidados de saúde de que necessitam. Atualmente 38% do total das consultas de Psiquiatria do HGO já são realizadas na Unidade de Intervenção Comunitária do Seixal e é por isso com grande satisfação que o hospital integra este projeto, que irá contribuir para melhorar os cuidados de saúde aos nossos utentes”, afirma Teresa Machado Luciano, Presidente do Conselho de Administração do HGO.

O HGO irá realizar o projeto de reconversão e realização de obras de adaptação das instalações, bem como a aquisição de equipamento e mobiliário, num investimento superior a 920 mil euros.



sábado, 5 de março de 2022

Refrescando memórias

 

Refrescando memórias

 

Texto 

A dramática situação social, económica e política vivida atualmente na Ucrânia é indissociável dos acontecimentos que culminaram com um golpe de Estado, apoiado pelos EUA, EU e Nato, que conduziu ao poder forças de extrema-direita, abertamente neofascistas e xenófobas.

Na sequência da onda de violência e instauração de um clima de intolerância e perseguição — de que é exemplo o massacre perpetrado na Casa dos Sindicatos de Odessa —, os últimos dias tem sido marcados pela intensificação da ação repressiva do regime da oligarquia ucraniana.

A brutal campanha de repressão e perseguição levada a cabo
pelas autoridades de Kiev contra várias forças políticas e
personalidades teve novos desenvolvimentos com desencadear de um processo de ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia e com a aprovação, no passado dia 22 de Julho, da alteração do regulamento do Parlamento Ucraniano com vista a liquidação do grupo parlamentar deste partido.Estas decisões das autoridades ucranianas atestam bem o carácter profundamente antidemocrático do poder instalado naquele pais.

A par da ação persecutória e intimidatória contra forças políticas, as autoridades de Kiev lançaram, sob a capa de uma operação antiterrorista, uma operação militar na região do Donbass (distritos de Donestsk e Lugansk) que visa a eliminação ou rendição incondicional daqueles que não reconhecem o poder golpista.

Estas ações militares, com recurso a artilharia pesada e aviação de combate, tem provocado milhares de vítimas civis e dezenas de milhares de refugiados, assim como a destruição de cidades e aldeias e de infraestruturas básicas.

O desencadeamento de uma situação de guerra insere-se numa ação de confronto que ameaça a região e agrava a tensão internacional.

A violência exercida pelo poder ilegítimo de Kiev, além do sofrimento que está a causar ao povo ucraniano, agrava ainda mais a situação económica da Ucrânia, a qual está a ser usada pelas autoridades de Kiev, com o apoio do FMI, dos EUA e da UE, para impor aos trabalhadores e ao povo ucraniano a liquidação de direitos sociais, de privatizações e de desregulação económica.

A gravidade da situação que se vive na Ucrânia não se compadece com caracterizações que branqueiem ou ignorem o ascenso e papel de forças abertamente neonazis, a natureza autoritária e repressiva do regime, o agravamento da escalada de violência e a deterioração das condições de vida do povo ucraniano, devendo ser firmemente condenada, pelo que a Assembleia da República, reunida a 25 de julho de 2014, delibera:

1. Solidarizar-se com as populações vitimas das brutais ações militares levadas a cabo pelas autoridades de Kiev na região do Donbass;
2. Condenar a perseguição e ataques que tem sido perpetrados pelo regime de Kiev contra diversas forças políticas e, em particular, a tentativa de ilegalização do Partido Comunista Ucraniano;
3. Exigir ao Governo Português que tome uma atitude de condenação das ações militares levadas a cabo pelas autoridades ucranianas contra o seu próprio povo e das ações persecutórias contra diversas forças políticas.


11/XII/3

Autoria: PCP

Voto de Condenação da situação na Ucrânia e de solidariedade com o povo ucraniano

Publicação: DAR II série B nº 60, de 2014

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

a propósito da recusa da cedência de instalações públicas por parte da Junta de Freguesia de Lordelo- Paredes

 Exmos. Senhores

CDU – Coligação Democrática Unitária - Porto,

 No seguimento da V/ comunicação de 9 de janeiro, bem como de comunicação da Junta de Freguesia de 10 de janeiro, e por delegação do Secretário da Comissão, comunico a V. Exas. que, na reunião plenária de 11 de janeiro p.p., desta Comissão, foi tomada a seguinte deliberação:

«A Comissão reafirma que as entidades públicas devem providenciar no sentido de ceder os espaços que gerem às candidaturas que manifestem interesse na sua utilização para efeitos de campanha eleitoral, não colhendo a argumentação aduzida pelo Presidente da Junta de Freguesia de Lordelo e, por isso, considera censurável o seu comportamento que configurou um claro desrespeito pela orientação que lhe foi transmitida pela entidade competente.

Acresce que a eventual cedência do mesmo espaço a outras candidaturas no âmbito do mesmo processo eleitoral é suscetível de configurar violação do dever de imparcialidade previsto no artigo 57.º e punido no artigo 129.º da Lei Eleitoral da Assembleia da República.».

Com os melhores cumprimentos,

 Ilda Rodrigues

Coordenadora dos Serviços

 Comissão Nacional de Eleições

Av. D. Carlos I, n.º 134, 5.º - 1200-651 Lisboa

Tef: +351 213923800 • Fax: +351 213953543

site: www.cne.pt • e-mail: cne@cne.pt


quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

um bom exemplo


 

 O município de Lousada e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL) assinaram, esta terça-feira, dia 14 de dezembro, um acordo coletivo de empregador público para todos os funcionários da Câmara Municipal.

No total, serão cerca de 784 trabalhadores (sindicalizados ou não) abrangidos pelas medidas que entrarão em vigor em janeiro de 2022 e que significam “o regresso dos direitos que foram retirados aos trabalhadores no tempo da Troika”, explica António Ferreira, dirigente do STAL (CGTP).

 

Entre as alterações, as entidades envolvidas destacaram, no momento da assinatura do acordo, os dias de férias - que passam de 22 para 25, desde que haja uma avaliação positiva de desempenho -, o limite de trabalho suplementar que passa de 150 para 200 horas e a redução do período experimental.


sábado, 6 de novembro de 2021

DA HISTÓRIA

 O DEPUTADO MUDO E O JOVEM GOMES DA SILVA

Guardo densa memória daquela visita à União Soviética.

Admito que, se houvesse participado de uma delegação similar, Kafka teria escrito um conto fantástico inspirado pelos seus pequenos e estranhos incidentes.

Foi no ano 91. Retribuíamos a vinda a Portugal de uma delegação do Soviete Supremo. A URSS tinha entrado em agonia. Os parlamentares soviéticos tais coisas disseram durante um jantar em Lisboa que o deputado Guilherme Silva pelo PSD, fascinado, condensou o seu apreço num comentário: «Verifico com satisfação que os senhores deputados da URSS estão mais próximos ideologicamente do PSD do que das ideias dos deputados Odete Santos e Miguel Urbano, presentes nesta mesa»

Eramos seis na delegação da AR que meses depois visitou o país de Lenine: os deputados Sottomayor Cardia e Manuel Alegre do PS, eu pelo PCP, e três representantes do PSD: Pedro Roseta, o jovem Rui Gomes da Silva e um cidadão cujo nome não recordo, eleito pelo Algarve. Dele se sabia somente que estava ligado à Construção Civil. Tinha, como parlamentar, a vocação da mudez. Nunca lhe ouvi a voz no plenário de S. Bento.

Pedro Roseta, que chefiava a delegação, temia os seus dois correligionários. Inteligente e culto, receava os efeitos da verborreia de um e da eventual ruptura do silêncio do outro.

A primeira situação kafkiana ocorreu em Leninegrado durante um almoço oferecido à delegação pelo Presidente da Câmara da cidade.

Interrompendo uma fala da tradutora que enaltecia a sabedoria militar do defunto czar Nicolau II, o deputado mudo formulou uma pergunta algo embaraçosa: «quando custa em média em Leninegrado _ indagou­ _ o metro quadrado de terreno? Sou construtor e gostaria de saber.»

O alcaide, gorbatcheviano militante, hesitou, inquieto. Não quis explicar que, sendo a URSS um país socialista, os solos eram bem público, não estando a venda. Numa resposta enovelada afirmou que o problema da construção estava em debate e que os terrenos ainda não podiam ser adquiridos.

Inconformado e surpreendido, o parlamentar construtor insistiu:

«Sim, mas, por favor, faça um cálculo. Em média qual o valor do metro quadrado?»

O Presidente da Câmara, não querendo desagradar ao empresário, atirou para o ar, em rublos, um número inventado no momento.

O deputado silencioso puxou da calculadora, fez a conversão, e comentou:

«Incrível. É baratíssimo. Por esse preço, se me autorizassem, comprava um bairro inteiro de Leninegrado para construir prédios».

A atmosfera do almoço mudou a partir desse desabafo. A intérprete traduziu com entusiasmo. O deputado construtor logo passou a receber demonstrações de apreço excepcionais. Dirigiram-se-lhe como a um Rockefeller lusitano. O resto da delegação foi ignorado.

Dias depois, em Samarcanda, no Uzbequistão, durante a visita a uma fábrica de tapetes, o deputado mudo voltou a falar. Quis saber o custo do metro quadrado das peças expostas. Informado de que dependia da qualidade, anotou os preços e comentou sorridente:

«É tudo praticamente de graça. Pena que não possa levar um carregamento no avião da Aeroflot»  

O director da fábrica deu algumas ordens secas e minutos depois surgiram funcionários carregados, e montes de tapetes orientais, magníficos, foram desdobrados na sala, envolvendo o deputado. O homem quase se assustou. Fez-me pensar em personagens das Mil e Uma Noites.

Do então jovem Rui Gomes da Silva­ _ de cuja existência eu tomara conhecimento quando caiu do ar, em nevoento episódio, com um avião vindo da Jamba do Savimbi em companhia do filho de Mário Soares_ a lembrança mais forte, impagável, que conservo é a de uma conversa no Hotel Moskva , onde estávamos hospedados.

Uma manhã abordou-me para fazer uma confissão e pedir um conselho.

Vinha de cenho franzido.

«Trata-se de uma questão delicada_ esclareceu. Trouxe uma mala cheia de coisas que pretendo desfazer-me e não sei como…»

Sugeri que fosse um pouco mais preciso.

«Não quero jogar tudo no cesto dos papéis e não sei como destruir aquilo»

«Oh homem, mas de que se trata afinal?«

Gomes da Silva pousou em mim um olhar vazio e a confissão chegou, tímida, em voz baixa:

«Estamos a comer estupendamente. Eles oferecem-nos banquetes pantagruélicos. Foi uma surpresa para mim. Na mala eu trouxe uma montanha de pacotes de bolachas portuguesas. Foi conselho de amigos do meu partido. Disseram-me que ia passar fome na Rússia…»

Hoje é ministro.  

MIGUEL URBANO RODRIGUES

 

 

 

 

domingo, 31 de outubro de 2021

texto

 

CARTA ABERTA COM VÁRIOS DESTINATÁRIOS

Um dos temas que mais me sensibiliza e mobiliza atualmente é a defesa do património monumental existente, alvo do desgaste do tempo, e da incúria da ação dos homens. Dentro de vários exemplos prontos a citar estará sempre a igreja de S. Pedro de Cete, também chamado de Mosteiro de Cete.

Oportunamente no mês de setembro tive a oportunidade de o fazer sentir, entregando em mão uma Carta Aberta a alguém responsável. Transcrevo partes:

“Carta ao Excelentíssimo e Meritíssimo Bispo do Porto D. Manuel Linda

Aproveitando a presença de Sua Excelência no Concelho de Paredes e na freguesia de Parada de Todeia, em cerimónia de inauguração de obras de requalificação e de homenagem a uma figura ilustre da terra e antigo Bispo do Porto, D. António Barbosa Leão, gostaria, se me permite, de lhe expor a situação do património histórico, cultural e religioso da vizinha freguesia de Cete.

É na Vila de Cete que se situa, como sabe, o Mosteiro S. Pedro de Cete, edifício milenar prenhe de significado e tradição, e a Capela e Cruzeiro da Senhora do Vale, monumentos simbólicos do Românico. Certamente não é estranho a Sua Excelência o valor patrimonial e histórico destes edifícios. Identifico porém neles a necessidade de uma fruição mais ampla que sem descurar ser e continuar a ser local de prática religiosa, poder, se devidamente reabilitados, ser referência cultural e pedagógica, cenário de eventos culturais e local de visita.

Para isso, é fundamental que a comunidade católica local e a hierarquia que Vossa Excelência muito justamente representa, possam mostrar abertura a passos nesse sentido. O Mosteiro de S. Pedro de Cete, por exemplo, necessita de intervenções no seu interior e no seu exterior, que lhe dêem dignidade e funcionalidade. Para esse efeito são necessárias negociações e uma proposta comum, que envolva (e obtenha o acordo) do Estado (através do IPPAR e Rota do Românico), da Câmara Municipal de Paredes, da Junta de Freguesia de Cete, da Diocese do Porto e de Particulares.

…ouso expor este desejo. Desejo este que estou certo é o de muitos cetenses, que aspiram poder continuar a defender o legado dos seus antepassados.

Com respeito, estima e consideração”

Não obtive até à data qualquer resposta. Tal não me causa admiração. Igualmente não sinto qualquer interesse particular por parte de entidades pública e da maioria dos autarcas. Serão outros  os temas da atualidade, serão outros os desígnios terrenos e extraterrenos.

Contudo, não sinto ser este o momento de me calar ou desistir.

CR