Pieth e Stiglitz demitem-se do grupo de
trabalho dos Panama Papers
(Ao cuidado do jornal Expresso e da TVI)
Dois
especialistas internacionais, nomeados pelo governo do Panamá para investigar
empresas offshore anónimas que visam a fuga aos impostos e a ocultação de bens
demitiram-se na passada 6ª-feira devido a interferências do governo.
O professor Mark Pieth, presidente do Instituto de Governance de Basileia
(Suíça), disse à BBC que apresentou a sua demissão da Comissão dos Panama
Papers após o governo ter dito que “pre-aprovaria todas as conclusões”.
Joseph Stiglitz, professor de economia da Universidade de Columbia e
vencedor do Prêmio Nobel, demitiu-se, também, no mesmo dia.
Pieth disse,
“Disseram-nos que iam decidir no final se [o relatório do painel] iria ser
divulgado ou não”.
O presidente
do Panamá Juan Carlos Varela configurou, em Abril, um grupo de trabalho com
sete membros para agir como uma Comissão independente na revisão das leis e
regulamentos financeiros do Panamá.
Stiglitz
disse na sexta-feira: “Eu pensei que o governo estava mais empenhado, mas
obviamente não está. É incrível como tentaram sabotar o nosso trabalho.”
Pieth disse
que os investigadores oficiais dos Panama Papers estão em “estado de negação.”
E exemplificou “Eles dizem, basicamente, «bem, o que temos visto nos Panama
Papers é algo que vemos em todo o mundo».
O ministro
dos Negócios Estrangeiros do Panama disse à BBC que tinha um “forte e
verdadeiro compromisso com a transparência e a cooperação internacional.” E que
as demissões resultaram de “diferenças internas”.
No início de
Abril, o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (CIJI), sediado
em Washington começou a publicar os chamados Panama Papers – mais de 10 milhões
de ficheiros “pirateados” do escritório de advogados Mossack Fonseca, com sede
no Panama.
Em Maio, a
CIJI disponibilizou um banco de dados passível de ser usado para pesquisa com
320.000 entradas associadas aos Panama Papers, relativamente a empresas
offshore e às pessoas por detrás delas.
Os documentos
citam pelo menos uma dúzia de actuais líderes mundiais para além de 120 outros políticos
e entidades oficiais.
Após o CIJI
ter divulgado os Panama Papers, os Estados Unidos e o Reino Unido anunciaram
medidas para restringir o uso de sociedades anónimas.
Desde que os
documentos foram publicados, a Mossack Fonseca fechou os seus escritórios em
Jersey, ilha de Man e Gibraltar e cortou a sua presença nos estados do Nevada e
de Wyoming.
Em Portugal,
os OCS envolvidos na divulgação dos documentos e que se comprometeram a fazê-lo
por “episódios” mantêm um silêncio sepulcral sobre o tema desde há mais de cem
dias…


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