Os portugueses vão poder conhecer finalmente a obra de Miró
durante 3 meses exposta na Fundação de Serralves no Porto. No futuro em local
próprio o Porto albergará a obra.
A colecção era do BPN nacionalizado em 2008 e estava sob a
gestão da Parvalorem, empresa de capitais públicos que geria activos e
recuperava créditos daquela instituição bancária. A secretária de Estado do
Tesouro do governo PSD/CDS Isabel Castelo Branco defendia a venda da colecção
de 85 quadros de Miró em leilão da Christie's e dizia que eram precisos muitos
anos para obter o retorno da colecção. O Presidente do Conselho de
Administração da Parvalorem Francisco Nogueira Leite alinhava no mesmo tom.
Apareciam vozes idiotas que desvalorizavam as obras como menores.
O secretário de Estado da Cultura dizia que era "uma
mistificação" classificar as obras de Miró como pertencentes ao Estado.
Barreto Xavier disse que a colecção Miró, proveniente dos activos do antigo
BPN, não era uma prioridade para o Governo, e que sua transferência para a área
da Cultura tinha custos para os portugueses.
As obras de Miró saíram de Portugal por mala diplomática. A
decisão do Governo de vender a colecção Miró foi tomada contra os pareceres
pedidos pela Direcção Geral do Património.
Mas a sociedade civil indignou-se. O novo poder politico
arregaçou as mangas e num arrojo de patriotismo decidiu assumir a obra como
património público. O seu valor é estimado em licitação de 35 milhões de euros.
mas pensa-se valer muito mais. Mas acima de tudo, é Portugal na rota da
Cultura, da Criatividade e do Património universal.
O cavaquismo esteve quase a cometer o crime perfeito...
CR
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