É a nossa televisão em horário nobre depois das 20h. Fala-se do Orçamento a apresentar brevemente e objecto de negociação com os partidos que de qualquer forma podem viabilizar esse Orçamento. Miguel Sousa Tavares surge impante. É a vedeta daquele comentário televisivo. E o disparate e a inverdade jorram sem limites, sem contraditório. O sector público do Estado não foi afectado pela crise e pelas políticas dos governos de direita, disse. E acrescentou que não houve encerramento de serviços, de sectores, de postos de trabalho. Sousa Tavares mente e sabe que mente. Sabe que houve então encerramento de escolas, de centros da segurança social, reduziu o número de trabalhadores, aumentou a precaridade, diminuiu drasticamente os rendimentos desses trabalhadores. E sabe que é disso que se negoceia, a reversão de uma injustiça. Mas Miguel Sousa Tavares tem aí o privilégio de contar as suas “historiazinhas”. Como a afirmação sua de que as greves serem exclusivo dos trabalhadores do sector público.
Mas há quem não fique atrás de Miguel Sousa Tavares. Fátima Campos Ferreira, esse pilar da direita no audiovisual, no seu Prós e Contra, mente menos, mas manipula mais. Na escolha do tema e dos convidados, na condução do programa. O tema era o conflito laboral na AutoEuropa. A diabolização dos responsáveis do conflito, no caso os trabalhadores, e os sindicatos e a sustentação de apoio aos desejos da empresa, da “sua” Comissão de Trabalhadores. Vale tudo até o papel “esquerdalho” da intervenção de uma Raquel Varela, eminência parda da sociologia “de gauche”. As razões objectivas de uma greve são embrulhadas numa teia de diversões, falsidades, incompreensões, que torna tudo opaco e por isso mais desinteressante. Tal como a empresa fazia com a “sua” CT, tenho fundadas certezas que a produção encena a discussão com alguns dos “seus” convidados.
É a CS que temos. Vendida, militantemente organizada para servir interesses profundos, na trincheira de classe com os poderosos.
CR


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