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quarta-feira, 20 de junho de 2018

a cimeira


A Cimeira das delegações lideradas pelos Presidentes Norte-Americano e Norte- Coreano em Singapura despertou ironicamente uma sequência anacrónica de perplexidades e de interpretações. Uma cimeira que pretenderia por diálogo e negociações resolver um conflito histórico e abolir um cenário apocalíptico nuclear transformou-se na mente de alguns numa cena de enredo psicopatológico, com perturbações comportamentais inauditas. Trump, o bom, modelo da civilização ocidental dominante, berço de todos os princípios morais, abençoado por Deus e pela natureza, como diz a canção, teria cedido a Kim, o pérfido, o selvagem, líder pária, ditador implacável. Quando muitos esperavam a submissão, o vexame, o exercício prático da superioridade militar e da vitória politica por Trump, a que se submeteria unilateralmente Kim, encostado á parede, sem alternativas, eis que aparece um clima, uma éntente, um princípio de acordo que co-responsabiliza e determina novos e urgentes passos para a Paz. Isto seria normal e louvável em conflitos entre Estados ou regionais. Isso seria anseio de povos atingidos por guerras, destruição de infraestruturas, e correntes migratórias de abandono e miséria. Mas a nova Ordem Internacional pós Guerra Fria impôs o unilateralismo, a dependência das periferias geográficas e politicas aos interesses do Império, a visão única da política, a ideia do fim da História. E os hilariclintonianos de vários matizes, de várias latitudes, com várias consciências, mas sempre intemporais, não suportam que alguém por racionalidade, medo ou incompetência rompa com essa nova Ordem. E Trump virou bad boy, ingénuo, desorientado, impreparado. E Kim permaneceu como louco, sádico ou mesmo grotesco.
Há quem obtuso não aprenda nada. Nem quando a realidade nos diz para ter esperança.

CR

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