O INFERNO NA TERRA
Direi apenas aqui o
que sei muitos já têm reflectido e dito. Como é possível? Vivemos atualmente num
mundo com guerras que se eternizam, que se amplificam com o seu cortejo de
consequências graves, sem que se antevejam finais de negociação e paz. O
conflito tornou-se irremediável e caminha velozmente para a destruição de
qualquer hipótese de negociação. A paz é tão retórica que já não se anuncia
como possível. Isto seria já lamentável no quadro civilizacional em que estamos
mas torna-se insustentável e irrespirável. Como é possível?
Repetimos o quadro de
um século atrás. Mas agora há armas mais sofisticadas e letais, estratégias
militares mais danosas, comunicações mais lineares e globais. Somos espectadores
horrorizados de algo que não controlamos. A guerra, com os seus horrores, as
suas indignidades, transporta-nos para zonas de consciência de uma incomodidade
e impotência crescentes.
Porém há muita gente,
gente de bem, inteligência e sensibilidade, protestando nas ruas e
universidades do Ocidente contra o genocídio sionista de Gaza. Também no nosso
Pais (com a excepção dos jovens universitários portugueses, entretidos nas
bebedeiras das Queimas das Fitas!).
Há muita gente que
não suporta mais ver imagens de lençóis brancos tapando corpos de crianças e
adultos, vítimas de bombardeamentos indiscriminados.
Há muita gente que já
não suporta ver imagens de cidadãos vagueando com uns poucos pertences por uma
faixa de terreno muito limitada, procurando segurança, um tecto e comida.
Há muita gente que já
não suporta ver os seus representantes políticos alheados ou cúmplices desta
carnificina étnica.
A História certamente
não absolverá quem fizer da guerra instrumento de tensão, confrontação e
agressão. O militarismo e a guerra não são a solução política dos conflitos
internacionais. É preciso criar um novo sistema de segurança colectiva. E se na
guerra da Rússia com a NATO, há que parar o projeto louco da extensão do bloco político-militar
do Ocidente às fronteiras da Rússia, respeitando a vontade das populações, já a
Questão Palestiniana deve ser urgentemente considerada.
Ao fim do massacre e genocídio
de populações palestinianas, obtido por um cessar-fogo imediato e permanente, e
apoio humanitário de urgência, conduzido pela comunidade internacional,
seguir-se-ia a criação do estado Palestiniano, com as fronteiras de 1967 e
capital Jerusalém Oriental. Doa a quem doer, recue quem tiver que recuar, só
assim o Médio Oriente poderá trilhar justos passos de paz e prosperidade.
Na memória de todos
ficarão sinais de uma violência inaudita, de uma intransigência criminosa, de
uma degradação da condição humana, de vítimas e algozes. Afinal o inferno pode
ser terreno.
CR
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