FIM DE FESTA
Dia final de campanha eleitoral para as Presidenciais de 2026. Fim do triste reinado de Marcelo Rebelo de Sousa. Sem equilíbrio, sem consensos, errático, sem projeção futura. Não tendo sido nunca votante, apoiante ou simples entusiasta de Marcelo, considero terem sido anos e anos perdidos para uma solução de desenvolvimento. Com Marcelo, estiveram Passos Coelho, António Costa (descontado o período, a seu contragosto, da chamada “geringonça”). Com Marcelo tivemos a degradação dos serviços públicos, da Justiça, do SNS, o avanço para si complacente da extrema direita, as criminosas privatizações, o ódio aos imigrantes, a violência televisiva, o trabalho sem direitos e mal pago, a ausência de pluralismo na comunicação social, nomeadamente a pública, a emigração sem medidas cautelares de jovens quadros. Marcelo não me deixa qualquer saudade.
E agora, José?
António Filipe é o melhor. Com certeza. Pelo currículo, pelo desempenho atual. Sabendo quais os poderes atuais do Presidente da República, não descurando o poder de influência e de sinalização do rumo da governação. Não precisa de fingir que dança ou joga matrecos ou à bola ou ao pugilismo bacoco. As manifestações de populismo barato definem bem quem se é. a seriedade não dá votos por si só, mas liberta a consciência de opção certa.
Catarina Martins também é alternativa. Com diferenças mais subtis para António Filipe (como na avaliação da atual Europa, na Paz), mas mantendo uma coerência de uma Esquerda plural, com convergências e divergências.
Jorge Pinto podia ser alternativa, mas não o é. Militante socialista da juventude no passado, ao mesmo PS voltará em breve, com ou sem o Livre. Conheci Jorge Pinto em debate sobre Saúde na Ordem dos Médicos. Tem ideias muito parcelares mas corretas sobre o tema, mas está muito longe de uma visão global do mundo (o caso da Ucrânia é exemplar). A dúvida persistente entre desistir agora ou não, ser ou não ser, é prova de imaturidade política.
Em António José Seguro procura-se o que não se tem. Ausente uma década da vida política, em período grave do País, e em que muitas vezes se precisou de definição concreta de posicionamento, Seguro, contraditório, aparece agora mobilizando muito a contragosto os dirigentes do PS, e uma parte do seu eleitorado e sem abertura assinalável ao chamado Centrão. Entre os apoiantes estão figuras polémicas da Direita como Santana Lopes, Vasco Rato (PSD) e Ricardo Valente (IL). O seu apelo lancinante ao voto útil da esquerda cola mal em quem se coloca como “moderado” e não como “socialista” ou de Esquerda”. Para quê o voto útil numa inutilidade?
Em Marques Mendes, temos o que sabemos que há. O alinhamento total com as políticas do PSD ou da AD, a relação privilegiada de lobbing com o mundo dos negócios, alguns dos quais muito obtusos, a presença não neutra e constante na comunicação social do sistema, um projeto pessoal de mando e poder. Perante a rarefação dos apoio partidários no PSD e no CDS /PP constata-se que o apoio fica-se pelo Luís Montenegro, Rui Moreira, pelo Toy e Dino Santiago. Antevejo noites difíceis na sede do PSD.
Já o Almirante Gouveia e Melo, constata-se que representa o Dom Sebastião providencial que vem reabilitar o País. O discurso atual, frágil, não combina bem com a careta nem com o currículo parcial apresentado. Mas conseguiu juntar à sua volta personagens cómico-trágicas como Alberto João Jardim , Isaltino Morais e José Sócrates, uma parte significativa de notáveis do PSD ( Ângelo Correia, Fernando Negrão, David Justino, Paulo Mota Pinto, Adão e Silva...) e do PS (Manuel Pizarro, Correia de Campos) e Ribeiro Castro (CDS/PP)
Em Cotrim de Figueiredo juntou-se a fauna e fina flor dos gestores empresariais, e de marketing, Product Managers, Consultores de Comunicação, Licenciados e Mestrados em Administração, Negócios em Direito pela Universalidade Católica e outras privadas. Aí estão os comentadores avençados da SIC, TVI, CNN e da NOW ( Miguel Baugmater, Paulo Sande, Liliana Reis, Diana Soller, José Miguel Júdice, Nuno Eiró), algum aparelho da Justiça . os dissidentes do Chega. O candidato teve dois reveses recentes (a abertura ao Ventrulha e a acusação do assédio sexual) mas a direita radical fofinha que representa penetrou em muitos jovens sensíveis ao seu discurso superficial e tecnocrático e anti-social.
Em André Ventura votará o aparelho político e mediático da extrema direita parlamentar, Pedro Passos Coelho e Rui Gomes da Silva (ex-PSD), Horácio Costa (dos Templários) e a multidão de salazaristas, homofóbicos, frustrados, analfabetos, cegos e delinquentes que por aí andam, atrás do Pastor.
CR
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