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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A GRANDE ILUSÃO

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“Certos autores escreveram coisas muito estranhas. Afirmavam eles que a criação do Euro induziria um aumento muito forte de fluxos comerciais entre os países dessa zona económica. Essa ideia foi fortemente difundida. Isso provinha tanto de estudos teóricos como previsões, em particular de Andrew K. Rose. Esses estudos davam uma grande importância à proximidade geográfica dos parceiros. Dando origem ao que se chamou “efeito Rose” e a uma literatura extremamente favorável às Uniões Monetárias, descreviam as moedas nacionais como “obstáculos” ao comércio internacional.

A integração monetária devia provocar uma melhor articulação no ciclo de negócios entre os países. Essa integração monetária devia também conduzir a uma acumulação de conhecimentos, provocando um forte aumento da produção e de trocas potenciais. Num certo sentido a União Monetária ia criar as condições para o sucesso da “Zona Monetária Optimizada”, enquanto que as condições não estivessem reunidas, num movimento que parecia dever ser endógeno. Daí as declarações de diversos políticos, hoje famosas, afirmando que o Euro ia levar pela sua própria existência a um forte crescimento dos países membros. Jacques Delors e Romano Prodi afirmaram então que o Euro ia favorecer o crescimento europeu em 1 a 1,5%. Nada disto aconteceu.

Esses estudos foram muito criticados quer pelo método econométrico usado, como sobre as previsões obtidas. Esses elementos diferentes puseram em causa os resultados do estudo inicial de A.K. Rose. Com base em perto de 20 anos de estudos sobre o comércio internacional, Harry Kelejian (com G. Tavlas r P. Petroulas) retomaram diversas previsões dos efeitos de uma união monetária sobre o comércio internacional dos países membros. Os resultados são devastadores. Onde Rose havia anunciado um aumento do comércio no interior da Zona Euro de 200%, não se encontrou senão um crescimento de 3 a 5%”

Jacques Sapir

Tradução CR