“Certos autores
escreveram coisas muito estranhas. Afirmavam eles que a criação do Euro
induziria um aumento muito forte de fluxos comerciais entre os países dessa
zona económica. Essa ideia foi fortemente difundida. Isso provinha tanto de
estudos teóricos como previsões, em particular de Andrew K. Rose. Esses estudos
davam uma grande importância à proximidade geográfica dos parceiros. Dando origem
ao que se chamou “efeito Rose” e a uma literatura extremamente favorável às
Uniões Monetárias, descreviam as moedas nacionais como “obstáculos” ao comércio
internacional.
A integração
monetária devia provocar uma melhor articulação no ciclo de negócios entre os
países. Essa integração monetária devia também conduzir a uma acumulação de
conhecimentos, provocando um forte aumento da produção e de trocas potenciais. Num
certo sentido a União Monetária ia criar as condições para o sucesso da “Zona
Monetária Optimizada”, enquanto que as condições não estivessem reunidas, num
movimento que parecia dever ser endógeno. Daí as declarações de diversos políticos,
hoje famosas, afirmando que o Euro ia levar pela sua própria existência a um
forte crescimento dos países membros. Jacques
Delors e Romano Prodi afirmaram então que o Euro ia favorecer o crescimento
europeu em 1 a 1,5%. Nada disto aconteceu.
Esses estudos foram
muito criticados quer pelo método econométrico usado, como sobre as previsões
obtidas. Esses elementos diferentes puseram em causa os resultados do estudo
inicial de A.K. Rose. Com base em perto de 20 anos de estudos sobre o comércio internacional,
Harry Kelejian (com G. Tavlas r P. Petroulas) retomaram diversas previsões dos
efeitos de uma união monetária sobre o comércio internacional dos países
membros. Os resultados são devastadores. Onde
Rose havia anunciado um aumento do comércio no interior da Zona Euro de 200%, não
se encontrou senão um crescimento de 3 a 5%”
Jacques Sapir
Tradução CR

