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terça-feira, 28 de agosto de 2012

O PERIGO DA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

(ou como as revoluções verdes se transformam em pesadelos negros)

Abd al-Latif al-Mahmoud, xeque sunita e presidente do partido islamista Unidade Nacional, exortou o presidente egípcio Mohammed Mursi a destruir as pirâmides e realizar o que Amr bin al-As não conseguiu”.
Os salafitas têm planos para demolir as Grandes Pirâmides do Egito, um esforço para exterminar o que chamam de “símbolos do paganismo”.
Amr foi um aliado de Maomé, fundador do Islã, que invadiu o Egito em 641 e começou a destruir artefatos egípcios. Existe um debate histórico sobre a exatidão de tais relatórios, mas alguns historiadores muçulmanos lembram que Amr bin al-As, seguindo o comando do califa Omar, destruiu a grande biblioteca de Alexandria, tido como um centro de conhecimento para o mundo antigo.
No entanto, ele não teve tecnologia para destruir as estruturas piramidais maciças na época. Contudo, a facção dos salafitas dizem que hoje em dia já existem maneiras para fazer isso. Segundo uma matéria do jornal inglês Daily Mail, uma sugestão é desfigurar as pirâmides, provocando a destruição total do passado pagão do Egito, que foi iniciado sob o reinado do primeiro conquistador islâmico do país.
Os principais argumentos são exemplos contemporâneos de vários países africanos e do Oriente Médio de maioria muçulmana que destruíram o passado de seus ancestrais.
A grande dúvida é se o atual presidente, eleito pela Irmandade Muçulmana do Egito, é “fiel” o suficiente e estaria disposto a completar o processo de islamização, que começou sob as mãos do primeiro conquistador do Egito islâmico. Ainda mais quando existem registros que os salafitas egípcios estão pedindo que Morsi expulse todos os xiitas e os bahá’ís do Egito .
Para o historiador Daniel Pipes, a história está repleta de exemplos de muçulmanos que destruíram seu patrimônio, desde o próprio profeta Maomé, que derrubou o templo Saudita de Ka’ba, transformando-o em uma mesquita. Há relatos também de muçulmanos na Índia Medieval destruindo templos de seus antepassados e muçulmanos contemporâneos destruindo patrimônio não-islâmico no Egito, Iraque, Israel, Malásia e Tunísia.
Talvez o caso mais famoso sejam as estátuas de Buda destruídas no Afeganistão pelos talibãs 10 anos atrás. Atualmente, o Tribunal Penal Internacional entende que há um possível “crime de guerra” em andamento, pois extremistas islâmicos estão destruindo o patrimônio histórico da cidade de Timbuktu, no Mali, em nome do Islã. Segundo os rebeldes, os templos contrariam a sharia (lei islâmica) por “promover a idolatria” e conter, em seu interior, túmulos de antigos líderes religiosos.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011