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domingo, 10 de junho de 2012

POEMA

QUANTOS SEREMOS?

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena.
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena!

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida.

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste.

Miguel Torga

quarta-feira, 22 de junho de 2011

PAULO MACEDO, QUAL "ALMA-GRANDE"


(em aspalavrassaoarmas.blogspot.com)


O único vínculo de Paulo Macedo ao sector da Saúde é a sua ligação ao BCP, onde é administrador da MÉDIS, a empresa que gere seguros de saúde.
Paulo Macedo é Vice-presidente do Conselho de Administração de várias empresas do grupo BCP, desde a Fundação do Grupo ao Millennium BCP Ageas, Médis, Ocidental e Pensões Gere.
Enquanto Director-Geral dos Impostos usufruía 23 mil euros mensais e ao terminar tão isenta e árdua tarefa foi promovido a Director-Geral do BCP. Em 2010 ganhou mais de 545 mil euros. Detém mais de 271 mil acções do BCP, segundo dados de 17 de Maio deste ano.
No Estado, a prostituição deixou de ter um mínimo de recato, surge desbragada e pratica-se ao nível de vão de escada. A Banca não ordena, gere o Estado com os seus próprios executores colocando-os nos postos-chave da governação.
Porque o SNS continuará a perder a capacidade de socorrer os que dele mais necessitam, e sendo o Ministro da Saúde o seu principal algoz, será cognominado de “Alma-Grande*”.

Em conto de Miguel Torga essa personagem retrata o “abafador”, profissional prestador de serviços à comunidade, cujo trabalho consistia em asfixiar até à morte os moribundos, abreviando-lhes, deste modo bárbaro, o sofrimento.
Miguel Torga sintetiza, magistralmente, o momento determinante e definitivo quando o abafador, senhor do seu ofício, se propõe concretizar o trabalho para que fora solicitado:
«Calado, o Alma-Grande avançou. Mas quando de mãos abertas e joelho dobrado ia a cair sobre o Isaac, fê-lo parar uma voz diferente de todas as que ouvira em momentos iguais, que parecia vir do outro mundo, e dizia:
- Não… Ainda não… Ainda não…»

Este ministro, qual "Alma-Grande", não usará a almofada mas obterá os mesmos resultados ao negar ambulâncias, meios de diagnóstico, medicamentos, cuidados médicos ou os indispensáveis internamentos.

Nota: no conto de Miguel Torga, o "Alma-Grande" morre às mãos de um dos seus clientes.

sábado, 25 de dezembro de 2010

POESIA

NATAL DIVINO

Natal divino ao rés-do-chão humano,
Sem um anjo a cantar a cada ouvido.
Encolhido
À lareira,
Ao que pergunto
Respondo
Com as achas que vou pondo
Na fogueira.

O mito apenas velado
Como um cadáver
Familiar…
E neve, neve, a caiar
De triste melancolia
Os caminhos onde um dia
Vi os Magos galopar…

Miguel Torga