Um dia de Setembro. Um exame de equivalência á frequência do 9.ª ano. Prova escrita, elaborada na própria escola. Um aluno apresenta-se á prova. Abre-se um pavilhão da escola secundária. São destacados 3 funcionários e 7 professores (4 vigilantes _ 2 efectivos e 2 suplentes _, 2 do secretariado e 1 coadjuvante da prova). A prova dura 90 minutos. Durante 20 minutos o aluno procura responder ao desafio. Mas desiste então. Nos restantes 70 minutos o aluno dormiu. Foi acordado aos 90 minutos e informado que a sua prova tinha acabado.
O sistema de ensino em Portugal tinha funcionado. Não tinha havido abandono escolar.
CR
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Da Procura e da Oferta no Ensino Superior

IVO RAFAEL SILVA
Ao reparar na oferta formativa de ensino superior público em Portugal, quase a mesma de há 7/8 anos atrás, sou levado a concluir que as reitorias deste país estão, a par do governo, totalmente desfasadas da realidade socio-económica das famílias e dos estudantes. Ou desfasadas ou bem instaladas, o que também é possível. Numa altura em que cada vez menos pais têm a possibilidade económica de pagar tudo o que implica ter um filho na universidade – propinas, transportes, manuais, almoços, etc. -, nem o governo ajuda, cortando nas bolsas de estudo, nem as universidades se adequam, não tendo à disposição uma oferta que seja, no que a horário de aulas diga respeito, ajustada às necessidades actuais.
De forma mais concreta, o que se passa hoje, mais do que nunca, é que os estudantes de ensino superior são obrigados a trabalhar a tempo inteiro para pagar os seus estudos. A ocupação laboral (vulgo, exploração) em part-time já não é suficiente. O problema é que essa situação, ou condição, em termos de horário compatível não encontra correspondência na oferta de cursos, como seria útil e adequado. Vejamos alguns exemplos: a Universidade do Porto, que é só a maior universidade do país, não tem único curso em regime pós-laboral; a Universidade de Lisboa e de Coimbra têm apenas dois cada; a Universidade de Aveiro tem zero; a da Beira Interior tem apenas um; e a UTAD (Trás-os-Montes e Alto Douro), tal como a de Aveiro e a do Porto, também zero. Safa-se a Universidade do Minho, que tem (ainda) treze cursos em horário pós-laboral.
Por outro lado, a romper com o panorama universitário e, na minha opinião, indo mais ao encontro das necessidades dos estudantes e das famílias, estão os Politécnicos e as Universidades Técnicas. Na zona norte, o ISCAP (Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto) está indiscutivelmente um passo à frente nesta matéria, chegando a ter mais cursos em regime pós-laboral do que em regime laboral ou diurno. Dos 6 cursos antigamente designados ‘nocturnos’ só sobraram vagas em 3, e muito poucas. Ainda dentro do Politécnico do Porto, o ISEP pode gabar-se de ser o único instituto/faculdade no Porto com cursos de Engenharia em regime pós-laboral. As restantes escolas do IPP – a ESE, a ESEIG e a ESTFG – também têm, todas elas, cursos adequados à condição de trabalhador-estudante.
Bem sabemos que a este e a anteriores governos não escasseiam medidas insensatas e desadequadas, mas esta realidade é mais um fruto da incompetência política que há décadas reina em Portugal: é que são precisamente os Politécnicos, isto é, aqueles que, como se vê, mais têm procurado adequar-se à realidade nacional e às dinâmicas da oferta e da procura formativa, os que mais têm sofrido com os cortes de verbas e com a racionalização cega no ensino superior. Há dias, no JN, o presidente do IPP falava em dezenas de não-renovações de contrato devidas aos cortes orçamentais. Misteriosamente, ou nem tanto, viraram alvo de ataques sucessivos, e ainda são – e isto é um problema já histórico – consecutivamente ignorados ou menosprezados nos seus méritos e competências relativamente às Universidades.
Qual a verdadeira razão que explique ou que o justifique, talvez não se saiba ainda, ou talvez não se venha a saber nunca. Talvez alguns saibam e se calem. Talvez alguns não se calem mas não sejam ouvidos. Talvez quem saiba não se importe, e quem se importe não saiba. Mas uma coisa é certa, e para isso basta ler os currículos respectivos: é que vemos muitos mais cargos políticos, decisórios e administrativos ocupados por gente formada nas universidades, do que por aqueles que chegaram aos mesmíssimos graus académicos, com igual ou superior obra feita, publicada e reconhecida, mas que tiveram o ‘azar’ de o ser ou de o ter através do politécnico. Será certamente mais uma inocente coincidência, pois neste país há muitas e são cada vez mais. Ao contrário dos lobbies, por exemplo, que há poucos e são cada vez menos.
(em adargumentandum.wordpress.com)
domingo, 17 de julho de 2011
extracto
Entrevista a António Teodoro, Director do Instituto de Educação da Universidade Lusófona (no JN de 16 de Julho de 2011)
As escolas pequenas têm menos qualidade e devem ser fechadas?
Este processo, iniciado com o anterior Governo, assenta em razões financeiras. Não há estudos que comprovem que as escolas mais pequenas têm menos qualidade. O reordenamento não pode pôr em causa as escolas de vizinhança. Os mega- agrupamentos têm retirado dois elementos fundamentais á escola: a identidade e a dimensão humana.
As escolas pequenas têm menos qualidade e devem ser fechadas?
Este processo, iniciado com o anterior Governo, assenta em razões financeiras. Não há estudos que comprovem que as escolas mais pequenas têm menos qualidade. O reordenamento não pode pôr em causa as escolas de vizinhança. Os mega- agrupamentos têm retirado dois elementos fundamentais á escola: a identidade e a dimensão humana.
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