um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 23 de abril de 2019

CURSO PROFISSIONAL DE IMPOSTOR...DESCULPEM-ME, DE AGRICULTOR



Golegã nunca tal houvera visto. João Nuno de Lacerda Teixeira de Melo, Luís Pedro Russo Mota Soares e Maria de Assunção Oliveira Cristas Machado da Graça, três juristas em trânsito para a procura da notoriedade politica, foram apanhar couves para o Banco Alimentar de Abrantes na lezíria da Golegã. Lá puseram as botas e as calças de ganga e lá arrancaram para a tarefa, devidamente acompanhados por um fotógrafo. O tirocínio agrícola a que se dedicaram correspondia mais ou menos ao currículo destes voluntários agricultores. Ela, a Maria de Assunção, já tivera a pasta ministerial da atividade. O Luís Pedro já fora ministro da lambreta e o outro, o João Nuno, tem linhagem nos Senhores do Morgado da Falperra. Não sei quanto tempo durou a encenação da jorna de pobres em trabalho rijo, mas pressuponho que tenha sido o tempo da fotografia. A couve não era de Bruxelas, como estaria previsto, mas sim a portuguesa, a lombarda. Faltou para completar a performance o Paulo Sacadura Cabral Portas, de samarra e boné campesino.

CR

domingo, 21 de abril de 2019

NELES NÃO VOTEI



Cavaco e Marcelo, Marcelo e Cavaco. Diferentes, dizem alguns. Felizmente, nunca votei nestes dois presidentes! Dei comigo a pensar nisto perante as suas públicas opiniões e atitudes. Um, diz agora que no ano 2050 os portugueses só poderão usufruir de reforma aos 80 anos … uma proclamação delirante! O outro, tira selfies com anónimos no velório da cantora Dina … uma vergonha ética!

Já anteriormente o primeiro dizia que os portugueses podiam confiar no Banco Espirito Santo dado que as folgas de capital eram mais do que suficientes para cobrir a exposição que o Banco tinha à parte não financeira mesmo na situação mais adversa. Isto 15 dias antes do colapso do BES e falando na qualidade de Presidente da República, de economista … uma trágica mentira para muitos. O outro ameaça vetar a lei de Bases do SNS por não ver defendidas as Parcerias público-Privadas tão do gosto dos seus amigos bem como a manutenção das taxas moderadoras … uma postura clientelar antidemocrática.

Dizei lá, isto não é de chorar? Imagino que haja quem no íntimo da sua consciência os colocou no pedestal da competência, da seriedade e da consideração, ou lhes admirou a capacidade intelectual e até a bonomia. Afinal eram Professores, deste país de Professores que teve como patrono de uma certa forma de fazer politica, um professor coimbrão, nascido em Santa Comba Dão! Neles acreditaram, neles projetaram as suas esperanças, neles viram a solução. Os tempos certamente arrefeceram os entusiasmos laudatórios e mostraram as reais capacidades. Porém, perante isto o que pensar?

Felizmente, nunca votei nestas duas personagens! Se o tivesse feito, estaria agora a pensar: Como foi que não diagnostiquei o tique autoritário, messiânico no mau sentido de uma personagem politicamente medíocre? Como não notei o carácter narcísico, superficial e panfletário do ex-comentador televisivo?

Felizmente, nunca votei nestes e em outras personagens que alcançaram o poder por representação do voto popular.

Sócrates e a sua megalomania patológica e arrogância, associada á tendência à delinquência fiscal. Constâncio e a sua memória displicente, cegueira e cumplicidade a burlas do sistema financeiro. Portas e as oportunidades de negócio. Ana Paula Vitorino, a arrogante ministra do Mar que em sede de audição parlamentar diz que gostaria de responder a uma intervenção de um deputado mas que não lhe apetece! O ex-ministro Pinho que favoreceu a EDP e dela recebeu belas “prendas”. E Vara, Loureiro, e tantos, tantos.

A história da política está cheia de oportunistas, de escroques e falsários. A ocupar ou em tentativa de ocupar lugares de responsabilidade. Permanentemente em fuga da justiça. Sempre escudados em famílias politicas, em sociedades secretas, no poder económico, na comunicação social. Sempre disponíveis em fazer favores com contrapartidas.

Desse núcleo emana toda a corrupção. Mas felizmente, nunca votei neles. Sorte a minha?

CR

sábado, 6 de abril de 2019

poema

Fumo Negro das Fábricas

Eu te saúdo,ó fumo negro das fábricas
Eu te saúdo!
Aí onde maculas o azul
Onde rolas ao sabor da ventania,
HÁ homens que o carvão tingiu de negro
Homens verdes, brancos, amarelos,
Homens cor do cimento e da ferrugem,
Homens sem raça!
Homens sem cor!
Eu te saúdo,ó fumo negro das fábricas!
Tu que és negro resíduo
Desse estupendo cadinho
Onde se fundem tragédias.
Eu te saúdo,ó fumo negro das fábricas!
Nessa raça de homens que não têm raça,
Nessa raça de homens que não têm cor.
Eu te saúdo
Pelos rostos banhados de suor,
Verdes, brancos, amarelos,
Cor do cimento e da ferrugem
Que o carvão risca de negro.
António Dias Lourenço

domingo, 31 de março de 2019

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA


Em 28 de setembro de 1998, a Coordenadora de Paredes da CDU expôs em conferência de imprensa aspectos importantes da vida autárquica de então, nomeadamente questões ambientais concelhias, de ordenamento urbano e qualidade de vida dos seus cidadãos. E propunha-se ao senhor Presidente da Assembleia Municipal de então a convocação de uma Assembleia Municipal Extraordinária para as debater.    

Relembro algumas preocupações manifestadas há já mais de 20 anos: ausência de rede de saneamento básico generalizada, abastecimento público de água domiciliária de qualidade, recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos, rios fortemente poluídos, descargas de efluentes de empresas como a VALPI e OLPACA, o Plano de Pormenor de intervenção urbana do sul da Cidade (na região de Pias) e transações envolvendo o Campo das Laranjeiras.

“Sérias suspeições sobre a boa gestão do erário público”, titulava o Jornal Novas, de 2 de outubro de 2018.

Se verificarmos com acuidade verificaremos que muitas das questões objecto de reflexão mantêm uma grande actualidade.

Nessa conferência, estiveram presentes Juvilte Madureira, Cristiano Ribeiro e José Manuel Pinto (entretanto já falecido).

Não podemos deixar de constatar que muito tempo foi perdido desde então.

CR

domingo, 24 de março de 2019

OS 98 ANOS DO PCP


Comemorou-se o 98.º aniversário do PCP em Lordelo - Paredes com a presença de Paulo Raimundo do Secretariado do Comité Central do PCP






Comunistas de Paredes comemoram 98.º aniversário do Partido em Lordelo

         A Organização Concelhia de Paredes do PCP realizou no passado sábado, dia 23, em Lordelo, o jantar do 98.º aniversário do partido.
         Presentes estiveram cerca de cem militantes do concelho, além dos membros da concelhia, representantes da Organização Regional do Porto e também do secretariado do Comité Central do PCP. As intervenções políticas da noite foram abertas por Álvaro Pinto, que lembrou os militantes já falecidos e destacou o seu contributo «na luta que cada vez mais é urgente e necessária, tanto em Paredes, como em todo o país».
         O responsável pela concelhia, Cristiano Ribeiro, referiu-se ao longo percurso histórico quase centenário do PCP, dizendo que «a luta que os comunistas travaram e travam por aquilo que são as suas convicções, não é fácil em Paredes, como em nenhuma outra parte». O médico e eleito municipal pela CDU referiu-se particularmente à forma como a comunicação social tem «silenciado a voz do PCP, fazendo muitas vezes de conta que o partido não tem eleitos e que nem sequer existe».
         O convidado Paulo Raimundo, membro do secretariado do Comité Central do PCP, começou por referir desde logo que «não estava à espera de um jantar com tanta gente», vendo nisso «um sinal claro de força e renovação» do partido no concelho de Paredes. Lembrou também ele o papel do partido na história do país, considerando que «os inimigos do PCP continuam a não perdoar a luta anti-fascista e a luta social e política que o partido fez pelo 25 de Abril e suas conquistas». Paulo Raimundo referiu-se também à actualidade, sublinhando o «papel fundamental» do PCP para «arrumar a troika de vez» e para «abrir caminho a um novo rumo e a novas perspectivas de futuro para o povo e para o país».
         No final, Álvaro Pinto anunciou que no próximo dia 13 de Abril, sábado, o concelho de Paredes irá receber a visita de João Ferreira, cabeça-de-lista da CDU às próximas eleições europeias, num almoço-convívio que decorrerá na freguesia de Parada de Todeia. 

terça-feira, 5 de março de 2019

FRAGMENTOS DA HISTÓRIA


Decorria o ano de 2006. O então Presidente da Assembleia Municipal de Paredes Granja da Fonseca tinha convocado, em acordo com os líderes das bancadas na Assembleia Municipal, uma sessão extraordinária para Lordelo, precedida de uma visita a obras na cidade. Mas o seu sucessor no Executivo, Celso Ferreira, não concordou com a pertinência da realização da reunião. No dia previsto compareceram no edifício camarário, a aguardar transporte para Lordelo, cerca de 22 deputados. Foram informados que não haveria sessão por falta de quórum.

A bancada do PSD faltava na sua maioria (21 em 30 eleitos). O PS esteve presente com 9 dos 11 eleitos. O representante do Movimento Independente de Lordelo, um conhecido PSD em conjuntural e transitória dissidência, faltava “por doença”. Os 3 deputados do CDS e os 2 da CDU não faltaram. Os 5 eleitos PSD do executivo faltaram, com uma insólita justificação de um  vereador alegar compromissos á mesma hora e no mesmo dia com a Rota do Românico. Os 3 vereadores do PS, numa estranha solidariedade com o PSD, estiveram ausentes. O vereador PP compareceu.

Estranha trapalhada, enorme palhaçada, esta divisão no PSD de Paredes. As obras a visitar foram o pretexto. Ao que consta, Celso Ferreira não queria mostrar as obras feitas na gestão de Granja da Fonseca, na época em que este fora Presidente da Câmara. Granja queria mostrar que ainda tinha poder politico. Os deputados do PSD provaram que na sua consciência mandava a sua fidelidade partidária. Ou pior, a sua fidelidade a quem tinha poder.

CR