um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda
terça-feira, 12 de outubro de 2021
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
carta
Carta ao Excelentíssimo e Meritíssimo Bispo do Porto D. Manuel Linda
Aproveitando a presença
de Sua Excelência no Concelho de Paredes e na freguesia de Parada de Todeia, em
cerimónia de inauguração de obras de requalificação e de homenagem a uma figura
ilustre da terra e antigo Bispo do Porto, D. António Barbosa Leão, gostaria, se
me permite, de lhe expor a situação do património histórico, cultural e
religioso da vizinha freguesia de Cete.
É na Vila de Cete que
se situa, como sabe, o Mosteiro S. Pedro de Cete, edifício milenar prenhe de
significado e tradição, e a Capela e Cruzeiro da Senhora do Vale, monumentos simbólicos
do Românico. Certamente não é estranho a Sua Excelência o valor patrimonial e
histórico destes edifícios. Identifico porém neles a necessidade de uma fruição
mais ampla que sem descurar ser e continuar a ser local de prática religiosa,
poder, se devidamente reabilitados, ser referência cultural e pedagógica,
cenário de eventos culturais e local de visita.
Para isso, é
fundamental que a comunidade católica local e a hierarquia que Vossa Excelência
muito justamente representa, possam mostrar abertura a passos nesse sentido . O
Mosteiro de S. Pedro de Cete, por exemplo, necessita de intervenções no seu
interior e no seu exterior , que lhe dêem dignidade e funcionalidade. Para esse
efeito são necessárias negociações e uma proposta comum, que envolva (e obtenha
o acordo) do Estado (através do IPPAR e Rota do Românico), da Câmara Municipal
de Paredes, da Junta de Freguesia de Cete, da Diocese do Porto e de Particulares.
Como cidadão de Cete,
que me assino Cristiano Manuel Soares Ribeiro, de 65 anos de idade e Médico de profissão,
ouso expor este desejo. Desejo este que estou certo é o de muitos cetenses, que
aspiram poder continuar a defender o legado dos seus antepassados
Com respeito, estima
e consideração
Cristiano Manuel
Soares Ribeiro
sábado, 12 de junho de 2021
informação a mais e informação a menos
A transmissão de dados (ao que parece a mais) sobre três cidadãos russos à respetiva embaixada fez os media e respetivos comentadores quase entrarem em histeria. A direita então nem se fala, ou não fosse: "A Rússia é o inimigo!".
Esta agitação tem muito de hipocrisia, ignorância ou
má fé. Nada se sentiram incomodados quando foram fornecidos à
embaixada de Israel dados sobre elementos da manifestação contra a
repressão de Israel sobre o povo palestiniano. Nem então nem agora o assunto
foi sequer aflorado.
Recentemente
foi revelado em certos media na
Alemanha e Dinamarca sobre espionagem americana a líderes
europeus. Biden está pessoalmente implicado no escândalo. A Agência
de Segurança Nacional dos EUA espiava telefonemas e e-mails de outros
governos europeus, o que se passava também no governo de Obama, no
qual Biden foi vice-presidente.
Isto mostra como os países europeus
são tratados como meros subordinados dos ditames de
Washington. E assim a hostilidade dos Estados Unidos
na renovada Guerra Fria contra a Rússia e a China é refletida
inquestionavelmente no bloco europeu. Estes mais
recentes relatórios acrescentam credibilidade ao
que anteriormente tinha sido revelado por Edward Snowden, sobre a espionagem
dos EUA aos líderes europeus
O que nos leva a pensar: se isto se passa com
governantes, o que dizer do cidadão comum em que estejam interessados? Mas
este escândalo nem sequer mereceu uma palavra aos
"comentadores".
Outra questão que nada moveu os "puritanos"
da democracia e direitos humanos. Alguém ouviu falar nas eleições que
se realizaram na Síria? Não. Porém, as eleições
presidenciais da Síria em 27 de maio, foram um sucesso num
cenário de 10 anos de guerra brutal e implacável imposta pelos EUA e
outros países da NATO.
Após uma década de horrores cometidos
por mercenários e terroristas implantados secretamente pelas potências
ocidentais, bem como a agressão aberta das forças militares da NATO e
Israel que atacam ilegalmente o país e da guerra de sanções económicas, o
povo da Síria permanece desafiador e independente.
O presidente Bashar al-Assad foi reeleito para um
quarto mandato de sete anos depois de obter 95 por cento dos votos
expressos. É impressionante e isto refuta completamente a
narrativa ocidental que descreve Assad como um “tirano”.
Apesar de todas as dificuldades, o povo sírio
compareceu em massa para votar em 27 de maio. A participação foi de mais
de 78%, com mais de 14 milhões de votos expressos num eleitorado elegível de 18
milhões.
Os governos ocidentais e os media servis não
conseguem demonstrar as suas teses face ao épico desafio popular às
suas nefastas intrigas pela "mudança de regime" na Síria. Daí o
silêncio total dos media sobre o resultado da eleição.
O grande número de pessoas comparecendo para
votar e as subsequentes cenas de júbilo em toda a Síria
contam uma história que confunde a propaganda ocidental e expõe a
criminalidade das potências da NATO. A nação síria escolheu
o seu presidente - novamente.
O mesmo silêncio vergonhoso já
acontecia quando o exército sírio libertava cidades e vilas de
terroristas apoiados pelo Ocidente. Quando as pessoas saíram para saudar os
libertadores do exército sírio, a realidade foi simplesmente
ignorada, apesar de ter sido dito que o exército sírio e seus aliados
russos cometiam massacres contra “rebeldes” e populações civis.
Nenhum meio de comunicação ocidental fez o mesmo para
relatar como os sírios se sentem por serem libertados e por terem suas vidas
pacíficas restauradas. Isso porque os sírios elogiariam a liderança de Assad, a
coragem do exército e a ajuda crucial da Rússia, Irão e
Hezbollah. Por outras palavras, as mentiras do Ocidente seriam
demolidas pela verdade e, portanto, os media são obrigados a
ignorar e manter o silêncio.
Para todos que mo mundo desejam justiça e paz e a
derrota do imperialismo, a vitória da eleição na Síria é um dia glorioso para
comemorar.
domingo, 16 de maio de 2021
A propósito - Mosteiro de Cete
Desconhecendo-se a data exata de fundação do Mosteiro medieval (séc. X?), parece ser pelo menos consensual a sua reedificação por D. Gonçalo Oveques no séc. XI. No século XII o mosteiro recebe carta de Couto de D. Teresa e adere à regra de São Bento e aos costumes cluniacenses. No período final da Idade Média (Sécs. XIII/XIV), ocorre uma profunda reforma na igreja por iniciativa do abade D. Estêvão. Na centúria de quinhentos são feitos restauros de que resultaram, entre outros. o atual claustro, a torre ameada e o botaréu da frontaria. No século XVI, Afonso III anexou o mosteiro, até então ocupado apenas por beneditinos, ao Colégio de Nossa Sra. da Graça de Coimbra, dos Eremitas de Santo Agostinho, para o que obteve bula papal. Frei Luís de Montóia, graciano, eremita e confessor da casa real, foi nomeado comendatário de Cete, tendo depois legado a comenda à sua Ordem. Em 1613 morre o último dos frades beneditinos e o convento passa a estar ocupado apenas pelos regrantes de Santo Agostinho. Em meados do séc. XVIII já só havia dois monges a assegurar o serviço religioso na localidade. A extinção das ordens religiosas no século seguinte (1834) seria a machadada final na vida monástica do cenóbio.
Os restauros e intervenções de conservação ocorreram em 1881/1882
(reparação do telhado, reparação do altar-mor, …), nas décadas de 30
(remoções, reconstituições, …) e 90 do Séc. XX (conservação, arranjo,
limpeza,….). Foi decretado Monumento Nacional a 16 de Junho de 1910
(DG n.º 136, de 23 junho 1910). Passa a ser tutela do IPPAR na década de 90,
integrando a Rota do Românico.
CR
quinta-feira, 6 de maio de 2021
domingo, 25 de abril de 2021
INTERVENÇÃO
Intervenção na AM Paredes
Auditório A Lord –
Lordelo
Relembrar o dia 25 de abril de 1974 é justo e necessário. Relembrar esse dia 25 de abril de 1974, esse dia límpido, singular e irrepetível, é tarefa de todos os democratas e progressistas. Mas ao lembrar Abril, hoje e tal como em anos anteriores em comemorações oficiais em Paredes, devemos refletir sobre o seu significado.
De Abril já muito se disse, importa só e apenas que Abril se cumprisse. Mas…
Em 1974 começamos uma época rica em conteúdos, prenhe de acontecimentos decisivos. Tudo o que hoje temos de mais positivo na nossa vida colectiva surge ou se regenera em abril de 1974.
As gerações mais novas, menos alertadas para as circunstâncias da História, não serão muito sensíveis a ganhos, conquistas, desenvolvimentos de então. Naturalmente assim é, porque não as viveram, como foi felizmente o meu caso, cedo protagonista entusiasta desses dias aos 18 anos de idade.
Mas a Liberdade, a Democracia, a liberdade de expressão e de associação, os direitos políticos e laborais, o direito às férias, o salario mínimo, o direito á saúde, educação e segurança social, a emancipação das classes média e inferior da sociedade, a construção do Estado Democrático, têm a sua origem nesse período, base e estrutura do sistema político constitucional.
De um pais com passado colonial, passamos a um pais respeitado e aberto ao mundo, com uma referência identitária de promotor de Paz.
Tempo de contradições, de conflitos, quiçá de angústias, mas tempo de construção acelerada do futuro. Onde o som das gargantas nas ruas e os cravos vermelhos nas mãos abriram alamedas de expetativas luminosas.
Mas como Revolução Libertadora, Abril não se cumpriu na totalidade, antes pelo contrário, em muito regrediu e se desvirtuou. O socialismo amplamente apregoado foi metido em gaveta ou sótão poeirento e foi substituído por um liberalismo de vários matizes, sem princípios ou valores, onde cedo grassou práticas de corrupção, obscurantismo e desigualdade. E onde parcelas importantes da nossa economia e sector financeiro foram desviados para mãos do estrangeiro.
O Estado foi aprisionado por sucessivos governos (com poucas intermitências…) por lógicas privadas e interesses obscuros, como as privatizações, ou as concessões de serviços públicos. O enriquecimento ilícito, a evasão fiscal, a fuga de capitais para o exterior, são consequências dessa promiscuidade público-privado, dessa porta giratória entre governos e conselhos de administração das grandes empresas nacionais e estrangeiras.
Com a integração europeia, acentuaram-se mecanismos externos de dependência, com a utilização de fundos ditos estruturais para obras de utilidade muito duvidosa ou conjuntural, sem real beneficio para o PIB. A economia estagnou.
O país está mais dependente, perdida a soberania alimentar, a soberania energética e sendo atualmente emissor de mão-de-obra e recursos humanos, muita da qual altamente qualificada, para os países mais ricos.
O país vive numa subalternidade, subjugado pelos ditames do sistema politico dominante mundial.
Devido ao tempo disponível, assinalaria por fim e telegraficamente três sectores julgados essenciais no tempo presente e a carecer atenção prioritária:
- a Saúde e os seus
profissionais, indispensáveis ao bem estar e à vida das populações; o SNS como
conquista democrática de Abril, suas virtualidades, suas potencialidades, sua importância.
A valorização de recursos humanos, de meios técnicos, a dignificação de
carreiras
- a Educação, os seus profissionais, professores e outros agentes educativos. A Escola Pública como base de toda a formação integral do individuo e da cidadania. O reforço da motivação dos profissionais e a centralidade da Escola na formação de mentalidades, na defesa da solidariedade e não do individualismo e da competitividade, e no combate à desigualdade social. O sucesso educativo individual e a inclusão, como grandes objetivos.
. e por fim o Poder Local, os autarcas como representação efectiva do interesses das populações e fator de crescimento e desenvolvimento das comunidades. Um apelo à qualificação e à criatividade. E aqui permito-me referir a desilusão profunda com o não cumprimento da promessa da revogação da anexação de freguesias efectuada contra a vontade das populações.
De Abril já muito se disse, importa só e apenas que Abril se cumprisse.
Assim termino.
Cristiano Ribeiro –
CDU Paredes
25abril2021
quarta-feira, 3 de março de 2021
Intervenção
Intervenção inicial de debate com um eleito da CDU na Assembleia Municipal de Paredes , promovido pelo Rotary de Paredes , sob o tema "O FUTURO DE PAREDES"- Dia 2 de março de 2021
Meus senhores,
Falar do futuro de
Paredes, concelho em que somos autarcas eleitos e em que trabalhamos ou
residimos, é uma tarefa aliciante.
Tudo o aqui eu disser
(e que só a mim em última instância responsabiliza) pode ser lido como desejo
inconsequente, promessa inviável ou discurso sem adesão á realidade. É um
risco. Não é meu propósito fazer proselitismo.
O desafio proposto porém
merece resposta. Que concelho desejaríamos ajudar a construir?
Certamente um
concelho de referência, não necessariamente o MELHOR, mas certamente diferente
do atual. Um concelho amigo do ambiente, atravessado de rios e riachos de águas
límpidas e margens cuidadas, e dispondo de universais infra-estruturas de
abastecimento de água e saneamento. Um concelho próspero, de raízes sólidas no
Trabalho e na sua dignidade. Um concelho de múltiplas oportunidades de
realização e de crescimento pessoal e colectivo.
O que falta?
Fazer todo um longo
caminho. Até uma nova sociedade, socialista. Utopia, dirão alguns. Correr atrás
de uma utopia vale a pena? Sim, mesmo que nunca se alcance, serve para não se
deixar de caminhar, disse-o sabiamente Eduardo Galeano.
Convém referir o que
penso, o pensamento de um comunista de idade madura, com história eivada de reflexões,
peripécias e acontecimentos.
Penso (e aqui
desapontarei alguma expetativa muito “localista” dos meus caros anfitriões) que
antes de Paredes _ o seu passado, presente e futuro _ está o Pais. O todo
condicionará sempre a parte. Nunca haverá ilhas possíveis de um diferente desenvolvimento
e de progresso num Pais unitário, não regionalizado.
Tenho como certo que
é preciso construir sistematicamente e com persistência uma sociedade
diferente, uma sociedade de valores e objectivos comumente aceites, para o qual
somos (e queremos ser) atores indispensáveis.
Duas frivolidades:
- O País será sempre
o que os seus cidadãos quiserem, independentemente das propostas de quem
estuda, pensa e julga poder concretizar um futuro melhor.
- O País concreto tem
sempre alternativas, umas mais conformes a um destino de subalternidade, de uma
“apagada e vil tristeza”, cemitério de infelicidades e frustrações.
Estando a reler “Os
miseráveis” de Vitor Hugo, interrogo-me se a sociedade francesa aí descrita no
século XIX não será a mesma sociedade presente, nos seus traços gerais, quer
sociais quer psicológicos.
Assistimos aqui como então
a uma inaceitável desigualdade, a uma polarização da riqueza, à subversão de
princípios éticos, ao mesmo desespero, consciente ou não, perante a injustiça,
a fragilidade económica e a doença.
Os forçados de então
remetidos às galés para cumprirem penas são os emigrantes de agora, exilados em
precárias condições de trabalho na Europa dita rica, a cumprir as penas da
sobrevivência.
Será esse sempre o nosso destino?
Vejamos a nossa aposta
na Educação. Uma Educação pública, de qualidade e generalizada, desde a
infância à vida adulta, é essencial para a construção de uma sociedade melhor.
Quanto mais instruídos formos, mais capazes seremos de abrir novos rumos na
cidadania e na LIBERDADE. Sim, só é verdadeiramente livre quem dispuser de
pensamento autónomo, devidamente fundamentado, fruto de aprendizagem e experiência
própria e alheia, capaz de exprimir a sua individualidade e opinião.
Uma sociedade
participativa exige portanto conhecimento, literacia, competência, afastadas as
mediocridades e as ignorâncias. Será isto utópico?
Vejamos a nossa aposta
na Saúde. Uma Saúde ao alcance de todos constitui-se em fator de estabilidade e
segurança, baluarte numa sociedade de destino comum e solidário. Os tempos
presentes confirmam que um Serviço de Saúde público mais do que uma
circunstância, fruto de emergência, deve constituir orientação civilizacional e
permanente. Será isto utópico?
Uma sociedade com
acesso concreto e permanente aos benefícios dos avanços da ciência cumpre igualitariamente
as necessidades individuais.
Vejamos a nossa aposta no
Estado, nas suas instituições, nos seus serviços. Mais do que discutir a sua
dimensão, ou a sua reorganização, importaria discutir o exercício das suas
funções, a legitimidade da sua acção, a sua eficácia, a administração como
escola de virtudes.
Uma sociedade que
defende serviços públicos de qualidade, que se orgulha das suas instituições e
nos seus representantes, que encontra na sua acção a projecção dos seus
desejos, constitui-se em digna construtora da utopia de que falava.
Por último, falarei
um pouco do papel exigível aos comunistas e aliados na CDU. E aqui volto ao
estrito plano local. Temos obra e referências. Mesmo que limitadas.
Somos acusados de
conviver com benefício próprio com diferentes gestões autárquicas. Votamos no
passado e no presente a favor de planos e orçamentos. Os que se indignaram
ontem, de dedo em riste aceitam agora e vice-versa. Respeitamos a vontade
popular expressa em eleições. Por razões de identidade, mesmo incompreendidos
ou silenciados, somos autónomos e coerentes.
Reafirmo um
compromisso de permanente diálogo com todos, independentemente de circunstancialismos.
Não temos um guião aplicável que nos diga que por exemplo, a taxa de IMI deve
ser x ou y, independentemente de investimentos programados. Ou outras receitas programadas
ou modelos.
Procuramos ser fiéis
a um passado glorioso de 10O anos de existência, o que convenhamos, não é
pouco.
Como diz Jorge Palma,
enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar…mesmo que contra a
corrente!
Agradeço o simpático convite.
E estou disponível para o diálogo.
CR


