um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

DA OPORTUNIDADE HISTÓRICA DE TER BONS AMIGOS

É verdadeiramente desolador podermos constatar que algures no tempo perdemos uma oportunidade de mudar o nosso destino por não ter os amigos certos ou deles não ter disfrutado certas características.
Cavaco Silva serve de exemplo histórico, confirmando a sua vida uma luminosa via para o sucesso. Cavaco escolheu bem (sempre) os seus amigos.

Cavaco Silva em 2001 adquiriu umas “acções” da SLN, propriedade do BPN. Eram “acções” não cotadas, mas eram “acções” “amigas”. Quem as vendeu, não se sabe em concreto, mas não admira que tenha sido Oliveira Costa ou Dias Loureiro, colaboradores no seu Governo, e administradores na SLN. Não se tratavam propriamente de investimentos de poupança, mas sim de “compromissos de afinidades”.

O BPN era um banco “amigo” do PSD, muito ideologicamente “cavaquista”. E Cavaco Silva permanecia presente / falsamente ausente na cena política. A venda das referidas “acções” com lucros de 140% constitui-se da parte da SLN num “prémio” ao Professor e família. Afinal a solidariedade não se paga sempre com robalos ou com prendas de Natal à Godinho. O “negócio” de “família” dirigida por Oliveira Costa corria bem, e 2003 até parecia um ano em que 3 setas apontavam para o céu.

Os negócios mais tarde descambaram para o torto, surgiram inúmeros buracos, e muitos decidiram transformar o BPN num Belo Pântano de Negociatas. Cavaco fora eleito com o apoio militante dos BPN’s e financiamento substantivo do Banco e via partir alguns dos seus amigos para os off shores e para o submundo. As penitenciárias não tinham certamente instalações para tão notáveis personagens.

Quando os esquemas ruiram, ruiu a farsa da supervisão, o controlo de accionistas e clientes, a confiança do sistema mas Cavaco já lá tinha há muito os 147.500 euros de “agradecimentos” do amigo Oliveira Costa.

Em 3 dias, Governo e Presidente da Republica (o nosso Cavaco Silva) entenderam-se num PREC moderno, um Processo Recuperador do Emprego do Cavaquismo, “nacionalizando” os prejuízos do BPN, mas tentando defender os interesses da Casa –Mãe, a SLN, não lhe tocando no património. Salvou-se um banco insolvente, evitou-se a “falência judicial” onde o cavaquismo e a luso “social democracia” iam em público arder em lume brando.
São instrumentos deste PREC outras almas penadas do cavaquismo, como Faria de Oliveira e Norberto Rosa, agora na gestão da CGD, agora na comissão liquidatária do BPN, agora alegremente na Comissão de Honra da Candidatura de Cavaco. O país acudiu ao dislate e ao roubo, exangue, empobrecendo, definhando. Cada euro de lucro de Cavaco, de outrora, se corporiza em sacrifícios e injustiças.

Como é importante saber escolher amigos!

Cristiano Ribeiro

Sem comentários:

Enviar um comentário