Um cadáver de uma mulher idosa provavelmente falecida há uns 9 anos permaneceu incólume num apartamento da periferia de Lisboa. Ninguém se preocupou verdadeiramente com o destino da nossa compatriota, nem lhe assegurou ao longo do tempo qualquer hipótese de existência, mesmo morta.
Uma insensibilidade idiota percorreu os cérebros, as obrigações legais e as emoções de agentes de autoridade, de agentes da justiça, do direito fiscal e de familiares e vizinhos. Se houve alguma excepção, foi tímida ou pouco convicta.
A vergonha salta á vista. Acumularam-se erros, cobardias, burocráticos procedimentos. Não vimos a morte, porque desprezamos a vida. O único cheiro que nos mobiliza é o do dinheiro. Fechamos a porta á decência e á solidariedade. E acumulamos cadaveres que são incapacidades e injustiças.
Exportamos cada vez mais. Exportamos noticias de uma selva, deste subdesenvolvimento chocante e triste de que padecemos.
Uma insensibilidade idiota percorreu os cérebros, as obrigações legais e as emoções de agentes de autoridade, de agentes da justiça, do direito fiscal e de familiares e vizinhos. Se houve alguma excepção, foi tímida ou pouco convicta.
A vergonha salta á vista. Acumularam-se erros, cobardias, burocráticos procedimentos. Não vimos a morte, porque desprezamos a vida. O único cheiro que nos mobiliza é o do dinheiro. Fechamos a porta á decência e á solidariedade. E acumulamos cadaveres que são incapacidades e injustiças.
Exportamos cada vez mais. Exportamos noticias de uma selva, deste subdesenvolvimento chocante e triste de que padecemos.
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