


IGNACIO HIDALGO DE CISNEROS, COMANDANTE DA AVIAÇÃO REPUBLICANA E EXILADO EM BUCARESTE
No ano de 1966 morreu em Bucareste, na solidão do exilio romeno, o militar Ignacio Hidalgo de Cisneros, comandante da aviação republicana durante a guerra civil espanhola. Homenageado pelas autoridades comunistas, foi e continua sendo esquecido pelas espanholas.
Pôde terminar antes de sua morte na capital da Roménia, onde viveu exilado, um livro, misto de memórias de guerra e pessoais, intitulado "Mudança de rumo". Um título acertado porque reflecte a viragem ideológica de um homem com uma trajectória atipica.
Nascido no seio de uma familia aristocrática em 1894 e educado na disciplina férrea da ordem e mando das academias militares, o aviador Hidalgo de Cisneros virou a bússola da sua existência para acabar sendo um destacado membro do Comité Central do Partido Comunista até à sua morte.
A primeira edição foi publicada em 1964 em Bucareste, dois anos antes da sua morte, e reeditada recentemente por uma editoria romena, incluindo algumas referências excluíds anteriormente.
A sua vida de aviador começa em 1920, quando se integra na Força Aérea Militar Espanhola, participando nas campanhas de África (no seu livro denuncia os crimes con armas quimicas cometidos em nome do imperialismo espanhol), e a sua actividade politica publica nol 15 de Dezembro de 1930, quando participa junto com outros militares republicanos, como Queipo de Llano (que se tornaria um sádico assassino ao serviço do fascismo contra a Republica), na intentona golpista contra a monarquia que foi dirigida por Ramon Franco, irmão de Francisco Franco (em que pretendiam bombardear o palácio real). No final o golpe fracassou e Hidalgo de Cisneros veio para Portugal.
Após a proclamação da II Republica, no 14 de Abril de 1931, retorna a Espanha, e em 1933 converte-se em adjunto militar em Roma e Berlim, onde conhece a deriva ideológica dos regimes fascistas que estavam triunfando na Europa e que em breve chegariam a Espanha. Após a Revolucão das Asturias de Outubro de 34, ajuda á fuga de seu amigo Indalecio Prieto. Quando se dá o golpe de Estado militar de 18 de Julho de 1936 está em Madrid como ajudante de Casares Quiroga, Ministro da Guerra, e a sua presença é fundamental para conseguir que a aviação espanhola continuará a apoiar o governo democrático.
Já em pleno governo de Largo Caballero, é nomeado Chefe de Estado Maior da Aviação, cargo que manteve durante o governo de Negrin.
Filiou-se no Partido Comunista de Espanha durante a guerra (conjuntamente com sua esposa Constancia de la Mora), o que o distanciou do seu amigo Indalecio Prieto, ferveroso anticomunista, e negociou directamente com Staline um envio de armas ao exército da democracia espanhola, o republicano. Também conseguiu do governo soviético ajuda para construir uma fábrica de construção e reparação de aviões militares, onde se davam cursos de pilotagem lecionados por técnicos russos.
Na final da guerra saiu de Espanha com Negrin, Alvarez del Vayo e os mais destacados dirigentes do PCE, em direcção a Paris. Depois foi para o México, onde foi professor na Universidade Obrera e depois para a União Soviética, mudando-se por último para Bucareste com a emissora Radio España Independiente, com quem colaborou.
Morreu em Bucareste, sendo ainda membro do Comité Central do Partido Comunista de Espanha, em 9 de Fevereiro de 1966, e foi homenageado pela União Soviética e pelo governo socialista romeno con honras de general no exercício do cargo.
No seu livro narra como se desenvolveu a sua vida militar, e como se convirteu em um lutador pela liberdade e pela instauração de um regime democrático, primeiro em Espanha, e depois nos paises onde viveu exilado. Narra acontecimentos desconhecidos, como a utilização pelo exército de Espanha de armas quimicas nas montanhas do RIF marroquino nas campanhas africanas, como la participacion de membros da "quinta coluna franquista" nos grandes disturbios de 1937 em Barcelona, detalhes da intensa vida estrategica e politica dos governos republicanos durante a guerra civil, ou revelações sobre a guerra, como a siguinte anedota sobre a forma de actuar dos criminosos fascistas, no contexto das primeiras batalhas aéreas contra a aviação franquista depois da chegada de aviões russos e pilotos soviéticos:
"Escassos dias depois desta batalha ocurreu um acontecimento pouco conhecido (pois naqueles tempos não podiamos revelar a presença de pilotos soviéticos a nosso lado), que como espanhol me envergonha relatar, mas considero uma obrigação fazê-lo, para recordar uma vez mais o que é o fascismo. Um avião fascista lançou ao anoitecer, sobre Madrid, com paraquedas, um caixão dentro do qual se encontrava o cadaver esquartejado de um piloto soviético que, por desorientação, había aterrado em zona inimiga, perto de Segovia. No caixão vinha um papel donde tinham escrito escrito: "Este presente é para o Chefe das Forças Aéreas dos vermelhos e dá nota da sorte que o espera a ele e a todos os seus bolcheviques".
Hidalgo de Cisneros viveu num mundo em transformação e elegeu a opção da luta por melhora-lo, apesar das suas origens aristocráticas e sua formação conservadora. Um exemplo a seguir e a recordar. Ainda que os goviernos dos paises submetidos à dictadura do capital prefiram que o seu exemplo não seja lembrado.
Hidalgo de Cisneros viveu, trabalhou e morreu em Bucareste. Foi enterrado aí até que, após a morte de Franco, a sua familia transportou os seus restos mortais à sua Alava natal.
Tradução de parte do conteúdo: CR
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