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domingo, 4 de setembro de 2011

Cúmplices


O artigo piegas de João Adelino Faria no suplemento Dinheiro Vivo do JN de 3 de Setembro ilustra a concepção de jornalismo que por aí domina.

Quer se intitule de guerra ou não, o jornalismo protagonizado por Cândida Pinto (CP) e Paulo Dentinho (PD) não passa da transmissão de um conjunto de encenações e mistificações repetidas como se fossem verdades objectivas.

Talvez significativamente e por isso em artigo elogiando a “coragem” e o “profissionalismo” de jornalistas colocados dentro de um hotel em Tripoli ou em áreas controladas pelo conluio NATO/”rebeldes”, Adelino Faria titula “O que os faz correr”. Quando se diz que os referidos CP e PD relataram factos e não foram protagonistas, mente-se mas percebe-se o que se quer dizer. Limitaram-se a relatar o que perante os seus olhos mostravam as centrais de comunicação mediática, quer sejam europeias, norteamericanas ou árabes.

Da sua boca nunca se ouviu falar da actividade fundamental, no decurso da ofensiva, dos aviões da NATO bombardeando sistemática e implacavelmente cidades e objectivos estratégicos. Da sua boca nunca se ouviu falar da corrente islamita extremista, com mercenários estrangeiros e membros da Al Qaeda, com presença em Benghasi. Da sua boca nunca se ouviu falar dos milhões de imigrantes presentes na Líbia, do seu destino e da xenofobia e racismo dos novos senhores. Da sua parte nunca se ouviu falar das mortes e execuções públicas, que começaram no início em Benghasi, do ódio desencadeado, da hipocrisia no apoio á mudança de campo dos piores agentes de repressões do passado da Líbia. Da sua boca nunca se ouviu falar da ganância e da impunidade dos que se preparam para expropriar recursos nacionais. Da sua parte nunca se ouvirá falar das mentiras propaladas, como a de uma Força Aérea que matava o seu próprio povo, de uma rebelião genuína mas sabe-se liderada no terreno por forças especiais britânicas e americanas, de corpos carbonizados e de mãos atadas que pela farda se percebe que eram membros do exército governamental. CP e PD mentem, calam, colocam a sua voz ao serviço de uma aventura político-militar monstruosa.
Significativamente são os comentadores ausentes no terreno como o General Loureiro dos Santos quem nos elucida e interpreta os factos. Com a objectividade necessária sem cair na tentação de ser o rafeiro de serviço, o his master voice. João Adelino Faria podia ter-nos poupado ao exercício corporativo. A parede mínima que protegia PD das balas incertas não o protegia do proselitismo e da oportunidade de ultrapassar a decência mínima.

O que faz correr o jornalismo? A cumplicidade com o crime, com TERRORISTAS de Estado, com os escroques da política internacional?

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