Tinha acabado de observar
sumariamente os jovens futebolistas das escolas de formação do Aliados de
Lordelo. Eram perto de 80 exames médicos, que tinham ocupado uma parte
significativa da tarde de uma quinta-feira. Cansado, mas com consciência do
dever cumprido, dirigia-me para fora das instalações, quando encontrei um velho
conhecido das lides políticas locais. Era eleito do PS na Assembleia Municipal
de Paredes. De chofre, perguntou-me pela inexistência no terreno dos cartazes
com a fotografia da candidatura da CDU á Câmara. Respondi-lhe com a minha
presença ali em apoio de uma colectividade desportiva.
E porque ele era figura
predominante no PS concelhio, interroguei-o se ele seria o candidato á sua
freguesia. Respondeu-me que era o 6.º da lista da Câmara. O presidente da Junta
de Freguesia, eleito em lista PS, no final do seu 1º mandato, foi “pescado”pelo
PSD. Nada que não se soubesse da noite eleitoral de 2009 em que proclamou publicamente
que era e continuava PSD. Mas o meu interlocutor não se “desfez”: ele tinha
encontrado para o PS um “trunfo eleitoral”, uma mais-valia. Era, nada mais nada
menos, o candidato do PSD derrotado em 2009.
Afastei-me perturbado do local. Os
cartazes eleitorais deviam ter um “termómetro” que assinalasse a falta de
dignidade de actores políticos. Até a “santinha de Beire” ficou incomodada.
CR
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