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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

a cuspidela da serpente

Medina Carreira é uma personalidade mediática digna de referência. Assisto por vezes entre o indignado e o desalentado a referências muito elogiosas às suas intervenções televisivas. Embora correndo o risco de ofender certos espíritos, tenho como certo que ele mostra contudo uma inequívoca mentalidade proto-fascista.

Recentemente ele desafiava os seus moderados interlocutores (Judite de Sousa, Ricardo Costa) em plena televisão, com uma atitude sobranceira, mal-educada e arrogante. Interrompia, gesticulava, conduzia o diálogo, impunha a arruaça, como se estivesse na sua casa falando com um serviçal. Era o tom populista e demagogo, avesso ao contraditório, soltando faúlhas em território e tempo secos.

Discutia-se a Administração Pública, o Estado asséptico, perigoso  e dispensável que ele gosta de zurzir. Era certo e sabido que nessa Administração ele só enxerga despesa, ineficácia, incompetência. Referia que os funcionários públicas tinham sido outrora “privilegiadíssimos” e agora tinham de ser “castigados” com o despedimento. Uma ausência gritante de consciência do papel do Estado na condução de políticas (evidentemente) públicas, uma comparação idiota entre a empresa e o serviço público.

E se por vezes há pontos de contacto e até de convergência com uma postura crítica séria da realidade, tal resulta de um diagnóstico comum, mas com respostas muito diferenciadas, porém. O catecismo medinista é baseado num caudilhismo esclarecido, uma ditadura funcional, de pouco pensamento e reflexão e muito voluntarismo e impulso. Tenho para mim que Medina Carreira é um economista sofrível e um politico (estatuto que desdenha) medíocre.

Vejo nas suas intervenções muito do discurso “político” do taxista indignado da grande cidade. Tem sempre aparentemente razão, mas no fundo o seu fel, distribuido generosamente, não serve para nada.


CR


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