Medina Carreira é uma
personalidade mediática digna de referência. Assisto por vezes entre o
indignado e o desalentado a referências muito elogiosas às suas intervenções
televisivas. Embora correndo o risco de ofender certos espíritos, tenho como
certo que ele mostra contudo uma inequívoca mentalidade proto-fascista.
Recentemente ele
desafiava os seus moderados interlocutores (Judite de Sousa, Ricardo Costa) em
plena televisão, com uma atitude sobranceira, mal-educada e arrogante. Interrompia,
gesticulava, conduzia o diálogo, impunha a arruaça, como se estivesse na sua
casa falando com um serviçal. Era o tom populista e demagogo, avesso ao
contraditório, soltando faúlhas em território e tempo secos.
Discutia-se a Administração
Pública, o Estado asséptico, perigoso e
dispensável que ele gosta de zurzir. Era certo e sabido que nessa Administração
ele só enxerga despesa, ineficácia, incompetência. Referia que os funcionários
públicas tinham sido outrora “privilegiadíssimos” e agora tinham de ser “castigados”
com o despedimento. Uma ausência gritante de consciência do papel do Estado na
condução de políticas (evidentemente) públicas, uma comparação idiota entre a
empresa e o serviço público.
E se por vezes há pontos
de contacto e até de convergência com uma postura crítica séria da realidade,
tal resulta de um diagnóstico comum, mas com respostas muito diferenciadas,
porém. O catecismo medinista é baseado num caudilhismo esclarecido, uma
ditadura funcional, de pouco pensamento e reflexão e muito voluntarismo e
impulso. Tenho para mim que Medina Carreira é um economista sofrível e um
politico (estatuto que desdenha) medíocre.
Vejo nas suas intervenções
muito do discurso “político” do taxista indignado da grande cidade. Tem sempre aparentemente razão,
mas no fundo o seu fel, distribuido generosamente, não serve para nada.
CR
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