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segunda-feira, 21 de abril de 2014

UM IDIOTA FAMOSO


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, espera que o novo secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, que antigamente ocupava o cargo de primeiro-ministro da Noruega, tenha uma postura muito mais digna do que o seu antecessor, Anders Rasmussen. Stoltenberg irá suceder o seu congénere escandinavo a partir do dia 1 de Outubro.

Um episódio sobre a gravação e a divulgação pelo ex-chefe do Executivo dinamarquês de uma conversa com o líder russo cativou atenção dos participantes da Linha Direta (entrevista televisiva) de Vladimir Putin mantida em 17 Abril. Após a entrevista, Putin apontou a necessidade de “normalizar as relações com a Aliança Atlântica”. Mas isto dependerá da OTAN e do seu novo secretário-geral. Com o secretário-geral anterior nem valia a pena tentar fazê-lo: como se pode lidar com uma pessoa que menospreza as normas elementares da ética e da moral? Tanto mais durante conversações a mais alto nível?

A julgar por observações de Vladimir Putin, o novo secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, parece ter uma “atitude muito mais séria na questão de estabilização das relações com a Rússia”. Ele é “uma pessoa séria”, disse Putin.

“Temos relações pessoais muito boas. Ele é uma pessoa séria e responsável. Vamos ver como se comportará no novo cargo”, realçou Putin. Irão melhorar as relações entre a Rússia e o ocidente até ao fim do ano? “Sabem, isto não depende apenas de nós. Depende de nossos parceiros. Não vejo obstáculos que impeçam a normalização das relações bilaterais”, salientou Vladimir Putin.

Claro que as relações entre Moscou e a OTAN não dependerão apenas de Stoltenberg, como não dependeram de Rasmussen. O maior papel na aliança tem sido desempenhado pelos EUA, principal financiador da OTAN. Mas o novo secretário-geral poderá influir sobre o ambiente que se vive nesse bloco político-militar. Por exemplo, não deturpar fatos e abdicar de suspeitas em relação à Rússia que já tornaram comuns e típicas no governo de Rasmussen.

Até o dia 21 de Abril, o departamento de imprensa da OTAN tinha desmentido o fato de gravação daquela palestra, qualificando-a de “absurda”. A porta-voz da OTAN, Oana Lungescu, declarou que os russos procuram, dessa forma, “desviar a atenção da crise ucraniana”.
Um escandaloso caso ocorreu em 2002, no decurso de uma visita de Putin a Bruxelas no âmbito da cúpula Rússia- EU. Rasmussen insistiu num encontro que, aliás, não tinha sido agendado. Segundo o presidente russo, a conduta de Rasmussen em 2002 era chocante. “Ele trouxe um gravador portátil e, às escondidas, fez a agravação para publicar na imprensa. Não pude acreditar nisso. Ele disse ter feito isso “para a história”. Isso poderia me agradar, mas, de qualquer maneira, ele devia-me avisar ou pedir licença para a publicação. Tais incidentes não podem aumentar a confiança”.

Ora, foram necessárias múltiplas provas da imprensa dinamarquesa e de outros participantes do “comportamento anormal” do primeiro-ministro dinamarquês para que a OTAN e os adjuntos de Rasmussen pudessem reconhecer o facto da gravação. Mas o facto era negado por “motivos de ignorância”.

O jornalista Christopher Guldbransen que filmava então o documentário “Fogh bag facaden” disse ter fixado um microfone na camisa do primeiro-ministro. Depois disso, Rasmussen foi para conversações com Putin. Essa palestra foi gravada e usada no filme, reconheceu Guldbrasen. Foi, de fato, um spot publicitário do primeiro-ministro dinamarquês.

Da mesma maneira foram gravadas para o filme as conversas com o presidente da França, Jacques Chirac, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair e o chanceler alemão, Gerhard Schroder, e outra personalidades oficiais que nada sabiam de gravações como essas.
Os encontros ao mais alto nível têm suas normas e regulamentos. Mas gravar em segredo um discurso de seu interlocutor e depois divulgar a gravação considera-se de uma baixeza incrível. Tais exercícios são praticados por delatores e intrigantes.

No entanto, existe na Rússia a esperança de que com Stoltenberg à frente na OTAN as relações se estabilizem. Rasmussen tinha-as estragado por completo. Aliás Rasmussen, um cínico perigoso, que devia ser julgado por Tribunais Internacionais, está ligado às piores aventuras do imperialismo.

Quanto a Stoltenberg, ficou famoso por encenar uma campanha publicitária eleitoral, conduzindo um táxi nas ruas de Oslo.


CR

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