O presidente da Rússia,
Vladimir Putin, espera que o novo secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg,
que antigamente ocupava o cargo de primeiro-ministro da Noruega, tenha uma
postura muito mais digna do que o seu antecessor, Anders Rasmussen. Stoltenberg
irá suceder o seu congénere escandinavo a partir do dia 1 de Outubro.
Um episódio sobre a gravação e a divulgação pelo ex-chefe
do Executivo dinamarquês de uma conversa com o líder russo cativou atenção dos
participantes da Linha Direta (entrevista televisiva) de Vladimir Putin mantida
em 17 Abril. Após a entrevista, Putin apontou a necessidade de “normalizar as
relações com a Aliança Atlântica”. Mas isto dependerá da OTAN e do seu novo
secretário-geral. Com o secretário-geral anterior nem valia a pena tentar
fazê-lo: como se pode lidar com uma pessoa que menospreza as normas elementares
da ética e da moral? Tanto mais durante conversações a mais alto nível?
A julgar por observações de Vladimir Putin, o novo
secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, parece ter uma “atitude muito mais
séria na questão de estabilização das relações com a Rússia”. Ele é “uma pessoa
séria”, disse Putin.
“Temos relações pessoais muito boas. Ele é uma pessoa séria e
responsável. Vamos ver como se comportará no novo cargo”, realçou Putin. Irão
melhorar as relações entre a Rússia e o ocidente até ao fim do ano? “Sabem,
isto não depende apenas de nós. Depende de nossos parceiros. Não vejo
obstáculos que impeçam a normalização das relações bilaterais”, salientou
Vladimir Putin.
Claro que as relações entre Moscou e a OTAN não dependerão
apenas de Stoltenberg, como não dependeram de Rasmussen. O maior papel na
aliança tem sido desempenhado pelos EUA, principal financiador da OTAN. Mas o
novo secretário-geral poderá influir sobre o ambiente que se vive nesse bloco
político-militar. Por exemplo, não deturpar fatos e abdicar de suspeitas em
relação à Rússia que já tornaram comuns e típicas no governo de Rasmussen.
Até o dia 21 de Abril, o departamento de imprensa da OTAN tinha
desmentido o fato de gravação daquela palestra, qualificando-a de “absurda”. A
porta-voz da OTAN, Oana Lungescu, declarou que os russos procuram, dessa forma,
“desviar a atenção da crise ucraniana”.
Um escandaloso caso ocorreu em 2002, no decurso de uma visita de
Putin a Bruxelas no âmbito da cúpula Rússia- EU. Rasmussen insistiu num encontro
que, aliás, não tinha sido agendado. Segundo o presidente russo, a conduta de
Rasmussen em 2002 era chocante. “Ele trouxe um gravador portátil e, às
escondidas, fez a agravação para publicar na imprensa. Não pude acreditar
nisso. Ele disse ter feito isso “para a história”. Isso poderia me agradar,
mas, de qualquer maneira, ele devia-me avisar ou pedir licença para a
publicação. Tais incidentes não podem aumentar a confiança”.
Ora, foram necessárias múltiplas provas da imprensa dinamarquesa
e de outros participantes do “comportamento anormal” do primeiro-ministro
dinamarquês para que a OTAN e os adjuntos de Rasmussen pudessem reconhecer o facto
da gravação. Mas o facto era negado por “motivos de ignorância”.
O jornalista Christopher Guldbransen
que filmava então o documentário “Fogh bag facaden” disse ter fixado um
microfone na camisa do primeiro-ministro. Depois disso, Rasmussen foi para
conversações com Putin. Essa palestra foi gravada e usada no filme, reconheceu
Guldbrasen. Foi, de fato, um spot publicitário do primeiro-ministro
dinamarquês.
Da mesma maneira foram gravadas para o filme as conversas com o
presidente da França, Jacques Chirac, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair
e o chanceler alemão, Gerhard Schroder, e outra personalidades oficiais que
nada sabiam de gravações como essas.
Os encontros ao mais alto nível têm suas normas e regulamentos.
Mas gravar em segredo um discurso de seu interlocutor e depois divulgar a
gravação considera-se de uma baixeza incrível. Tais exercícios são praticados
por delatores e intrigantes.
No entanto, existe na Rússia a esperança de que com Stoltenberg
à frente na OTAN as relações se estabilizem. Rasmussen tinha-as estragado por
completo. Aliás Rasmussen,
um cínico perigoso, que devia ser julgado por Tribunais Internacionais, está
ligado às piores aventuras do imperialismo.
Quanto a Stoltenberg, ficou famoso
por encenar uma campanha publicitária eleitoral, conduzindo um táxi nas ruas de
Oslo.
CR

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