Extracto
de Spartacus, de Howard Fast
Fala de Gracchus, um político
romano
“… Perguntaste-me
antes o que é um político. Bem, o político é o cimento deste edifício de
loucos. Em primeiro lugar, pensa como tu, e os cidadãos romanos não gostam que
os classifiquem de gado. Não o são – coisa que um dia aprenderás. Depois, ele nada
sabe acerca dos cidadãos. Se o deixassem agir, o edifício desmoronar-se-ia
imediatamente. Assim, procuram gente como eu. Não poderiam viver sem nós. Racionalizamos
o irracional. Convencemos o povo de que a suprema finalidade da vida é morrer
pelos ricos. Persuadimos os ricos de que devem sacrificar uma parte das suas
riquezas para salvar o resto. Somos mágicos. Criamos uma ilusão sólida. Dizemos
ao povo: sois o poder. O vosso voto é a fonte da força e da glória de Roma. Sois
o único povo livre do mundo. Não há nada mais precioso do que a vossa liberdade,
nada mais admirável do que a vossa civilização. E controlais tudo isto; sois o
poder. E o povo vota no nosso candidato. Chora com as nossas derrotas. Ri de
alegria com as nossas vitórias. E sente-se superior e orgulhoso de não ser
escravo. Por mais baixo que tombe, quer durma na sarjeta, passe os dias sentado
na arquibancada de uma arena, estrangule os filhos ao nascerem, viva das
esmolas do Estado e não levante, durante toda a sua miserável existência, nem
um dedo para trabalhar, que importa, se, mesmo assim, é livre. Vive na imundice,
mas cada vez que vê um escravo o seu ego exalta-se e sente-se cheio de orgulho
e poder. Sabe que possui a cidadania romana e que o mundo o inveja. E esta
ilusão é criada pela minha arte, Cícero. Não minimizes nunca a importância da política."
Sem comentários:
Enviar um comentário