A ideia de um muro entre os USA e o México já há muito existe.
A sua construção começou na administração democrática de Bill Clinton em
1994 para pretensamente impedir a entrada de imigrantes ilegais (Operação Guardião)
e agora tem uma extensão de 1130km, ou seja,
cobre um terço da fronteira entre o México e os EUA. O Trump apenas quer
ampliá-lo, de modo
a que o muro atinja a totalidade da fronteira que são três mil e tal quilómetros.
O muro começa na praia de Tijuana separando-a
de San Diego e avança rumo ao leste atravessando cidades como Tecate e
Mexicali. Em outros trechos, sobe e desce pelos montes de estados como
Califórnia, Arizona e Novo México, onde apenas se ouve o vento e habitam
veados, como uma variante tex-mex da Muralha da China.
Em outro terço da fronteira há um muro virtual, vigiado por câmaras,
sensores térmicos, raios-X e pelo menos 20 mil agentes fronteiriços, 518% a
mais do que há duas décadas, segundo um relatório elaborado pelo instituto
mexicano Colégio da Fronteira Norte e o Centro Norte-Americano de Estudos
Transfronteiriços.
Em seu último terço, o muro é natural. E também o mais barato do
mundo para vigiar, pois os rios e desertos de Sonora e Chihuahua agem como
sentinelas com suas temperaturas que chegam a 50 graus. Nas últimas duas
décadas, cerca de 8.000 migrantes morreram no local tentando atravessá-lo.
Muitos de nós não conhecíamos a
realidade do Muro, silenciado pelos mídia. Qualificado de “segurança” (o da
vergonha era o outro!), trata-se de uma
humilhação suprema para mexicanos e latino-americanos. Muitos de nós desconhecíamos
até hoje que 2,6 milhões de pessoas foram deportadas por ilegais pela
Administração Obama em 8 anos. Porém convém registar a sua existência. Sempre
que nos falem em Direitos Humanos, não esqueçamos os mortos e os deportados.
CR


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