Sei quem foi vencido. Quem usa sempre o preconceito racial como estratégia mais ou menos oculta de influenciar. Quem usa a irrelevante pertença tribal como instrumento de divisão.Quem sublinha as dificuldades e os atrasos como chicotes de autoflagelação e de desmoralização. Quem aposta numa guerra futura que reabilite os derrotados do passado.Quem nunca perdoe a independência, a autodeterminação, a unidade de uma nação nova, a refazer-se. Quem com raiva nunca esqueça os apoios internacionais á luta de libertação, e á luta pela reconstrução das infra-estruturas. Quem do exterior procure minar a real vontade dos angolanos, criando diversões, calúnias, focos de agitação, agitando papões. Quem esteja interessado em dificultar relações entre povos, como o de Portugal e o de Angola, com a migração de muitos milhares de pessoas, as relações económicas, a extensão da cooperação na formação e no apoio ao desenvolvimento. Quem faz no discurso sobre Angola o parente pobre, o lugar mais corrupto e inóspito do mundo, e na prática aproveita com gula indisfarçável todas as oportunidades e fragilidades de uma terra de enorme potencial em crescimento. Quem diaboliza para mais tarde surgir como salvador. Sei democraticamente quem venceu. Mas sublinho aqui e agora e sobretudo quem perdeu.
CR
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