um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

indicadores

 A FACTURA

2.204.252
Número de trabalhadores quem em janeiro receberam até mil euros de salário (dados da Segurança Social sobre a remuneração base)
1.563.710
Número de utentes sem médico de família no final de dezembro de 2025 (dados do portal da transparência do SNS). Ao mesmo tempo, desde 2011, o número de vagas abertas no internato médico é superior ao das vagas preenchidas (no ano passado, houve 2190 abertas e apenas 1915 preenchidas)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

texto

 O OVO DA SERPENTE

Ingmar Bergman, realizador sueco, filmou O ovo da serpente,  em 1977. É um filme impressivo, original no contexto da sua obra, que retrata a Berlim de 1923, numa Alemanha humilhada pela 1.ª Grande Guerra, com uma forte depressão e degradação sociais, uma hiperinflação, o medo, e a ascensão do nazismo hitleriano, tal como se concretizou nas décadas de 30 e 40 do século passado. Bergman alerta-nos assim para as circunstâncias passadas do nascimento da besta fascista e portanto para as possibilidades de um seu renascer. Já Bertold Brecht, o dramaturgo alemão, nos dizia que “a cadela do fascismo está sempre com o cio”.  

Há nas nossa sociedades muitas inquietações, ameaças e frustrações e há quem sugira respostas simples, imediatas, populistas ou falsas para os problemas que as causam. É um espécie de “envenenamento” interno, lento, sem aparente antídoto. Ou uma força que te faz obedecer, ou descrer, uma força que te põe de bem com outros e de mal contigo, como dizia Sérgio Godinho.

Há pessoas que perderam a noção de futuro, são meros sobreviventes do presente, e só. Substituímos a razão individual, o projeto de sociedade, pela emoção descontrolada de massas uivantes em êxtase. À ponderação, estudo e mesmo exigência respondemos com radicalismos inúteis, ressentimentos, boçalidade e generalizações. Espezinhamos o inferior para não contestar o superior.

Está em curso um processo de redefinição da consciência coletiva, do interesse coletivo, um tsunami que abala alicerces sólidos e apoios conjunturais. A serpente já saiu novamente do ovo. Invadiu o espaço público, as instituições, a vida social. Tem outra pele, outros instrumentos, mas é a mesma serpente.

Em tempo de refluxo, a civilização tem de resistir à barbárie. Com propostas e denúncias. Com coragem. Tais são as minhas reflexões do 8 de fevereiro.

 CR

 

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

texto

 FIM DE FESTA

Dia final de campanha eleitoral para as Presidenciais de 2026. Fim do triste reinado de Marcelo Rebelo de Sousa. Sem equilíbrio, sem consensos, errático, sem projeção futura. Não tendo sido nunca votante, apoiante ou simples entusiasta de Marcelo, considero terem sido anos e anos perdidos para uma solução de desenvolvimento. Com Marcelo, estiveram Passos Coelho, António Costa (descontado o período, a seu contragosto, da chamada “geringonça”). Com Marcelo tivemos a degradação dos serviços públicos, da Justiça, do SNS, o avanço para si complacente da extrema direita, as criminosas privatizações, o ódio aos imigrantes, a violência televisiva, o trabalho sem direitos e mal pago, a ausência de pluralismo na comunicação social, nomeadamente a pública, a emigração sem medidas cautelares de jovens quadros. Marcelo não me deixa qualquer saudade.

E agora, José?

António Filipe é o melhor. Com certeza. Pelo currículo, pelo desempenho atual. Sabendo quais os poderes atuais do Presidente da República, não descurando o poder de influência e de sinalização do rumo da governação. Não precisa de fingir que dança ou joga matrecos ou à bola ou ao pugilismo bacoco. As manifestações de populismo barato definem bem quem se é. a seriedade não dá votos por si só, mas liberta a consciência de opção certa. 

Catarina Martins também é alternativa. Com diferenças mais subtis para António Filipe (como na avaliação da atual Europa, na Paz), mas mantendo uma coerência de uma Esquerda plural, com convergências e divergências.

Jorge Pinto podia ser alternativa, mas não o é. Militante socialista da juventude no passado, ao mesmo PS voltará em breve, com ou sem o Livre. Conheci Jorge Pinto em debate sobre Saúde na Ordem dos Médicos. Tem ideias muito parcelares mas corretas sobre o tema, mas está muito longe de uma visão global do mundo (o caso da Ucrânia é exemplar). A dúvida persistente entre desistir agora ou não, ser ou não ser, é prova de imaturidade política.  

Em António José Seguro procura-se o que não se tem. Ausente uma década da vida política, em período grave do País, e em que muitas vezes se precisou de definição concreta de posicionamento, Seguro, contraditório,  aparece agora mobilizando muito a contragosto os dirigentes do PS, e uma parte do seu eleitorado e sem abertura assinalável ao chamado Centrão. Entre os apoiantes estão figuras polémicas da Direita como Santana Lopes, Vasco Rato (PSD) e Ricardo Valente (IL). O seu apelo lancinante ao voto útil da esquerda cola mal em quem se coloca como “moderado” e não como “socialista” ou de Esquerda”. Para quê o voto útil numa inutilidade?

Em Marques Mendes, temos o que sabemos que há. O alinhamento total com as políticas do PSD ou da AD, a relação privilegiada de lobbing com o mundo dos negócios, alguns dos quais muito obtusos, a presença não neutra e constante na comunicação social do sistema, um projeto pessoal de mando e poder. Perante a rarefação dos apoio partidários no PSD e no CDS /PP constata-se que o apoio fica-se pelo Luís Montenegro, Rui Moreira, pelo Toy e Dino Santiago. Antevejo noites difíceis na sede do PSD.  

Já o Almirante Gouveia e Melo, constata-se que representa o Dom Sebastião providencial que vem reabilitar o País. O discurso atual, frágil, não combina bem com a careta nem com o currículo parcial apresentado. Mas conseguiu juntar à sua volta personagens cómico-trágicas como Alberto João Jardim , Isaltino Morais e José Sócrates, uma parte significativa de notáveis do PSD ( Ângelo Correia, Fernando Negrão, David Justino, Paulo Mota Pinto, Adão e Silva...) e do PS (Manuel Pizarro, Correia de Campos) e Ribeiro Castro (CDS/PP)

Em Cotrim de Figueiredo juntou-se a fauna e fina flor dos gestores empresariais, e de marketing, Product Managers, Consultores de Comunicação, Licenciados e Mestrados em Administração, Negócios em Direito pela Universalidade Católica e outras privadas. Aí estão os comentadores avençados da SIC, TVI, CNN e da NOW ( Miguel Baugmater, Paulo Sande, Liliana Reis, Diana Soller, José Miguel Júdice, Nuno Eiró), algum aparelho da Justiça . os dissidentes do Chega. O candidato teve dois  reveses recentes (a abertura ao Ventrulha e a acusação do assédio sexual) mas a direita radical fofinha que representa penetrou em muitos jovens sensíveis ao seu discurso superficial e tecnocrático e anti-social.

Em André Ventura votará o aparelho político e mediático da extrema direita parlamentar, Pedro Passos Coelho e Rui Gomes da Silva (ex-PSD), Horácio Costa (dos Templários) e a multidão de salazaristas, homofóbicos, frustrados, analfabetos, cegos e delinquentes que por aí andam, atrás do Pastor.

CR

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

 A FINLÂNDIA Á BEIRA DO PRECIPÍCIO

Outrora era classificada como economia de mercado altamente industrializada, com produção per capita superior  a Alemanha, Reino Unido, França ou Itália. Era o tempo da Nokia. Porém ...

 Desde 2008, a economia e o PIB não cresce na Finlândia. Razões? Li:

 1) Decrescente nível de Educação (!!!), proporção no acesso de estudantes universitários a descer, desemprego de professores, aulas presenciais substituídas por aulas on line, burocracia, burnout de professores, cortes no investimento

2) Produtividade.

3) Subsídios nas empresas

4) Inovação tecnológica, falta de mão de obra, indústria pouco especializada

5) Envelhecimento da população

6) Juros militares   

A Finlândia aderiu à NATO em abril de 2023. Fechou as suas fronteiras com a Federação Russa, seu vizinho favorável, cancelou as suas relações e contratos. Bruxelas aplaudiu. Washington aprovou. Mas um ano após o país confrontou~se com as sanções da União Europeia à Federação Russa, a crise de energia e o fecho de 20% das suas farmácias. À custa da “solidariedade” europeia. Com milhares de famílias despedaçadas e a economia atingida duramente. O desastre económico.

Os preços da eletricidade para habitação aumentaram 40% num só ano. O governo está a fechar uma em cada 5 lojas. A União Europeia penaliza assim a Finlândia cortando o acesso aos fundos de investimento. A Finlândia, que trocou pela emoção a geopolítica, o realismo e a neutralidade pela emoção, e interesses próprios por interesses estrangeiros, perde quase tudo, ao contrário da Federação Russa, que nada perde. E estamos no início. Aumentam as despesas militares e há estagnação económica.

A Finlândia é agora, quem diria, a lanterna vermelha da economia europeia, a dívida aumenta, é campeã inútil da austeridade, com impasse na obsessão pela redução do défice, e vê o desemprego atingir os 10,5% (pior na Europa, só Espanha),  o PIB negativo, o consumo e investimento em baixa, despesas públicas em baixa, reforma das pensões retirando direitos e nova lei favorecendo despedimentos. O governo, de direita, é muito impopular, aguardando 2027 para cair. A vizinha Suécia cresce economicamente vinte e cinco vezes mais do que a Finlândia.  

O leste da Finlândia, junto à fronteira da Federação Russa, é espelho de uma crise profunda. Cidades fantasma, sem comércio, sem turistas, sem indústria, sem energia. Cidadãos em pânico.  

 CR

  

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

 

DESENVOLVIMENTO

Os comunistas vietnamitas apontam para uma taxa média de crescimento anual do PIB de pelo menos 10% entre 2026 e 2030. Estimam que o PIB per capita atinja 8500 dólares em 2030. Nos últimos anos, a taxa de pobreza no Vietname diminuiu de forma significativa, passando de 31 milhões de pessoas em situação de pobreza em 1992 para 600 mil este ano, numa população total estimada em 101 milhões de pessoas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

 SOLIDARIEDADE INTERNA E EXTERNA

A campanha de eliminação de habitações temporárias e precárias no Vietname que se deveria desenvolver até 2030 foi concluída em apenas 16 meses, antecipando em mais de 5 anos o prazo previsto : 225 mil casas foram construídas e 79 mil casas reabilitadas.

O trabalho voluntário foi o elemento determinante. Foram mais de 2,7 milhões de dias de trabalho oferecidos por vizinhos, organizações sociais e militares do Exército do Povo DO Vietname. A Juventude Comunista Ho Chi Minh contribuiu com mais de 485 mil jornadas , designadamente em zonas montanhosas e remotas.

Há dias, o embaixador de Cuba em Hanói recebeu do Presidente do Comité Central da Frente Patriótica do Vietname 23,3 milhões de dólares (a acrescer aos 15 milhões de dólares entregues em agosto ao Presidente Miguel Dias Canel) numa campanha evocativa dos 65 anos de amizade entre os dois países. O valor alcançado, assente sobretudo em muitos pequenos contributos, superou em quase dez vezes a meta estabelecida.

Cuba foi o primeiro país a reconhecer a Frente Nacional de Libertação do Vietname do Sul, enviando médicos e enfermeiros e apoiando a reconstrução.

CR