Em Março de 2008, o Presidente do Congresso Nacional Africano da África do Sul, Jacob Zuma, dirigiu-se com uma delegação de alto nível de parlamentares sul-africanos ao local da vitória das forças libertadoras em Cuito Cuanavale em Angola. Esta visita estava relacionada com numerosas cerimónias em Angola para comemorar a vitória de Angola, Cuba e das forças da SWAPO e do ANC sobre o exército do apartheid. O que era significativo era que enquanto o líder do ANC fazia esta muito publicitada visita a Angola, o então governo do ANC não se empenhava em divulgar publicamente o que acontecera em Cuito Cuanavale em 1988. Milhares de jovens na África do Sul desconhecem o que aconteceu na África do Sul e a relação entre a descolonização da África do Sul e essa histórica batalha.
Entre Outubro de 1987 e Junho de 1988, em uma das mais ferozes batalhas convencionais em solo africano, as tropas das Forças de Defesa da África do Sul (SADF) travaram batalha com tanques blindados e artilharia com o exército angolano (FAPLA) e os apoiantes cubanos em Cuito Cuanavale. Esta pequena base localizada no Sudeste Angolano (na província de Cuando Cubango) tornou-se importante na história militar de África pelo exército do apartheid sul-africano, supostamente um dos melhores equipados em Áfricas, ter sido apanhado na ratoeira a mais de trezentas milhas das suas bases na Namíbia, um território que estava ilegalmente ocupado.
Falhando a tomada de Cuito Cuanavale com cerca de 9.000 soldados mesmo após anunciar ao mundo que Cuito Cuanavale tinha caído; perdendo a sua superioridade aérea; e em face a motins das tropas negras dos seus formados á pressa batalhões, o comando operacional das SADF colapsou e o presidente P.W. Botha teve de voar para a zona de Guerra no interior de Angola. Botha, foi revelado mais tarde, voou para intervir numa disputa entre o alto comando militar da África do Sul se o exército do apartheid deveria utilizar ou não armas nucleares tácticas. Botha decidiu contra o uso de armas nucleares porque na altura a África do Sul do apartheid era um estado pária.
Com reforços cubanos, os combatentes angolanos sustiveram grandes assaltos pelo exército sul-africano em 23 de Janeiro, 25 de Fevereiro e finalmente a 23 de Março. Os sul-africanos foram repelidos com grandes perdas enquanto as tropas angolanas /cubanas assumiram a iniciativa militar. O exército angolano, pela primeira vez desde a Operação Protea (o nome de código para o ataque convencional pelas SADF) em 1981, era capaz de reocupar a área do Sudeste angolano junto á fronteira namibiana. No espaço de menos de três meses as unidades de engenharia e trabalhadores da construção das forças Angolanas/Cubanas foram capazes de duas pistas de aviação com armas antiaéreas para consolidar a captura da província do Cunene. Atoladas as suas armas convencionais pelo terreno e estação das chuvas, o exército sul-africano fez tentativas desesperadas de romper o cerco em 27 de Junho de 1988. Eles foram mais uma vez castigados severamente pelos pilotos angolanos que controlavam o espaço aéreo angolano.
Depois das batalhas de Junho, os sul-africanos solicitaram a paz. Chester Crocker e o governo dos USA caminharam para salvar a face do humilhado exército sul-africano. Só depois desta derrota militar as forças do apartheid concordaram com as resoluções das nações Unidas e aceitaram a contagem de tempo para a independência da Namíbia. Dentro de um ano o edifício político e militar do apartheid desabou. Nelson Mandela foi libertado vinte meses após a retirada confusa do exército sul-africano em Tchipa.
A PRIMEIRA DERROTA DO EXÉRCITO DO APARTHEID
Dado que o fascismo português colapsou em Abril de 1974 as forças do imperialismo americano e o exército do apartheid tiveram de se apresentar na sua máxima força para perpetuar o controlo externo sobre Angola. O exército do apartheid sul-africano interveio militarmente em 1975 para impedir o MPLA de atingir o poder depois das gentes de Sambizanga desvastarem as forças da FNLA aliadas ao exército de Mobutu. Nesse momento, os angolanos pediram ajuda a Cuba para ajudar a derrotar o apartheid , as tropas regulres do exército do Zaire e os mercenários ao serviço da CIA. Esta história está bem documentada por John Stockwell em “In Search of Enemies.” Mais recentemente nos EUA, o académico Pierro Gleijeses documentou a história do envolvimento cubano na guerra de 1975-1976 no livro “Conflicting Missions: Havana, Washington and Africa.”
Militarmente o exército da África do Sul foi derrotado no campo da batalha em 1975/76. Politicamente o regime do apartheid ficou cada vez mais isolado na arena internacional. Diplomaticamente a Nigéria mobilizou a Organização da Unidade Africana (OUA) para resistir á pressão dos EUA para assegurar o mandato das forças do apartheid. Na resposta, o Presidente da Nigéria, Murtala Mohammed, foi assassinado
ETAPAS DA GUERRA: 1976-1980
O assassínio de Murtala Mohammed e a aliança entre os países europeus, os EUA e o apartheid garantiram que a luta contra se tornou continental e mesmo global. Depois dos levantamentos do Soweto em 1976 os líderes racistas sul-africanos estavam na defensiva política e diplomaticamente. Esta era um período de construção do poder militar na Namíbia. O carácter da Guerra contra a SWAPO mudou com o recrutamento de jovens, a edificação de bases militares e ataques contra SWAPO. Angola tornou-se uma base de retaguarda pela luta da Namíbia com milhares de jovens fugindo para Angola vindos da Namíbia.
Uma das estranhas peculiaridades da libertação do Sul de África é o facto de que quando a UNITA se formou em 1966, foi a SWAPO que assegurou o primeiro fornecimento de armas. E que depois a UNITA se tornou um aliado do estado do apartheid e do seu exército. Jonas Savimbi e as suas forças foram organizadas para combater a SWAPO e localizar os líderes da SWAPO em Angola. Estes exercícios militares foram coordenados com a Força Aérea sul-africana. Um dos mais destrutivos ataques nos campos de refugiados da SWAPO foi em Kassinga em 1978. Na consequência desse ataque o Conselho de Segurança da ONU adoptou a Resolução 435 apelando á retirada do regime do apartheid da Namíbia.
OPERAÇÃO PROTEA: 1981-1984
De 1981 a 1988 o exército racista ocupou as províncias angolanas do Cunene e Cuando Cubango. FAPLA, o exército angolano, não estava preparado para esta massiva invasão de 11.000 tropas da SADF com as mais sofisticadas peças de artilharia. A capital provincial do Cunene em Ngiva foi saqueada. Cerca de 100.000 camponeses fugiram de suas casas. O exército sul-africano roubou gado que transportado para a Namíbia alimentava as suas tropas. Eles não retiraram as suas tropas de acordo com a Resolução do Conselho de Segurança apelando á retirada. Dentro da comunidade internacional a agressão da áfrica do Sul era condenada; mas o governo dos EUA mobilizou um grupo de estados Europeus chamados de grupo de contacto (EUA, Canadá, Alemanha Ocidental, França e Grã-Bretanha) para proteger o governo do apartheid internacionalmente.
A segunda maior invasão sul-africana foi em Cangamba em Agosto de 1983. Aqui a UNITA anunciou que Cangamba tinha caído. Mas foi a Força Aérea sul-africana que destruiu Cangamba. Em 1984 os povos da região do Sul de África sofriam mas estavam preparados para fazer sacrifícios. A compreensão de que independência e a soberania estavam ligadas ao fim do apartheid, era clara, especialmente em Angola.
Depois dos acontecimentos de 1984 os sul-africanos assinaram o Acordo de Nkomati com Moçambique e um acordo de paz com Angola. Mas esta paz era simplesmente um estratagema para ganhar espaço para procurar mais armas e capacidade financeira. Em Setembro de 1985 as FAPLA iniciaram o ataque contra a Jamba. Os sul-africanos intervêm, mas com os levantamentos da Frente Democrática Unida (UDF) na África do Sul, as SADF não podem responder e chamaram a ajuda dos EUA.. Foi o tempo em que o Pentágono forneceu mísseis stinger á UNITA. Jonas Savimbi foi recebido na Casa Branca por Ronald Reagan e a Unita foi financiada. Hollywood também fez um filme (Red Scorpion) sobre os bravos combates contra o comunismo em África. Mas a UNITA não tinha infra-estrutura administrativa ou militar para a assistência que estava recebendo. Era uma cobertura para a assistência às forças do apartheid.
No segundo mandato de Ronald Reagan (1984-1988), e com o apoio do governo de Thatcher na Grã- Bretanha, o apoio era dirigido para as SADF, UNITA, Mobutu e forças anti-comunistas no Sul de África. Deve ser referido aqui que nesta altura todos os africanos que lutavam pela liberdade eram chamados terroristas. Tanto Osama Bin Laden como Jonas Savimbi foram nesta altura aliados dos EUA na luta contra o comunismo. Enquanto Savimbi era chamado um combatente da liberdade, Nelson Mandela era reconhecido como terrorista pelos EUA e pelos sul-africanos. Por isso para lutar contra o chamado terrorismo, os EUA reactivaram a base militar de Kamina no Zaire para criar uma frente norte na guerra contra Angola. The CIA assegurou abastecimentos para os sul-africanos via UNITA.
1987 – ESPERANÇA NA OPERAÇÃO MODULAR
A África do Sul foi encorajada pela assistência financeira á UNITA pela administração Reagan. Contudo, os sinais de mudança política eram evidentes com a formação da União Sindical (COSATU) e a actividade da UDF. A maturidade das lutas democráticas populares na África do Sul tornavam o país ingovernável e o apartheid ineficaz. A Operação Modular foi lançada com o objectivo de capturar Menongue (em Angola) para instalar um governo provincial da UNITA para poder aumentar o apoio ocidental. A concretização da Operação Modular decorreu durante 6 meses. Estradas para transporte de equipamento pesado para 9.000 combatentes das forças regulares das SADF foram construídas.
As FAPLA lançaram um prévio ataque á Jamba e a batalha do Rio Lomba foi o preâmbulo da grande batalha do Cuito Canavale.
A INTERVENÇÃO CUBANA
Fidel Castro e a liderança Cubana seguiram os combates desde o início. O grosso das forças cubanas em Angola tinham sido retiradas em 1981. Fidel Castro e a liderança cubana tinham tido divergências com os generais das forças militares convencionais de Angola. Alguns dos generais soviéticos que assessoravam o exército angolano só pensavam em combates convencionais frontais. Mas Fidel Castro, os militares cubanos e os progressistas de Angola compreendiam que a Guerra defensiva era mais inteligente forma de combate que a que só dependesse de tanques avançados e artilharia. A liderança cubana argumentava correctamente que se as SADF rompessem a linha defensiva das FAPLA, a posição cubana de Menongue seria ameaçada. Os cubanos mandaram reforços com as melhores tropas, as armas mais sofisticadas e armas antiaéreas. Era significativo que as armas antiaéreas estavam sob controlo de mulheres. Foram mulheres que expulsaram a Força Aérea sul-africana dos ares. .
As posições defensivas de radar angolanas quebraram a superioridade aérea sul-africana. Os pilotos angolanos e cubanos dos MIG 23 provaram ser tão ou mesmo mais competentes que os seus homólogos da Força Aérea da África do Sul. A SADF limitou-se a flagelar Cuito Cuanavale com cerca de 20.000 projécteis por dia. Nos grandes combates de Janeiro, Fevereiro e Março os sul-africanos não conseguiram tomar o Cuito Canavale. Nesse intervalo de tempo os EUA tentaram abrir uma nova frente com a UNITA. Os militares norte-americanos iniciaram exercícios com o nome Operação Flintlock para desembarcar abastecimentos à UNITA. Então a UNITA enfrentou as guerilhas do ANC.
A sorte dos sul-africanos foi confirmada em Tchipa em 27 de Junho de 1988. Então as SADF tentaram abrir uma nova frente para aliviar as tropas cercadas em Cuito Cuanavale. Nesta decisiva batalhas as forças das FAPLA confirmaram a sua superioridade aérea. Quando as notícias da derrota de Calueque chegaram á África doSul, muitos jovens brancos protestaram a sua incorporação na áfrica do Sul. A Campanha pelo fim da Incorporação assistiu ao aumento do número de jovens brancos resistindo ao alistamento. Um grande jornal sul-africano chamou á batalha de Tchipa 'uma pesada humilhação”. Os sul-africanos tinham duas alternativas: iniciar conversações ou render-se. O Cerco de Cuito Cuanavale acabou após as SADF concordarem na retirada da Namíbia.
Como consequência das negociações após a derrota dos sul-africanos, Namíbia ganhou a sua independência em Março de 1990. Um mês antes as lutas dos povos da áfrica do Sul levaram á libertação de Nelson Mandela.
Em Angola a guerra continuou até 2002 quando Jonas Savimbi foi morto. Os planos militares dos EUA e as relações militares dos EUA com África não podem ser comparadas negativamente com o papel desempenhado pelos Cubanos em Cuito Cuanavale em Angola em 1988. Através destas memórias muitos lembrar-se-ão das palavras de Fidel Castro “A história de África dividir-se-á no antes e no depois Cuito Cuanavale.”
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terça-feira, 26 de abril de 2011
segunda-feira, 25 de abril de 2011
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
TAAG - procurem nos sítios certos...

A estória do recente “descuido” de um avião das linhas aéreas de Angola (TAAG, não como este que vemos aqui a sobrevoar calmamente a 2ª Circular lisboeta, mas o outro que andou “borrifando” Almada com peças do motor e outros pedaços, trouxe para as primeiras páginas, mais uma vez e pelas piores razões, a situação dos aparelhos daquela companhia aérea, que parece ter o nome definitivamente inscrito na lista negra de muitas dezenas de aeroportos internacionais. «TAAG sem aviões para longo curso por avarias, vive período mais difícil da sua história», é apenas mais um dos títulos da imprensa que relata essa situação recorrente.
Uma das explicações será, fatalmente, a situação económica ou financeira da companhia, aquilo que vulgarmente conhecemos por falta de dinheiro, que impedirá uma decente manutenção dos aviões, pondo em risco a segurança dos passageiros, a segurança de pessoas que, provavelmente, nunca andaram de avião, como era o caso dos transeuntes almadenses que levaram com a chuva de sucata... e o bom nome da companhia e, no limite, de Angola.
Não entendo nicles de gestão e ainda menos de aeronáutica... mas atrevo-me a dizer que, se há falta de dinheiro na companhia aérea angolana... é porque não procuraram bem e, sobretudo, não procuraram nos sítios certos.
Se forem ver bem nas contas bancárias dos dirigentes e altos funcionários da empresa, ou a ela ligados, nas gavetas onde as suas esposas guardam as joias personalizadas que compram em Lisboa e Paris, se abrirem os guarda-vestidos e guarda-fatos delas e deles, atulhados de farpelas "assinadas", se forem às sua garagens contar os modernos “Range Rover Sport” e os gigantescos “Hummer” que por lá abundam, se consultarem as faturas das festanças de “jet-set” e casamentos para mil convidados que essa gente dá, festas atascadas em champanhe francês e com “catering” vindo do estrangeiro, vão ver se não tenho razão:
Estão lá enterradas todas as "peças" que faltam na manutenção dos aviões da TAAG!
(em samuel-cantigueiro.blogspot.com)
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