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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

NÚMEROS …

(a realidade contra a propaganda)

A evolução do PIB e do consumo efectivo por habitante de um País dá certamente uma indicação da qualidade de vida dos seus cidadãos. A União Europeia tem apresentado um crescimento económico medíocre, comparativamente a outros espaços económico-geográficos. O capitalismo europeu encontra-se enredado em muitas contradições, por ele próprio criadas.

O PIB de Portugal era de 78% da média europeia em 2008. Em 2010, atingia 80%, mas em 2012 ficava pelos 76%. Não será nada de admirar que o “trambolhão” do PIB seja ainda maior nas estatísticas de 2013, 2014, 2015… Portugal produz menos, cada vez menos, e não atinge metade do PIB do Luxemburgo (163% da média europeia), praça financeira e do capitalismo europeu.

O consumo efectivo por habitante era de 83% da média europeia em 2008. Em 2010, atingia ainda os 84% mas já em 2012 descia para uns chocantes 77%. A política de austeridade cega, chamada de “ajustamento orçamental”, patrocinada pelo PSD, PS e CDS, colocará os próximos indicadores em valores … de sobrevivência. O Luxemburgo atinge os 138% em 2012, o que convenhamos atesta a desigualdade reinante na União Europeia.

CR

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ENFIM UMA LUZ?

por Octávio Teixeira

Foi noticiado que a França e a Alemanha estudam uma alteração da zona euro. E o partido de Merkel aprovou uma moção visando tornar possível a saída do euro a qualquer país. Finalmente parece terem concluído que a situação actual é insustentável: as fortes heterogeneidades económicas na zona exigem taxas de câmbio, de inflação e de juros diferentes para cada país.

Mais vale tarde que nunca.

Mas há soluções melhores que outras. Uma solução possível que tem sido proposta é a criação de uma zona euro mais flexível para responder aos constrangimentos colocados aos países menos desenvolvidos. Os países mais homogéneos manteriam o euro como moeda única. Para os outros, a maioria, o euro seria uma moeda comum em relação à qual as suas moedas nacionais seriam convertíveis na base de uma taxa fixa ajustável regularmente, permitindo desvalorizações ou valorizações quando os países acumulem défices ou excedentes correntes estruturais. Só o euro seria convertível para moedas fora da zona, com controlo dos movimentos de capitais de curto prazo.

Teríamos, assim, um sistema monetário coordenado à escala da União mas flexível para permitir aos países o grau de soberania monetária necessário à concretização de políticas de pleno emprego, e uma zona de maior estabilidade monetária. E reduziria substancialmente os custos do abandono ou expulsão do euro que se perspectiva para vários países, incluindo Portugal.

E não se esgrima com o "papão" da Europa a duas velocidades. Isso é o que existe: a velocidade dos países excedentários e a dos deficitários. Nem com a Europa de geometria variável que é já um facto: dez países não estão na zona euro e (pelo menos) o Reino Unido não tenciona integrá-la.

Sejamos realistas: ou há refundação do euro ou este implodirá.