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quarta-feira, 28 de março de 2012

De Espanha, um bom exemplo. Viva o Rayo Vallecano!

O Rayo Vallecano adere á greve geral
Em El Boletín

O Rayo Vallecano descansa na Quinta-feira e não treinará no dia da greve peral de 29 de Março. Não é a primeira vez que a equipa que dirige José Ramón Sandoval não treina em solidariedade com os adeptos em greve, tendo-o já feito na que foi convocada em 29 de Setembro de 2010 contra o Governo de José Luis Rodríguez Zapatero, com a diferença de que nessa ocasião o Rayo era somente um equipa de segunda e agora é ‘uma da Primeira Divisão’.
Diz Marca que a programação de treinos do Rayo esta semana inclui uma novidade: a equipa de Sandoval descansará quinta-feira, o dia que os sindicatos maioritários convocaram uma jornada de greve geral em protesto com a reforma laboral.
No dia 29 de Setembro de 2010, os jogadores estavam convocados para uma dupla sessão de treino ás 10.30 da manhã e de tarde, como num dia normal, quando um grupo de aficionados do clube, concretamente da claque "Los Bukaneros”, agiram como piquete informativo e pediram ao técnico que a equipa principal não treinasse. Depois de deliberar durante mais de uma hora no vestiário, os jogadores dirigiram-se ao relvado para contactar os aficionados rayistas e comunicar-lhes que não iam treinar por "solidariedade com os seus adeptos”. No que se tornou na única equipa profissional que aderiu ao protesta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Futebol e politica: a triste qualificação do Chile para o Mundial de 1974

Lia sobre o futebol e a política quando me lembrei, por coisas que não importa aqui esclarecer, a história da infame qualificação do Chile de Pinochet para o Mundial da Alemanha Federal, em 1974.É sabido que Pinochet usou o futebol como Franco e Salazar, em benefício de uma política de adormecimento nacional, de domesticação das vontades. No Chile foi o Colo Colo o clube utilizado. Em Espanha o Real Madrid. Em Portugal... bem, não vou entrar nessa polémica, sendo certo que independentemente dos emblemas mais ou menos queridos do regime, todo o futebol favoreceu - com honrosas excepções - a lógica dos três F's do fascismo português.

Regresso ao Chile de 1973 para lembrar que a 11 de Setembro o governo democraticamente eleito do presidente Allende é derrubado de forma cobarde e violenta, por parte das forças armadas chilenas em conluio com a CIA e os grupos monopolistas nacionais e internacionais. O Chile de Pinochet foi, desde o primeiro dia, um imenso campo de concentração, sendo certo que efectivos campos de concentração existiram desde o dia do golpe. Em Santiago a utilização de Estádios de futebol ficou célebre. Ali foram aprisionados, torturados e assassinados muitos chilenos.

Ditou o destino que, no percurso de qualificação das duas selecções nacionais de futebol do Chile e da União Soviética rumo ao Mundial de 1974, a eliminatória de todas as decisões se disputasse entre as duas. A primeira mão, disputada em Moscovo, teve lugar apenas dez dias depois do Golpe e teve como resultado um empate a zero.

A segunda mão, que tudo decidiria, foi marcada para 21 de Novembro de 1973, quando eram já amplamente conhecidas as práticas brutais do regime fascista chileno.

Provocatória e criminosamente, as autoridades chilenas escolheram como palco um dos Estádios utilizados pelo regime como campo de concentração, tortura e fuzilamento. A URSS emitiu então um comunicado anunciando a sua recusa de defrontar o Chile no local escolhido, a apelando à entidade organizadora da prova - a FIFA - para que não permitisse a realização da partida decisiva num espaço de morte e sofrimento.

A FIFA - presidida por um apoiante do Apartheid, Stanley Rous - visitou o Estádio, onde ainda se encontravam detidos presos políticos, e por fim deu o seu acordo à proposta da federação chilena, o que resultou no cumprimento, por parte dos soviéticos, da ameaça anunciada. O que se sucedeu foi um espectáculo deplorável, um dos mais lamentáveis da história do futebol mundial, com o Chile a apresentar-se em campo e a marcar numa das balizas - deserta - do Estádio de todos os sofrimentos um golo rídiculo, que selava o apuramento Chileno para a fase final na RFA.As imagens do triste espectáculo encontrei-as no Youtube. Ora vejam:




(em o-companheirovasco.blogspot.com)