Lia sobre o futebol e a política quando me lembrei, por coisas que não importa aqui esclarecer, a história da infame qualificação do Chile de Pinochet para o Mundial da Alemanha Federal, em 1974.É sabido que Pinochet usou o futebol como Franco e Salazar, em benefício de uma política de adormecimento nacional, de domesticação das vontades. No Chile foi o Colo Colo o clube utilizado. Em Espanha o Real Madrid. Em Portugal... bem, não vou entrar nessa polémica, sendo certo que independentemente dos emblemas mais ou menos queridos do regime, todo o futebol favoreceu - com honrosas excepções - a lógica dos três F's do fascismo português.Regresso ao Chile de 1973 para lembrar que a 11 de Setembro o governo democraticamente eleito do presidente Allende é derrubado de forma cobarde e violenta, por parte das forças armadas chilenas em conluio com a CIA e os grupos monopolistas nacionais e internacionais. O Chile de Pinochet foi, desde o primeiro dia, um imenso campo de concentração, sendo certo que efectivos campos de concentração existiram desde o dia do golpe. Em Santiago a utilização de Estádios de futebol ficou célebre. Ali foram aprisionados, torturados e assassinados muitos chilenos.
Ditou o destino que, no percurso de qualificação das duas selecções nacionais de futebol do Chile e da União Soviética rumo ao Mundial de 1974, a eliminatória de todas as decisões se disputasse entre as duas. A primeira mão, disputada em Moscovo, teve lugar apenas dez dias depois do Golpe e teve como resultado um empate a zero.
A segunda mão, que tudo decidiria, foi marcada para 21 de Novembro de 1973, quando eram já amplamente conhecidas as práticas brutais do regime fascista chileno.
Provocatória e criminosamente, as autoridades chilenas escolheram como palco um dos Estádios utilizados pelo regime como campo de concentração, tortura e fuzilamento. A URSS emitiu então um comunicado anunciando a sua recusa de defrontar o Chile no local escolhido, a apelando à entidade organizadora da prova - a FIFA - para que não permitisse a realização da partida decisiva num espaço de morte e sofrimento.
A FIFA - presidida por um apoiante do Apartheid, Stanley Rous - visitou o Estádio, onde ainda se encontravam detidos presos políticos, e por fim deu o seu acordo à proposta da federação chilena, o que resultou no cumprimento, por parte dos soviéticos, da ameaça anunciada. O que se sucedeu foi um espectáculo deplorável, um dos mais lamentáveis da história do futebol mundial, com o Chile a apresentar-se em campo e a marcar numa das balizas - deserta - do Estádio de todos os sofrimentos um golo rídiculo, que selava o apuramento Chileno para a fase final na RFA.As imagens do triste espectáculo encontrei-as no Youtube. Ora vejam:
(em o-companheirovasco.blogspot.com)
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