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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

TESTEMUNHO

A Consulta de Interrupção Voluntária de Gravidez, na Unidade de Saúde de Penafiel, funcionava desde 2008. Desde os tempos seguintes á aprovação da Lei 16/2007. Era uma realidade muito sui generis pois funcionava em estabelecimento oficial no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários, com profissionais da Medicina Geral e Familiar e apoio de Psicologia. Numa experiência organizacional só com paralelo no País em Amarante e Viana do Castelo.
Os profissionais ousaram criar uma consulta regular e qualificada que informou, executou e avaliou a prática da Interrupção da Gravidez por Vontade da Mulher através de método medicamentoso, sem recurso prévio a métodos cirúrgicos. Partiu-se da vontade e disponibilidade de 10 profissionais, alheios ao cómodo estatuto de objectores de consciência.
Durante 4 anos atenderam quase um milhar de mulheres, com as suas angústias, dúvidas e vontades. Cumpriram normas orientadoras estritas, obtiveram resultados de eficácia, morbilidade e complicações idênticos aos previstos na literatura. Não vacilaram nos objectivos, limites e motivação. Resistiram a pressões, muitas delas de foro íntimo.
Foram sujeitos a rigorosa auditoria interna, avaliação inspectiva de local, de equipamentos e de práticas. E foram aprovados. Mereceram um prémio em Congresso Nacional, um 1º prémio ex. aequo na apresentação de Poster sobre caracterização de utentes. E foram aplaudidos.
Agora acabou. Á mudança de enquadramento pela hierarquia superior, que lhes limitou a autonomia e reduziu padrões de satisfação, alterando horário e remuneração, disseram colectivamente NÃO. Aos constrangimentos financeiros cegos e indevidos disseram ASSIM NÃO. Com pesar e preocupação pelo futuro de muitas mulheres, quando em situação tão vulnerável e difícil.
Mereciam mais. No mínimo, continuar discretamente a servir publicamente. Em nome de direitos.

CR

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