O Bloco de Esquerda distribuiu nas escolas um documento com o significativo título: “Coisas que não aprendes nos livros da escola”. E que “coisas” são essas que os jovens desconhecem?
Vejamos algumas, bem polémicas.
Com o subtítulo “Quem domina a escola domina a sociedade”, diz o Bloco: “A escola pública é o lugar onde encontramos os nossos amigos, onde temos acesso a conhecimentos, onde experimentamos a democracia”. Este modelo de escola (a que chamarei o modelo facebook), onde a escola é quase só “espaço de alunos” reflecte uma visão facilitista, simplificada, onde a aprendizagem de saberes é conjuntural.
Com o subtítulo “Legalize it”, o Bloco promove a canábis a objecto de cultivo, comércio e consumo, e ao estatuto de uma inocente e pouco prejudicial droga. E a que tendo em conta uma “gestão individual dos riscos associados ao consumo”, o Estado não deve intervir, e logo deve legalizar para “fins recreativos”.
Com o subtítulo algo confuso “Nem menos nem mais direitos iguais!”, o Bloco de Esquerda entra no tema dos direitos associados ao género, ás sexualidades, e á representação social do modelo familiar. Mas a justificação é desastrosa.
“Por que é que um rapaz que anda com muitas raparigas é considerado um “garanhão” e uma rapariga que faça o mesmo uma “puta”? E por que é que “fufa” e “paneleiro” continuam a ser insultos com os quais nos agredimos? E em tua casa, quem passa a ferro e faz o jantar?”. Assim aborda o Bloco os problemas.
Há outros temas em que se pode discordar embora a argumentação apresentada possa ser considerada válida. São as opiniões do Bloco sobre o Dia da Defesa Nacional, sobre o voto aos 16 anos e a proibição de touradas com touros de morte ou espectáculos de circo com animais.
No fim, ficam as propostas de interesse, as que podem mobilizar os jovens, e unir programaticamente a outros sectores, como a utilização e reutilização de manuais escolares, a defesa ecológica do nosso mundo, a luta contra o capitalismo e suas consequências.
O Bloco dá assim uma imagem híbrida, com um liberalismo radical nos costumes e um progressismo em conteúdos sociais.
Sem comentários:
Enviar um comentário