Ludovina Silva, com 80 anos, decide vender a Quinta do Ambrósio em Fânzeres. Uma das filhas consegue marcar uma reunião co Valentim Loureiro em Junho de 2000, para lhe perguntar se a Câmara de Gondomar estava interessada. O Major diz que não, mas perante a aflição encaminha-a para o seu vice-presidente José Luís Oliveira, grande proprietário gondomarense e habitual negociador imobiliário.É já em Outubro que José Luís Oliveira acorda verbalmente com a filha da viúva a compra da Quinta por pouco mais de um milhão de euros.
Aqui entra Laureano Gonçalves, advogado, ex-inspector das Finanças, e especialista em “estruturas fiscais”. É comparsa de Valentim nas questões desportivas (Boavista, Federação Portuguesa de Futebol) e passa a ser ele a face destas operações, além de sócio de José Luís Oliveira. Entretanto pouco tempo depois, ambos convidam o filho de Valentim, Jorge Loureiro, para fazer parte do negócio.
A STCP andava á procura de um local para uma nova estação de recolha de autocarros em Gondomar (está no Plano de Investimentos tornado público em 1999). A STCP aceita comprar a Quinta do ambrósio. Por quanto? 4 Milhões de euros. Quatro vezes mais do que havia sido combinado pagar á viúva poucos meses antes.
Laureano monta então uma estratégia através de empresas offshore nas Bahamas e Ilhas Caimão, para camuflar os quase 3 milhões de lucros da futura venda á STCP com a maior discrição e menos impostos possíveis.
Oliveira Marques e Gonçalves Martins, respectivamente presidente e administrador dos STCP, dão luz verde á compra da Quinta do Ambrósio apesar de não terem qualquer avaliação independente sobre o real valor do imóvel. Exigem também á Câmara de Gondomar que faça por desafectar a “reserva agrícola” que impendia sobre parte da quinta. As autorizações da CCDRN e os organismos da agricultura e ambiente surgem ainda durante o ano de 2001. Nunca chegou a haver qualquer estação da STCP na Quinta do Ambrósio.
Laureano fica entretanto com “plenos poderes de procurador” da viúva. É já ele quem trata do contrato-promessa, em Março de 2001, em nome de Ludovina, á STCP (e depois concretiza a escritura final em Dezembro de 2001).
Ludovina recebe um milhão de euros na conta do BCP (o combinado com o “vice” de Valentim), enquanto os restantes quase 3 milhões de lucros extra vão parar a uma conta do BPN que Laureano criou em nome da viúva. É este fiscalista quem os envia em nome de Ludovina para contas offshore a fim de se dividirem pelo Jorge Valentim, por José Luís Oliveira, e pelo próprio Laureano. Obviamente cada um deles com contas offshore (BPN – Caimão e Finibanco – Caimão).
O Tribunal condenou agora Jorge Valentim, José Luís Oliveira e Laureano Gonçalves … por branqueamento de capitais em um ano e dez meses de prisão…com pena suspensa. Não comprovou a burla qualificada, não provou um “alegado esquema ardiloso para ludibriar a dona dos terrenos”. Valentim é um $anto, frequentador de missas e procissões em todo o Gondomar. Nunca roubou um saco de polvo ou um frasco de champô.
Sem comentários:
Enviar um comentário