Esther López Barceló, da Esquerda Unida (Espanha)
um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
O ENCÉFALO E A ESTUPIDEZ
No Portal Vermelho, sítio brasileiro do PC do B, recolhi a informação de que no Brasil, o Supremo Tribunal Federal vai decidir sobre a Interrupção da Gravidez de fetos sem cérebro. Pasmei e reli. Perante uma anomalia congénita incompatível com a vida, no Brasil ainda se discute se a sociedade aceita o aborto em caso de anencefalia.
E os argumentos roçam a imbecilidade. Alguns admitem neste caso o aborto pelo facto dos riscos para a mãe serem superiores a uma gestação comum. E por aí se ficam. Outros, grupos ditos de defesa dos direitos humanos e profissionais de saúde, alegam que a interrupção de uma gestação de um anencéfalo não pode ser considerada tecnicamente um aborto. E nessa posição defensiva tranquilizam a consciência e adormecem a inteligência.
Nos adversários da interrupção predominam as entidades reaccionárias de cunho religioso. Admitem alguns o argumento da possibilidade dos restantes órgãos de um anencéfalo poderem ser doados após 9 meses de gestação. È a mentalidade patética que nunca questiona a dor de quem não vê concretizado um acto de amor.
Remeter para o Poder Judicial o que deveria ser decisão política do legislador, constitui uma inqualificável aberração. É no Brasil de Lula, de Dilma, do progresso económico. Afinal onde começa no Brasil o encéfalo e acaba a estupidez?
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Gravidez & Aborto - Histórias da Santa Madre
por César Príncipe [*]
[*] Escritor, jornalista
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
ABORTO – OS NÚMEROS DA REALIDADE
As estimativas iniciais apontavam para 20 mil IVG legais por ano. Estamos ligeiramente abaixo. Bolas, nem nisto!
Há “especialistas” que dizem que na Europa os números estabilizam ao fim de 2 ou 3 anos e depois descem. E aí surgem as trombetas do alarme...e se em Portugal não for assim?
Três anos após a entrada em vigor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), continua a haver abortos clandestinos, certamente. Mas são “reduzidíssimos”. E já quase não há registo de entradas de mulheres com complicações nas urgências.
A percepção de que se mantém alguma prática clandestina vem do bom senso. Sendo legal interromper a gravidez até às dez semanas, há sempre casos em que o prazo limite é ultrapassado. O recurso “a práticas inseguras e sem supervisão médica” deve-se também a outros factores. O primeiro deles será a dificuldade em expor-se indo a um serviço público. Outro prende-se com os costumes, hábitos que a alteração da lei não conseguiu alterar.
A verdade é que não há dados. Uma medição possível será a das complicações de abortos que chegam aos hospitais. Aí, todos são claros: a diminuição foi “drástica” e os casos são “reduzidíssimos”...
As reincindências são sempre preocupantes. Em 2009, foram feitos 19.572 abortos, dos quais 18.961 ao abrigo da legalização da IVG a pedido da mulher. Em cerca de 16% dos casos era já um segundo aborto. Mais de 3% das mulheres iam no terceiro e 1,4% em mais de três.
Essa é uma das razões para que se defenda a revisão da lei. Há quem entenda que deve ser desburocratizada e deve incitar a uma maior intervenção dos cuidados primários. Importa ainda reforçar a educação sexual e campanhas de sensibilização. Eventualmente aplicar taxas moderadoras à IVG poderia ajudar a fazer descer as reincidências. Mas “pintar” com cores negras a IVG em Portugal como fez o i não é justo. Os direitos das mulheres são inatacáveis numa perspectiva progressista da sociedade.
Cristiano Ribeiro