A culpa foi do
rinovírus. (Foi?) A mortalidade dos nossos compatriotas aumentou neste Inverno
do nosso descontentamento, as urgências ficaram um caos, tudo porque o tempo
esteve anormalmente frio e seco, dizem. (Sim?) E… não sei mesmo se a culpa não
é do Putin, que o muito frio e comunismo anda tudo ligado...
Naquela unidade de
saúde, foi o corrupio do pedido de consulta e a frustração de uma negativa
diária. “Hoje não há médico”, ou “deixe o pedido de medicação que falta, que se
vai ver”, disse-se com persistente frequência. O sistema informático é lento no
seu funcionamento, tem hiatos prolongados, desespera um santo e ainda mais um
prescritor afogueado de trabalho. Mas a culpa só pode ser do rinovírus.
Não fora a existência
de empresas de prestação de serviços, que um dia colocam aqui um recém-licenciado
ou um simpático reformado, ou um profissional estrangeiro, outro dia a cara
muda, mas se assim não fora, tudo seria pior. (Seria?) Não se entende a fala,
parecem pouco á vontade, mas quem não tem cão, caça com gato. É o chamado
médico itinerante, prestador de serviços á hora. O preço dos medicamentos até
baixou, as famílias sentem-no, e em cerca de 10% da população até baixou para
zero,… quando “optaram” por não os comprar.
Poupar é o slogan.
Poupa-se na despesa pública, nos vencimentos, nas horas extraordinárias, nas
horas assistenciais, no número de profissionais e nos seus interesses e
direitos, na oxigenoterapia, nas nebulizações, nos transportes de utentes, na
esperança de vida, na qualidade de vida, nos efeitos secundários dos
medicamentos, nos recobros, nas fisioterapias, nas ilusões, nas expectativas.
Viver é um luxo, meus caros, uma prerrogativa que não se pode abusar ou
promover.
A culpa é do rinovírus.
Ou de outro vírus qualquer. O austerovírus. O incompetentovírus. O parvovírus.
Vivemos em meio de cultura altamente patogénica. Deus e a luta resistente nos
acudam!
CR

