um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 10 de março de 2015

ESTES VÍRUS QUE NOS APOQUENTAM


A culpa foi do rinovírus. (Foi?) A mortalidade dos nossos compatriotas aumentou neste Inverno do nosso descontentamento, as urgências ficaram um caos, tudo porque o tempo esteve anormalmente frio e seco, dizem. (Sim?) E… não sei mesmo se a culpa não é do Putin, que o muito frio e comunismo anda tudo ligado...

Naquela unidade de saúde, foi o corrupio do pedido de consulta e a frustração de uma negativa diária. “Hoje não há médico”, ou “deixe o pedido de medicação que falta, que se vai ver”, disse-se com persistente frequência. O sistema informático é lento no seu funcionamento, tem hiatos prolongados, desespera um santo e ainda mais um prescritor afogueado de trabalho. Mas a culpa só pode ser do rinovírus.

Não fora a existência de empresas de prestação de serviços, que um dia colocam aqui um recém-licenciado ou um simpático reformado, ou um profissional estrangeiro, outro dia a cara muda, mas se assim não fora, tudo seria pior. (Seria?) Não se entende a fala, parecem pouco á vontade, mas quem não tem cão, caça com gato. É o chamado médico itinerante, prestador de serviços á hora. O preço dos medicamentos até baixou, as famílias sentem-no, e em cerca de 10% da população até baixou para zero,… quando “optaram” por não os comprar.

Poupar é o slogan. Poupa-se na despesa pública, nos vencimentos, nas horas extraordinárias, nas horas assistenciais, no número de profissionais e nos seus interesses e direitos, na oxigenoterapia, nas nebulizações, nos transportes de utentes, na esperança de vida, na qualidade de vida, nos efeitos secundários dos medicamentos, nos recobros, nas fisioterapias, nas ilusões, nas expectativas. Viver é um luxo, meus caros, uma prerrogativa que não se pode abusar ou promover. 

A culpa é do rinovírus. Ou de outro vírus qualquer. O austerovírus. O incompetentovírus. O parvovírus. Vivemos em meio de cultura altamente patogénica. Deus e a luta resistente nos acudam!


CR

sexta-feira, 6 de março de 2015

José Carlos Ary Dos Santos - Soneto Presente



Não me digam mais nada senão morro
aqui neste lugar dentro de mim
a terra de onde venho é onde moro
o lugar de que sou é estar aqui.

Não me digam mais nada senão falo
e eu não posso dizer eu estou de pé.
De pé como um poeta ou um cavalo
de pé como quem deve estar quem é.

Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.

atrasos...


"Atrasei-me no pagamento de compromissos á Segurança Social e ao Fisco porque sou muito distraído e pobrezinho". E até pensei que para a JSD e para o PSD era facultativo. TADINHO...UM PRIMEIRO MINISTRO TADINHO!

quarta-feira, 4 de março de 2015

Nemtsov: quem foi?

Alguém matou a tiro Boris Nemtsov, de 56 anos, quando passeava com a namorada, uma modelo ucraniana de 22 anos, por uma ponte em Moscovo, perto do Kremlin, uma zona extremamente controlada pela polícia e forças de segurança. Um crime condenável e a exigir apuramento de responsabilidades.

Mas quem foi Boris Nemtsov? Ele foi Governador da Região de Nijni Novgorod, e Primeiro Vice-primeiro-ministro no governo de Boris Yeltsin. O agora encomiástico dirigente da oposição liberal russa tem sido designado como campeão das liberdades e autor de denúncias anti-corrupção. Forças politicas pró-ocidentais surgiram invocando a memória do “estadista”. As vozes do oportunismo político, em Portugal e em todo o mundo, invocaram logo a mão de Putin e do actual poder russo na morte do pseudo-herói, tudo sem provas.

Mas quem foi verdadeiramente Nemtsov? Na década de 90, os dois Boris participaram activamente na espoliação do património de Estado e dos recursos da economia, entregando-os a grupos oligárquicos criminosos e a interesses estrangeiros. A Rússia foi transformada nesse tempo num anão político, uma potência sem economia, com as pessoas na penúria, sem emprego e sem dignidade nacional. Os únicos que não se alegraram quando Nemtsov e a gangue de Yeltsin deixaram o poder foram alguns oligarcas e os neoliberais "ocidentais". 

Li recentemente a descrição da alienação da fábrica de instrumentos cirúrgicos em Vorsma, Lenine Zavod, 70 km a sul de Nijni Novgorod. Os mafiosos do grupo de Nemtsov inventaram um género de acções de participação na propriedade da empresa, distribuíram-nos pelos trabalhadores, deixaram de pagar ordenados aos trabalhadores, que na penúria venderam por qualquer preço ao mesmo grupo mafioso, donde a compra da fábrica a preço irrisório. A rapina generalizada dos enormes recursos naturais da Rússia foi tal que a massa monetária em dólares em circulação era superior á moeda nacional. Os gangues mafiosos enfrentavam-se como nas ruas de Chicago dos anos 20. Roman Abramovich, essa figura enigmática, do desporto e da riqueza, ganhou fortuna rápida com o petróleo e o alumínio estatais, obtida por corrupção do gangue de Yeltsin. Em 1998 a Rússia atingiu a falência económica e financeira. E a decadência total!

Depois de demitido do poder, e até ontem, Nemtsov foi figura insignificante da oposição política, com menos de 1% de votos. O verdadeiro partido de oposição na Rússia são os comunistas, com cerca de 20% do total de votos. Ninguém no governo tinha qualquer motivo para temer ou dar qualquer importância a Nemtsov. Dizem alguns milhafres, ou Milhazes, que sei eu, que Nemtsov ia publicar um livro sobre a presença militar russa na Ucrânia. O que os satélites americanos não tinham provado ainda, nem a “quinta coluna” interna, talvez pudesse ser revelado por um político sem qualquer apoio popular significativo, alguém pensou.

CR

terça-feira, 3 de março de 2015

ASSIM VAI PORTUGAL

 Passos Coelho não tinha consciência que tinha dívidas à Segurança Social, o Dr. Salgado não tinha consciência da situação do BES, o Dr. Zeinal Bava não tinha consciência do investimento da PT no Rio Forte, o Dr. Dias Loureiro não tinha consciência do que se passava no BPN, tal com os Drs. Cavaco, Oliveira e Costa e Rui Machete a quem faltou também essa consciência, Dr. Rendeiro desconhecia o que se passava no BPP, o Dr. Jardim não tinha consciência de ser Gestor do BCP, o Dr. Isaltino Morais desconhecia que o primo depositava dinheiro na sua conta na Suíça, o Engenheiro Sócrates desconhecia que a vida em Paris era tão cara que se viu obrigado a pedir dinheiro emprestado! E ex. inspetores da judiciária fazem assaltos.