um blogue pessoal com razões e emoções á esquerda

UM BLOGUE PESSOAL COM RAZÕES E EMOÇÕES À ESQUERDA

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

POSIÇÃO CLARA DO PCP


Sobre o referendo realizado em Itália


A vitória do NÃO no referendo à alteração constitucional proposta pelo Governo italiano constituiu uma derrota para os que visavam atacar a Constituição italiana, adoptada na sequência da derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial, e o seu carácter democrático.
A manobra anti-democrática dirigida para a centralização do poder político e a perversão do sistema eleitoral por via da revisão à Constituição foi assim rejeitada.
O carácter popular desta rejeição assume tanto maior significado quando esta foi alcançada enfrentando a intensa campanha e chantagem do Governo italiano e dos grandes grupos económicos e financeiros, que contou com o apoio de responsáveis da União Europeia.
Um resultado que – tendo na sua base motivações diferenciadas, e até contraditórias –, representou também uma rejeição da política que tem vindo a ser realizada por sucessivos governos, incluindo o Governo do Partido Democrata, dirigido por Matteo Renzi, subordinada aos interesses do grande capital e à União Europeia, e contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo italiano.
O PCP reafirma a sua solidariedade para com a luta dos comunistas, dos trabalhadores e povo italiano em defesa dos direitos democráticos, sociais, económicos e políticos.

domingo, 4 de dezembro de 2016

RESISTÊNCIA POLITICA E CULTURAL



A russofobia fracassa na Ucrânia e os ucranianos começaram em massa a cantar canções russas.

A política de erradicação forçada da cultura russa na Ucrânia, ao que parece, falhou. Enquanto a liderança do país impõe novas restrições aos russos, os moradores nas ruasa decidiram expressar a sua opinião sobre este assunto. Ou melhor, cantar publicamente, alto e melodiosamente, atraindo a atenção do público em geral e protestando assim contra a propaganda estatal russofóbica.
Mais recentemente, nos lugares mais frequentados, especialmente em estações ferroviárias, são os flash mobs com canto de canções em russo. As melodias e letras soviéticas e canções russas são familiares a quase todos, e, portanto, os criadores da ação, como regra, estão ligados a comuns transeuntes.
Vozes soam tão convincentes que se "ouve" mesmo na Europa. A edição alemã de Der Freitag observa que os participantes nos flash-mobs, assim, "defendem a paz entre russos e ucranianos, bem como são contra a guerra e a forçada ucrainização”.
Em apenas alguns dias as ações já estão em várias cidades ucranianas e russas. Por exemplo, os moradores de Dnipropetrovsk cantam a "Katyusha", em Odessa cantam "Darkie" em Kharkov - "Old Bordo", em Kiev - "Primavera em Zarechnaya Street", e em Lugansk - "Montes sono de dark". Não poupam lugares e compartilham Nezalezhnosti na capital, Kiev. Os participantes lembram por unanimidade, o familiar a todos desde a infância, "Sunshine".
Os russos não ficaram de fora e decidiram apoiar a iniciativa, também, que executa nos lugares públicos bem conhecidos da Ucrânia e "hits" cossacos: moscovitas cantam "Rozpryagayte hloptsі konі" e residentes de Lipetsk - "Chervona Ruta" e Krasnodar.
Der Freitag recorda que hoje na Ucrânia, canais de TV russos estão bloqueados, bem como performances de numerosos artistas da cultura de língua russa, a venda de literatura russa foi banida. No entanto, as "canções anti-populares e nacionalistas ucranianas e a polícia são impotentes", diz a publicação.


HISTÓRIA


24 de Novembro 1859
– Lançamento de «A Origem
das Espécies»
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«A Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida» é o título completo da obra clássica do naturalista britânico Charles Darwin conhecida como «A Origem das Espécies». Iniciada meia dúzia de anos depois da sua marcante viagem de cinco anos a bordo do HMS Beagle – o navio ao serviço da Marinha Real Britânica que fez três viagens de exploração, incluindo uma de circum-navegação, para conhecer terras e mares – a obra sustenta que as espécies evoluíram, não foram criadas, como então se pensava, e propõe o mecanismo de selecção natural para explicar essa evolução e as adaptações dos organismos. A polémica suscitada pelo livro foi enorme, apesar de Darwin não questionar a existência de uma entidade divina criadora, ideia fortemente arreigada na época, mas sim a sua intervenção no processo de diversificação das formas de vida, negando a origem separada de cada espécie e advogando a existência de uma origem comum. Esta visão, radicalmente nova, só veio a ser devidamente valorizada com a revolução molecular do final do século XX.

CHET BAKER - My Funny Valentine

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

FIDEL

A sua devoção pela palavra. O seu poder de sedução. Vai buscar os problemas onde estão. O Ímpeto e a inspiração são próprios do seu estilo. Os livros reflectem muito bem a amplitude dos seus gostos. Deixou de fumar para ter a autoridade moral para combater o tabagismo. Gosta de preparar as receitas de cozinha com uma espécie de fervor científico. Mantém-se em excelentes condições físicas com várias horas de ginástica diária e natação frequente. Paciência invencível. Disciplina férrea. A força da imaginação arrasta-o até ao imprevisto. Tão importante como aprender a trabalhar é aprender a descansar. Fatigado de conversar, descansa conversando. Escreve bem e gosta de fazê-lo. O maior estímulo da sua vida é a emoção do risco. A tribuna de improvisador parece ser o seu meio ecológico perfeito. 
Começa sempre com uma voz inaudível, com um rumo incerto, mas aproveita qualquer assunto para ir ganhando terreno, palmo a palmo, até que uma espécie de grande vaga se apodera da audiência. É a inspiração: o estado de graça irresistível e deslumbrante, que só o negam aqueles que não tiveram a glória do viver. É anti-dogmático por excelência. José Martí é o seu autor de cabeceira e teve o talento de incorporar o seu ideário à corrente sanguínea de uma revolução marxista.
Na essência do seu pensamento poderia estar a certeza de que para fazer trabalho de massas é fundamental ocupar-se dos indivíduos. Isto poderia explicar a sua confiança absoluta no contacto directo. Tem uma linguagem, para cada ocasião e um modo distinto de persuasão para cada interlocutor. Sabe situar-se ao nível de cada um e a sua informação casta e variada permite-lhe mover-se com facilidade em qualquer meio. Uma coisa é segura: esteja onde esteja, como esteja e com quem esteja, Fidel Castro está ali para ganhar.
A sua atitude perante a derrota, ainda que seja nos actos mínimos da vida quotidiana, parece obedecer a uma lógica privada: nem sequer a admitem e não tem um minuto de sossego enquanto não consegue inverter os termos e convertê-la numa vitória.
Ninguém consegue ser mais obsessivo quando se propôs chegar ao fundo de qualquer coisa. Não há projecto colossal e milimétrico, em que ele não se empenhe de uma forma apaixonada.
E em especial se tem que defrontar-se com a adversidade. Nunca como então parece com melhor disposição, Alguém que acredita conhecê-lo bem, disse-lhe: as coisas devem andar muito mal, porque você está esfusiante.
Insistir e aprofundar as coisas é uma das suas formas de trabalhar. Exemplo: o assunto da dívida externa da América Latina, apareceu pela primeira vez nas suas conversas há alguns anos, e foi desenvolvendo-se, ramificando-se, aprofundando-se. A primeira coisa que disse, como uma simples conclusão aritmética, era que a dívida era impagável. Depois apareceram as medidas escalonadas: As repercussões das dívida na economia dos países, o seu impacto politico e social, a sua influência decisiva nas relações internacionais, a sua importância providencial para uma politica unitária da América Latina… até chegar a uma visão totalizadora, a que expôs numa reunião internacional convocada para o efeito e que o tempo se encarregou de demonstrar.
A sua mais rara virtude de político é essa capacidade de vislumbrar a evoluções dos factos até às suas consequências remotas… no entanto, não exerce esta faculdade por revelações, mas como resultado de um raciocínio árduo e tenaz. O seu auxiliar supremo é a memória que usa até ao abuso em conversas privadas com raciocínios espantosos e operações aritméticas de uma rapidez incrível.
Tudo isto, requer o auxílio de uma informação incessante e bem mastigada e digerida. A sua tarefa de acumulação informativa começa desde o momento em que acorda. Pequena almoça com mais de 200 páginas de notícias de todo o mundo. Durante o dia, fazem-lhe chegar informações urgentes, calcula que cada dia tem que ler 50 documentos, a esses têm que se somar as informações dos serviços oficiais e as conversas com os seus visitantes e tudo aquilo que possa despertar o interesse da sua curiosidade infinita.
As respostas têm de ser exactas, pois é capaz de descobrir a mais pequena contradição numa frase casual. Outra fonte vital de informação são os livros. É um leitor voraz. Ninguém consegue explicar como tem tempo nem qual é o método que utiliza para ler tanto e com tanta rapidez, ainda que ele insista que não tem nenhum talento especial para isso.
Muitas vezes levou um livro de madrugada e na manhã seguinte comenta-o. Lê inglês mas não o fala. Prefere ler castelhano e a qualquer hora está disposto a ler o mais pequeno papel que lhe caia nas mãos. É um leitor habitual de assuntos económicos e históricos. É um bom leitor de literatura que segue com atenção. Tem o costume de interrogar os seus visitantes. Perguntas sucessivas até descobrir o porquê do porquê do porquê.
Quando um visitante da América Latina lhe deu um dado apressado sobre o consumo de arroz dos seus compatriotas, ele fez os seus cálculos mentais e disse-lhe: que estranho, quer dizer que cada um come quatro libras de arroz por dia.
Uma das suas tácticas é perguntar coisas que sabe para confirmar os seus dados. E em alguns casos para medir o calibre do seu interlocutor e tratá-lo em consequência.
Não perde ocasião para informar-se. Durante a guerra de Angola descreveu uma batalha com tantos pormenores e minúcia, numa recepção oficial, que foi difícil convencer o diplomata europeu de que Fidel Castro não tinha participado nela.
O relato que fez da captura e assassinato do Che, o que fez do assalto do quartel da Moneda e da morte de Salvador Allende ou o que disse dos estragos do ciclone Flora, davam grandes reportagens faladas.
A sua visão da América Latina e do seu futuro, é a mesma de Bolívar e de Martí, uma comunidade integral e autónoma, capaz de mover o destino do mundo. O país do qual sabe mais depois de Cuba, os Estados Unidos. Conhece a fundo as características da sua gente, as suas estruturas de poder, as segundas intenções dos seus governo, e segundas intenções dos seus governos, e isto ajudou-o a contornar a tormenta incessante do bloqueio.
Numa entrevista de várias horas, detém-se em cada assunto, quando se aventura em temas menos conhecidos, nunca descuida a precisão, consciente que uma só palavra mal usada pode causar estragos irreparáveis. Jamais recusou responder a nenhuma pergunta, por mais provocadora que seja, nem perdeu nunca a paciência. Sobre os que escamoteiam a verdade para não lhe causar mais preocupações que as que tem: descobre-o. A um funcionário que o fez, disse-lhe: Ocultam-me verdades para não me preocupar, mas no fim, quando descobrir, morrerei pelo choque de enfrentar tantas verdades que me deixaram de dizer. As mais graves, no entanto, são as verdades lhe ocultam para encobrir erros e deficiências, pois ao lado dos enormes sucessos que sustentam a revolução – as conquistas politicas, científicas, desportivas e culturais – há uma enorme incompetência burocrática monstruosa que afecta toda a vida diária e em especial a felicidade doméstica.
Quando fala com a gente da rua, as conversas ganham expressividade e a franqueza crua dos afectos reais. Chamam-no: Fidel. Rodeiam-no sem riscos, tratam-no por tu, discutem, contradizem-no, protestam, como num canal de transmissão imediata por de onde circulam a verdade aos borbotões. É então que se descobre o ser humano insólito, que o resplendor da sua própria imagem não deixa conhecer: um homem de costumes austeros e ilusões insaciáveis, com uma educação formal à antiga, de palavras cautelosas e ténues e incapaz de conceber nenhuma ideia que não seja descomunal.
Sonha que os “seus” cientistas encontrem o remédio final contra o cancro e criou uma política externa de potência mundial, numa ilha 84 vezes mais pequena que o seu inimigo principal.
Tem a convicção que a conquista mais do ser humano é a boa formação da sua consciência e que os estímulos morais, mais do que os estímulos materiais, são capazes de mudar o mundo e empurrar a história.
Ouvi-o nas suas escassas horas de meditação à vida, evocar as coisas que poderia ter feito de outra maneira para ganhar mais tempo de vida. Ao vê-lo muito aborrecido pelo peso de tantos destinos de pessoas, perguntei-lhe o que quisera fazer neste mundo, respondeu-me de imediato: parar num local qualquer.


Gabriel Garcia Marquez em Rebellion

REFLEXÃO

Morreu, mas hoje o mundo tem uma nova vacina contra o cancro.
Morreu, mas deixou no mundo 25.000 médicos em 84 países.
Morreu, mas criou a maior faculdade de Medicina do Planeta.
Morreu, mas deixou a sua pequena e bloqueada ilha com 0% analfabetismo.
Morreu, mas enquanto os seus criminosos enviavam tropas, armas e morte ao mundo, ele mandava 30.000 médicos em missões humanitárias a 68 países.
Morreu, mas antes deixou na sua ilha 1 médico para cada 130 cubanos e nenhum cubano morre, como no ocidente, por não ter como pagar assistência médica.
Morreu, mas deixou o seu pequeno país sem desnutrição infantil e sem uma única criança dormindo na rua.
Morreu, mas no seu leito sabe que as crianças da sua pátria não correm o risco de cair nas garras do narcotráfico.
Morreu, mas na sua pátria cada criança tem uma expectativa de vida de 79 anos, a mais alta da américa latina e de muitos países do mundo.
Morreu, depois de ter erradicado a transmissão do HIV de mães para filhos.
Morreu, mas continua bem presente no coração de todo o Povo Cubano, e de todos os revolucionários do Mundo.
É este o ditador que se fala por aí????
Nao me parece que seja.
Hasta Sempre Comandante Fidel Castro!!
Ana Duarte