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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

L' important c'est la rose

António José Seguro já disse ao que vem. Imaginamos a roda-viva de telefonemas e jantares em que deve ter andado nas últimas semanas para que já possa anunciar, com ar emproado, que já tem “equipa” para atacar o poder. As suas recentes declarações são importantíssimas e devem merecer a atenção de toda a gente. Não porque Seguro tenha emitido alguma quintessência política ou intelectual, o que não é de esperar, du tout, mas simplesmente porque em duas pequenas frases António José Seguro e o “seu” PS já puseram a nu tudo aquilo que realmente lhes interessa.

Não é nada que surpreenda, mas convém sublinhar. Em primeiro lugar, apesar de todo o rol de críticas que não deixa de fazer ao actual governo, Seguro diz desde já que “não promete baixar os impostos“. No fundo, aparte operações de cosmética, ficam os portugueses desde já avisados – uma vez mais – que seja com o PSD seja com o PS, vão continuar a pagar as mais altas taxas de impostos de toda a União Europeia. E isto porquê? Isto porque, diz o secretário-geral do PS, ele próprio, coitado, é “muitas vezes acusado de não fazer promessas”, uma espécie de frase que faz lembrar aquele homem tão humilde tão humilde, que dizia que não havia ninguém no mundo mais humilde do que ele. É uma maldade e uma injustiça andarem por aí a “acusar” Seguro, esse angelical, esse santo, de ser um político sério.

Em segundo lugar, não se conhecendo propriamente uma linha de conteúdo programático de governação, uma coisa já se sabe: a equipa já está formada. Aliás, com ela, Seguro promete – ups, afinal faz promessas… – “surpreender os portugueses“. É exactamente isso que o povo quer e precisa. Mergulhado no caos social e económico, sem emprego, sem rendimentos e sem apoios, os portugueses o que querem mesmo é ser «surpreendidos» por governantes «surpreendentes». Ou seja, o PS não definiu o programa de governo, mas já definiu quem vai ocupar os ministérios. O que vão fazer e como, é secundário, será apresentado «mais tarde» em «altura própria». Mas agora, no que toca a poleiros, ao bom jeito do PS, isso sim, já está tudo prontinho e perfeitamente definido. Afinal de contas, como no PS sempre foi e sempre será, o importante não é o povo, não é o país… comme d’habitude, l’important c’est la rose. (Oiçam, que é bonita a música, pá…)

 


(Ivo Rafael Silva, em adargumentandum.wordpress.com)

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