Manuel Vilarinho, ex-presidente do Benfica, licenciado em Direito e durante dois anos delegado do Procurador da República em Mafra e Porto de Mós, foi apanhado na operação ‘Monte Branco’, processo a cargo do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), que investiga a maior rede de lavagem de dinheiro, fuga e branqueamento de capitais detectada no País, a actuar entre 2007 e 2012.
Manuel Vilarinho era um dos nomes na longa
lista de clientes de Francisco Canas,
dono da loja de câmbios Montenegro Chaves e Cª Lda e conhecido como ‘Zé das
Medalhas’. O ex-presidente do Benfica usaria os serviços de Canas para fazer
circular dinheiro entre a Suíça e Portugal. O Ministério Público, apoiado por
elementos da inspecção tributária, realizou buscas à residência de Manuel
Vilarinho e à sociedade imobiliária Edigest,
de que é sócio.
O
caso ‘Monte Branco’ partiu da investigação à Akoya, rede criada pelo ex-gestor de fortunas do UBS Michel Canals, que tinha como
intermediário em Portugal Francisco Canas.
José Carlos Gonçalves, empresário de Alenquer do sector imobiliário tido
como um dos principais clientes de Francisco Canas, está em prisão domiciliária
até pagar a caução imposta pelo juiz Carlos Alexandre. O Tribunal Central de
Instrução Criminal diz apenas que a caução é de "grande montante".
Além
da investigação desenvolvida em torno da empresa de Manuel Vilarinho, os
investigadores do DCIAP também realizaram buscas à construtora Bento Pedroso. Dois dos seus
administradores são suspeitos de branqueamento neste processo.
Manuel
Vilarinho, antigo presidente do Benfica, Duarte
Lima (que terá colocado no estrangeiro 3 milhões de euros) e a antiga
secretária de Estado e Inspectora Geral da Educação Maria José Rau são nomes que constam da lista de clientes de
Francisco Canas.
O
semanário Expresso revela, este sábado, uma lista de 180 clientes de Francisco
Canas e correspondentes a quase 100 milhões de euros de transações. Maria José
Rau, secretária de Estado da Administração Educativa no tempo de António
Guterres, e a família entregaram 365 mil euros de uma herança a Francisco
Canas.
O
chamado «Zé das Medalhas» recebia cheques ou malas de dinheiro numa loja de
Lisboa e cobrava uma taxa de um por cento para fazer circular os capitais pelo
estrangeiro, longe do controlo do fisco português.
A ex-governante, que ainda hoje integra o Conselho Nacional de Educação, garante que já regularizou o problema junto do Banco de Portugal, ao abrigo das leis que permitem a repatriação voluntária de capitais a troco de taxas de imposto reduzidas e da isenção de qualquer procedimento de natureza criminal.
Já Manuel Vilarinho confiou 422 mil euros a Francisco Canas, que se encontra em prisão domiciliária.
A ex-governante, que ainda hoje integra o Conselho Nacional de Educação, garante que já regularizou o problema junto do Banco de Portugal, ao abrigo das leis que permitem a repatriação voluntária de capitais a troco de taxas de imposto reduzidas e da isenção de qualquer procedimento de natureza criminal.
Já Manuel Vilarinho confiou 422 mil euros a Francisco Canas, que se encontra em prisão domiciliária.
A
maioria dos 180 clientes identificados garante ter aderido aos Regimes Extraordinários de Regularização
Tributária (RERT), não podendo por isso ser constituídos arguidos pelo
Ministério Público. Quanto ao próprio zé das medalhas continua em prisão
domiciliária.
Conheço o Canas desde miúdo e o meu pai também já o
conhecia", contou Vilarinho ao “Expresso”. "Não sei quanto dinheiro
lhe entreguei. Socorri-me do Canas porque o dinheiro é meu e não é proibido
pô-lo lá fora. É melhor do que entregá-lo a estes tipos do governo”.

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