O trajecto de liderança de João Proença na UGT terminou da forma mais elucidativa possível. Nada podia ser mais explícito nem mais significativo do que concluir as suas funções sendo vivamente elogiado pelo governo que mais atacou os trabalhadores, os pensionistas e os reformados portugueses desde o 25 de Abril. É a medalha que Proença tanto fez por merecer. É a distinção clara e inequívoca que melhor lhe cabe. Olhando ao passado e ao presente, desde o histórico exercício de ‘contra-sindicalismo’ à complacente assinatura do memorando da troika, não podia ser de outra forma.
Contrariamente ao que alguns pensam e dizem, a mudança de líder não vai alterar o paradigma, os objectivos nem a ‘contra-luta’ da UGT. O novo líder, que diz ter chegado a secretário-geral “graças a Ricardo Salgado”, seu patrão do BES, confirmou ao jornal Público aquilo de que nunca duvidei. À interpelação «Muitas vezes existe a percepção de que a UGT está muito próxima dos patrões e do Governo e pouco dos trabalhadores…», Carlos Silva respondeu: «Essa percepção não é errada. É uma imagem que de alguma forma corresponde aquilo que a UGT é.(…)»
Por estas e por outras, há por aí quem diga que a UGT não passa de um bando de «traidores». É uma afirmação com a qual não posso concordar. Afinal de contas, a UGT, nunca traiu os patrões.
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